Familiar rebate tese de surto: “Só teve raiva, inveja e ganância”

“Só teve raiva, inveja, premeditação e ganância.” Foi assim que José Martins, familiar da empresária Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, descreveu o assassinato dela, ocorrido em junho de 2025, em Lucas do Rio Verde. Gleici foi morta a facadas enquanto dormia pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson.

 

Na mesma ocasião, a filha do casal, que tinha 7 anos à época, também foi atacada pelo pai e atingida por oito facadas. A menina sobreviveu e foi socorrida.

 

José é casado com uma prima que Gleici considerava como uma irmã. Em entrevista, na última terça-feira (15), ele falou sobre a tragédia que assolou a família e a recuperação da sobrinha, que ficou hospedada em sua casa logo após receber alta médica.

 

Para José, os registros das câmeras de segurança que mostram antes e depois do crime não são compatíveis com a versão de que Daniel estaria em surto no momento do crime.

 

“Em nenhum momento ele quebra algo, ele cai, ele chuta, ele tropeça. Ele faz um carinho no cachorro, ele toma água. Ele está tão consciente que ele consegue limpar o chão”, afirmou.

 

Conforme o relato, após atacar Gleici, Daniel teria saído do quarto, aberto a porta da sala e destrancado o portão da residência. Em seguida, voltou ao quarto, onde também atacou a filha.

 

Após o crime, Daniel foi até o balcão da cozinha, onde havia deixado o celular, e entrou em contato com o irmão, contando o que havia feito.

 

A defesa de Daniel sustenta que ele não tinha consciência dos próprios atos no momento dos crimes e que apresentava uma condição psiquiátrica. A perícia oficial concluiu pela inimputabilidade, decisão acolhida em primeiro grau, mas o Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça.

 

A família de Gleici aderiu ao recurso. A definição sobre a condição mental do acusado ainda está sob análise da Justiça.

 

“E eu acho que quem está em surto não manda mensagem dizendo que fez uma merda e franqueia toda a entrada da casa como ele fez”, afirmou José.

 

Tentava ajudar o marido

Um dia antes do crime, Gleici enviou um áudio para a prima pedindo ajuda para vender um apartamento comprado na planta, em Cuiabá. Segundo a mensagem, a família precisava se desfazer do imóvel porque Daniel estava sem renda e o orçamento havia ficado apertado.

 

De acordo com José, Gleici, por sua vez, vivia um momento de expansão profissional. Ela havia criado uma marca de produtos capilares e tinha uma viagem marcada para São Paulo com o marido para apresentar amostras dos produtos.

 

“Ela estava num momento muito bom, ela tinha conseguido realizar o sonho dela, que era fazer uma marca de produtos capilares”, contou.

 

“A pessoa tem que ser muito homem pra fazer e assumir e não jogar em cima de uma maluquice. O vídeo está aí para mostrar que não teve nada disso. Só teve raiva, inveja, premeditação e ganância”, completou José.

 

O trauma

Após o ataque, a filha de Gleici permaneceu cerca de 22 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois de receber alta, foi levada para a casa de José e da esposa, onde ficou por cerca de 40 dias.

 

O familiar contou que a recuperação foi marcada por traumas relacionados ao próprio pai. Por ter porte físico semelhante ao de Daniel, José precisou deixar de usar algumas roupas dentro de casa que faziam a menina se lembrar do pai.

 

“Algumas camisetas eu não podia usar dentro de casa, porque ela lembrava dele, ela pedia pra mim não usar. ‘Tio, essa camiseta não’, aí eu não usava”, recordou.

 

Em outro episódio, durante o primeiro jantar em família após a alta, a menina pediu que as facas fossem retiradas da mesa.

 

“Ela pediu para não ter as facas, e aí eu falei para ela que tudo bem, que o tio ia tirar e, aos poucos, foi se recuperando”, contou.

 

Segundo José, a menina passou a ter medo de ficar no escuro e não queria permanecer com a luz apagada. Apesar das sequelas, o familiar afirmou que a criança conseguiu avançar na recuperação.

 

O caso segue em disputa judicial, principalmente em relação à condição mental de Daniel no momento dos ataques. A Justiça ainda deverá analisar os recursos apresentados contra a decisão que reconheceu a inimputabilidade do acusado.

 

“Nós vamos continuar lutando, ele não vai escapar de um júri popular. A gente vai conseguir fazer ele para o júri”, afirmou.

 

 

 

  • Fonte: Redação/Mídia News
  • Autor: Liz Brunetto
  • Foto: Reprodução/Programa Narrativa