Servidores usavam cargo para introduzir celulares em presídio; dois são presos em MT

Uma ex-professora da rede estadual e um policial penal foram presos na manhã de ontem quarta-feira (9) acusados de liderar um esquema de entrada clandestina de celulares e objetos ilícitos no Centro de Ressocialização de Várzea Grande, na Região Metropolitana de Cuiabá. Os aparelhos eram entregues a detentos ligados a uma facção criminosa mediante pagamento.


Identificados como Karoliny Cardoso Viegas e Nazil Santos Silva, os investigados se valeram de suas funções públicas para dar acesso ao material proibido. Conforme a Polícia Civil, Nazil cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por cada aparelho introduzido no presídio. Karoliny, que era professora contratada da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), usava a permissão de acesso à unidade para transportar os equipamentos de forma clandestina.


A Justiça expediu ordens de duas prisões preventivas, dois mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e o afastamento cautelar dos investigados de suas funções públicas. As determinações saíram do Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá, com base nas investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

Os dois respondem pelos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação de entrada de aparelhos em presídio e associação criminosa.


A Seduc informou, em nota, que Karoliny não integra mais a rede estadual desde 8 de março de 2026, quando solicitou exoneração do cargo.

 

Pagamentos via Pix levantaram suspeitas

As investigações tiveram início em junho de 2025, após análise de materiais apreendidos revelar transferências via Pix destinadas à ex-professora. Os valores teriam sido pagos por reeducandos, familiares ou visitantes cadastrados. A apuração encontrou ainda movimentações financeiras incompatíveis com a atividade funcional dos dois servidores. Conforme a polícia, o policial penal chegou a usar a conta da companheira para receber parte dos valores e tentar esconder o rastro.

 

“O acesso privilegiado ao ambiente prisional teria sido utilizado justamente para facilitar a atuação de integrantes da organização criminosa”, destacou a Polícia Civil.

 

As diligências também determinaram o bloqueio de ativos financeiros: R$ 14,6 mil em nome de Karoliny e R$ 25,5 mil em relação a Nazil. As buscas continuam para localizar novos elementos, identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão total do esquema.
 

  • Fonte: Redação/Assessoria
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