Produtores de MT vão cobrar compensação por áreas que preservam

Na semana passada, um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que Mato Grosso tem 64,7% de todo seu território, de 90,5 milhões de hectares, protegido e preservado, e que 33,9% correspondem a áreas de reserva legal dentro de propriedades rurais. O que prova que os produtores mato-grossenses não são os grandes vilões do meio ambiente e eles já analisam cobrar por isso.
O chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Miranda, que coordenou o levantamento da ocupação e uso do solo das terras no estado de Mato Grosso feito com base na última atualização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) defende que “o país deveria ser reconhecedor pelo esforço de preservação que ele (produtor rural) faz”.
Segundo Miranda, por preservar bem mais do que os órgãos e Organizações Não-Governamentais (ONGs) de preservação ambiental como, por exemplo a “Secretaria do Meio Ambiente, o ICMBio e a Funai”, que, conforme o estudo da Embrapa, são responsáveis pela preservação de 19%, os produtores deveriam ser recompensados com o dobro do que as instituições recebem para manter isso.
Num cálculo preliminar, o pesquisador avalia que cada um hectare dessa área preservada poderia valer em média R$ 6 mil o que significaria que todos os 30,6 hectares (33,9%) dessa reserva legal valeria quase R$ 200 bilhões ou poderia chegar a até R$ 400 bilhões. Mas ele lembrou que podem trazer outros benefícios também, como a redução de impostos ou uma valoração maior do próprio imóvel rural.
A questão começará a ser discutida e levada para os fóruns do setor, conforme o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin. Ele revelou que uma ONG dos Estados Unidos, que atua num trabalho de compensação de carbono em áreas de cultivo de soja no estado, já se propôs a fazer esse cálculo.
O estado de Mato Grosso é o primeiro do país a mapear todo o seu território desse jeito, atingindo mais de 99,6%. De acordo com o chefe-geral da Embrapa, isso só foi possível por conta dos dados do CAR e as informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Autor: Sílvia Devaux | Fonte: Redação / Blog do Antero | Foto: Reprodução
- Fonte: Redação / Blog do Antero
- Autor: Sílvia Devaux
- Foto: Reprodução



