Indignada, irmã de vítima morta devido à cirurgia chama médico de Sorriso de carniceiro

Ele não perde por esperar, porque eu prometi a Vivi, naquele dia, que não iria abandoná-la e assim será. A afirmação é de Lauriany Lauterer a respeito do médico Sérgio Evangelista, que realizou cirurgia plástica em Viviany Lauterer. Ela morreu no Hospital Regional de Sorriso, ao sofrer uma parada cardíaca, 10 dias após complicações na cirurgia realizada em 28 de agosto de 2014.
Nesta terça (22), o Conselho Regional de Medicina (CRM) condenou o cirurgião a censura pública, ou seja, publicação em veículos de comunicação pela morte de Viviany. "Infelizmente Viviany não voltará à vida, mas a sensação de conseguir que fosse reconhecido que o carniceiro matou minha irmã, não tem preço", diz Lauriany.
Contudo, a irmã relata que não está totalmente satisfeita e que irá recorrer para que Sérgio tenha uma punição mais severa, como a cassação da licença médica. “Vamos adiante. Conselho, delegacia, Justiça comum. Não deixo passar e espero que ninguém deixe passar as barbáries que este homem faz com as pacientes.”
Em nota pública, o CRM afirma que o médico acusado cometeu irregularidades que causaram danos na paciente, e que as condutas na realização da cirurgia foram imprudentes e negligenciadas. O Conselho também alega que Sérgio delegou funções para profissionais que não eram qualificados.
Outro apontamento feito pelo CRM é que o hospital Candido Portinari, onde a cirurgia foi realizada, e que pertence a Sérgio, não apresentava nenhum contrato com uma unidade de retaguarda, equipada com UTI para eventuais problemas. “Por sua vez foi condenado ante imprudência para exercer a atividade médica”, traz decisão unânime do Conselho.
A decisão ainda não foi publicada e o cirurgião pode recorrer nos próximos dias. Em nota, o hospital Cândido Portinari diz que os processos tramitam em caráter sigiloso dentro do Conselho de Medicina. Assim, somente após o trânsito em julgado da decisão é que a pena deve ser aplicada ao médico.
O hospital reconhece os riscos que envolvem os processos cirúrgicos, mas que tanto o cirurgião quanto os pacientes têm consciência sobre a periculosidade. “Os riscos existem, sendo de conhecimento do médico e paciente, mas ninguém deseja que complicações ocorram. Seguimos rigorosamente todas as exigências vigentes na área da saúde”, completa.
O caso
Viviane Souza Romeiro Lauterer morreu na noite de 8 de agosto de 2014, no Hospital Regional de Sorriso, após uma complicação na cirurgia para implante de silicone. Ocorre que ela teria feito a operação na manhã de 28 de julho, e no período da tarde, por não ter apresentado complicações, recebeu alta.
Na madrugada de sábado (29), Viviane reclamou que não conseguia respirar e estava com muita febre. Então, logo que amanheceu a irmã a levou até a unidade hospitalar onde ficou internada.
No dia em que Viviane faleceu, ela sofreu uma parada cardíaca e os médicos tentaram reanimá-la por cerca de uma hora, contudo, não conseguiram e a jovem morreu.
Nota à imprensa
Nesta quinta-feira (24) o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso, por meio da assessoria de comunicação, negou a autoria de um texto que detalha o andamento do processo.
Confira a nota na íntegra
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso esclarece que não é responsável pela autoria do texto sobre o processo que envolve dois médicos da cidade de Sorriso supostamente responsáveis pela morte de uma jovem após cirurgia estética.
A autarquia esclarece ainda que todo Processo Ético Profissional tramita em sigilo absoluto e, enquanto pendente recurso para o Conselho Federal de Medicina, qualquer decisão proferida em primeiro grau administrativo também é sigilosa, por força de determinação do Artigo 1°, da Resolução CFM 2.145/2016.
Portanto, o CRM-MT cumpre as atribuições da Lei 3268/57, que determina que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina são órgãos supervisores da ética profissional em toda a República e ao mesmo tempo, julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho ético da medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que exercem legalmente.
CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DE MATO GROSSO
Autor: Anderson Hentges | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução/Facebook
