Alvo de operação da PF, conselheiro anuncia suspensão de aposentadoria no TCE-MT

O conselheiro Antônio Joaquim afirmou, nesta quinta-feira (14), que irá suspender o processo de aposentadoria do cargo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), anunciado há 15 dias, após ser alvo da Operação Malebolge, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (14). Ele pretendia retomar a vida política no estado.
As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR). O ministro determinou o afastamento de Antônio Joaquim e de outros quatro conselheiros do Tribunal de Contas do Mato Grosso. Para Fux, há indícios de envolvimento dos alvos dos mandados em obstrução de Justiça e formação de organização criminosa.
"A decisão judicial me obriga a suspender tal medida [o processo de aposentadoria], vez que terei que continuar no cargo, afastado do exercício da função, até que seja concluída a investigação", disse o conselheiro, por meio de nota.
A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Ararath, que desde 2013 já teve várias fases e investiga desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro por meio de factorings clandestinas. A operação foi deflagrada após a delação do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB). Ele firmou acordo de delação premiada e entregou provas materiais de um esquema de propina no governo dele.
O gabinete de Antônio Joaquim, assim como de outros quatro conselheiros do órgão, foram alvos de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje. Antônio Joaquim foi citado na delação de Silval Barbosa (PMDB) sob acusação de que teria recebido parte do dinheiro desviado de obras de infraestrutura no estado. O conselheiro nega as acusações.
"Sobre as denúncias, reafirmo que nunca recebi nenhuma vantagem indevida para exercer o cargo que ocupo e nunca autorizei qualquer pessoa a falar em meu nome. Lembro que ao longo de toda a minha vida pública nunca fui alvo de qualquer denúncia de corrupção", afirmou.
Na delação, consta que a maioria das fraudes teria ocorrido por meio do programa MT Integrado, lançado em 2013 durante o governo Silval. O valor combinado para ser dividido entre os conselheiros do TCE, segundo o ex-governador, foi de R$ 53 milhões.
Antônio Joaquim disse estar à disposição do Poder Judiciário e do Ministério Público Federal (MPF) para prestar esclarecimentos. "Tenho profundo respeito pelas instituições e espero que a investigação em curso seja rápida, para que eu possa resgatar a minha cidadania sequestrada por essa decisão", disse.
Autor: Lislaine dos Anjos | Fonte: Redação / G1 MT | Foto: Divulgação
