Homem acusado de matar enteado em Portugal vai ser julgado em MT

O cuiabano Joaquim Lara Pinto foi indiciado como acusado pelo assassinato e ocultação de cadáver do enteado Rodrigo Lapa, de 15 anos, encontrado morto à 100 metros da casa dele, na cidade de Lagoa, província de Algarve em Portugal, no ano de 2016.

 

De acordo com Pedro Proença, advogado de Sérgio Lapa, pai do adolescente, o sigilo foi suspenso e há provas contundentes de que Joaquim seja o autor do crime.

 

O processo com mais de mil páginas será encaminhado ao Brasil e deve ser julgado pela Justiça mato-grossense.

 

“Agora o sigilo foi suspenso e Joaquim foi indiciado por homicídio qualificado e profanação de cadáver. E como no Brasil não há extradição e o acusado está morando em Cuiabá, o julgamento deve ser feito em Mato Grosso”, explicou o advogado.

 

Segundo o advogado, o Ministério Público Federal (MPF) do Brasil já pediu o encaminhamento do processo.

 

“Nós estamos esperando a ordem do juiz de Instrução Criminal português para o processo ser enviado ao Brasil", explicou.

 

Em setembro de 2017, Joaquim se apresentou na Interpol mas não declarou nada durante a oitiva. A defesa do acusado, feita pelo advogado Raphael Arantes, alega que Joaquim é inocente e tem como comprovar que no dia dos fatos, ele não estava na cidade.

 

“Já fomos notificados do caso, mas aguardamos receber o processo para avaliar quais as provas apresentadas para elaborarmos a defesa de forma devida. Mas estamos tranquilos da inocência dele e vamos provar isso”, disse o advogado.

 

Segundo o advogado de Joaquim, a relação dele com o enteado era complicada e quando Joaquim veio embora para Cuiabá, já estava separado da mãe do adolescente.

 

Em setembro de 2017, agentes da Polícia Federal e da Polícia de Portugal cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do cuiabano Joaquim Lara Pinto, no bairro Tijucal.  

 

O caso

O adolescente desapareceu no dia 22 de fevereiro de 2016, mesmo dia em que Joaquim retornou ao Brasil.

 

Rodrigo foi encontrado com as mãos amarradas com fios elétricos e uma corda amarrada ao pescoço. A mãe do adolescente, Célia Barreto, alegou que o cuiabano já havia marcado a viagem há um mês.

 

O laudo dos exames de necropsia divulgado pela Polícia Judiciária de Portugal aponta que Rodrigo Lapa foi morto por estrangulamento mecânica.

 

O acusado teria discutido com a vítima e depois se escondeu e esperou o adolescente sair do quarto para agredir e agarrar ele pelo pescoço.

 

Joaquim teria arrastado o enteado para a cozinha da casa e o imobilizou.

 

Na época a mãe da vítima chegou a se contradizer em vários depoimentos ao alegar que padrasto e enteado tinham uma boa relação, mas depois acabou confessando ter presenciado a agressão sofrida por Rodrigo e ouvido seus gritos no dia do assassinato.

 

De acordo com a imprensa portuguesa, a mulher alegou não ter contado isso à polícia antes por medo de que Joaquim fizesse alguma coisa contra ela ou contra a filha que tem com ele, que na época tinha seis meses. Mas ela mulher teria mantido contato por telefone com o companheiro após o crime.

Autor: Camila Paulino | Fonte: Redação / Repórter MT | Foto: Reprodução