Após gastos de R$ 200 mil em clínica privada, acusado de feminicídio é transferido para o Adauto Botelho

O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, em junho de 2025, em Lucas do Rio Verde, foi transferido de uma clínica psiquiátrica particular para o Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, em Cuiabá. A mudança ocorreu após a abertura de vaga na instituição pública, que não dispunha de leito disponível até então.
A confirmação foi dada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua como assistente de acusação e representa a família de Gleici entre eles a filha da vítima, a biomédica Caroline Fernandes.
Segundo o defensor, a permanência de Frasson em unidade privada, determinada pela Justiça diante da falta de vagas na rede pública, custou cerca de R$ 200 mil aos cofres públicos. Com a vaga surgida, o juízo determinou imediatamente a transferência para o Adauto Botelho, onde o acusado deve permanecer internado enquanto tramita o processo.
“Ele não está mais na clínica particular, porque a clínica era na ausência de vaga no Adauto Botelho. Como tem vaga lá, então é lá que ele tem que aguardar por enquanto”, destacou Pouso.
Novas provas e pedido de reavaliação mental
Junto ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a acusação anexou ao processo gravações de câmeras de segurança da residência da família, divulgadas publicamente em setembro deste ano.
As imagens registram a rotina de Frasson nos dias e horas anteriores ao crime e também no dia do ocorrido.O material mostra o acusado circulando pela casa, conversando com Gleici sobre questões financeiras, pegando uma faca na cozinha e se dirigindo ao quarto onde estavam a esposa e a filha, de então 7 anos. Em trechos anteriores, aparecem também registros de conflitos e até orientação de uma familiar para que Gleici escondesse as armas brancas da casa dois dias antes do ataque, segundo a defesa da família, já haviam ocorrido ameaças contra a vítima e a criança.
Para a acusação, o material demonstra que o agrônomo agia com discernimento e controle sobre seus atos, o que contraria a tese de surto psicótico alegada pela defesa. O advogado defende a realização de nova perícia de insanidade mental e que o caso seja levado ao Tribunal do Júri.
“Por enquanto, ele está alegando uma inimputabilidade, da qual vamos provar que ele não é inimputável”, reforçou Pouso.
Laudos anteriores apontaram inimputabilidade
Até o momento, dois laudos elaborados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluíram pela inimputabilidade de Frasson ou seja, que ele não teria capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos no momento do crime. A primeira avaliação, de setembro de 2025, apontou quadro depressivo; a segunda, concluída em junho de 2026, diagnosticou esquizofrenia e transtorno bipolar. Ambos os resultados são contestados pela família de Gleici.O crime completou mais de um ano em 24 de julho de 2026. Na ocasião, na residência da família, na Avenida das Acácias, bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde, Gleici foi morta com cerca de 20 golpes de faca. A filha do casal também foi esfaqueada, ficou internada em estado grave e sobreviveu. Hoje, a menina vive com a irmã, Caroline. Frasson tentou tirar a própria vida no mesmo dia e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros.O processo segue em andamento e ainda não há data definida para eventual julgamento.



