No Whats, oficiais fazem chacota de como é fácil adulterar armas no sistema da PM

Investigações do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) mostram que policias envolvidos na Operação Coverage, deflagrada na última quarta (21), chegaram a fazer piadas sobre a facilidade de falsificar dados de armas de fogo nos sistemas da Polícia Militar. Em um grupo de WhatsApp eles brincaram sobre “esquentar” uma Glock 9mm.
“Ao que parece, os investigados utilizam o sistema informatizado da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso para prática reiterada de ilícitos diversos ”
De acordo com o Gaeco, um grupo de quatro PM teria agido para alterar registros e obstruir investigações que ligariam o tenente PM Cleber de Souza Ferreira ao grupo de extermínio alvo da Operação Mercenários. A Coverage é considerada a terceira fase daquela operação, deflagrada em abril de 2016.
O Gaeco, que é ligado ao Ministério Público Estadual (MPE), prendeu o tenente Ferreira e o também tenente Thiago Satiro Albino, além do tenente-coronel Sada Ribeiro Parreira. O tenente-coronel Marco Eduardo Ticianel Paccola conseguiu habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça e escapou da prisão preventiva.
"Excelência! É importante destacar trecho de uma conversa extraída do aplicativo WhatsApp, onde o investigado tenente PM Thiago Satiro Albino surge fazendo piadas e brincadeiras em um grupo denominado "EGD" acerca, ao que aparenta, da facilidade em alterar (esquentar) dados de armas de fogo. Os investigados tenente PM Cleber de Souza Ferreira, tenente PM Thiago Satiro Albino, tenente-coronel PM Marcos Eduardo Ticianel Paccola e tenente-coronel PM Sada Ribeiro Parreira fazem piadas com a tranquilidade que alteram dados de armas de fogo no sistema da Polícia Militar de Mato Grosso", diz trecho do pedido de prisão.
O grupo teria tentado embaraçar investigações conduzidas em inquéritos da Polícia Civil e da própria PM, além das ações penais oriundas da primeira e da segunda fase da Mercenários.
A conversa foi identificada no celular do tenente Ferreira que foi apreendido na Operação Assepsia, da Gerência de Combate ao Crime Organizado, em junho deste ano. Os investigadores desconfiaram de uma conversa entre Ferreira e sua namorada, uma cabo da PM, em que ele fala sobre problemas com o registro de uma pistola 9mm, adquirida por ele em 2015.
Um tenente da PM fala no grupo "EGD" que pretende comprar uma Glock 9mm. Em seguida, o tenente Satiro, alvo da operação,faz a brincadeira: "Cola com o S Ferreira", seguido de emoticons de risada. O PM que mandou a primeira mensagem responde "Quente", indicando que pretende comprar uma arma legalizada. Satiro responde: "Achei que era gelaaaaada, Sr".
As alterações teriam sido feitas no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), modificando a data de registro da pistola pertencente a Ferreira.
"Ao que parece, os investigados utilizam o sistema informatizado da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso para prática reiterada de ilícitos diversos. Tal situação faz crer que as condutas criminosas da organização criminosa são frequentes no âmbito da corporação, condutas estas que desonram e atinger de morte a sempre bem vista imagem da Polícia Militar deste Estado", afirma o Gaeco.
Os membros do MPE ressaltam no documento que a situação merece “resposta da Justiça Militar, para garantir a lisura dos trabalhos realizados pela honrosa corporação da Polícia Militar de Mato Grosso".
Autor: Mikhail Favalessa | Fonte: Redação / RD News | Foto: Reprodução
