Por que o mapa de Mato Grosso tem um “bico” entre o Amazonas e o Pará?

No mapa do Brasil, Mato Grosso avança em uma faixa cada vez mais estreita entre o Amazonas e o Pará, até terminar em uma ponta. O formato chamou atenção em um vídeo publicado pela página Brexplora na terça-feira (22), que usa uma animação para mostrar como dois rios ajudam a explicar esse contorno.

 

A oeste da ponta está o rio Juruena, que marca a divisa de Mato Grosso com o Amazonas. A leste, o rio Teles Pires acompanha o limite com o Pará. Conforme os dois cursos d’água se aproximam, a faixa de território mato-grossense entre eles fica mais estreita. No encontro dos rios, termina a ponta do estado e começa o rio Tapajós.

 

Por que os rios definem a divisa de Mato Grosso?

O geógrafo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Cleberson Ribeiro explica que rios, vales e montanhas são referências frequentes na delimitação de territórios brasileiros. Por isso, as divisas nem sempre aparecem como linhas retas no mapa: em muitos trechos, elas acompanham elementos da paisagem.

 

É o que acontece no extremo norte de Mato Grosso. A divisa acompanha o traçado do Juruena de um lado e o do Teles Pires do outro. A animação da Brexplora torna esse encontro visível ao destacar primeiro o contorno do estado e depois os rios que passam pelas suas bordas.

 

Onde termina o “bico” de Mato Grosso?

A região entre os dois rios é conhecida como Pontal dos Apiacás e faz parte do município de Apiacás (MT). O nome está ligado ao povo indígena Apiaká, cuja presença histórica na área é registrada pelo Museu do Índio.

 

Na extremidade do pontal, Juruena e Teles Pires se encontram na divisa entre Mato Grosso, Amazonas e Pará. A partir dali, as águas seguem com outro nome: Tapajós.

 

Ribeiro observa que o desenho das divisas de Mato Grosso não segue uma regra única. Há trechos que usam rios como referência e outros definidos por linhas cartográficas.

 

 

  • Fonte: Redação/Primeira Página
  • Autor: Haillyn Heiviny
  • Foto: Reprodução