MT é 3º em área devastada, mas reduz desmatamento no cerrado em 5,77%

Apesar de apresentar uma redução de 5,77% em relação ao ano de 2018, Mato Grosso foi o terceiro estado com a maior área de vegetação nativa suprimida no cerrado, em 2019. Neste ano, o desmatamento atingiu uma área de 931,07 quilômetros quadrados (km2) do bioma que se encontra no território mato-grossense contra 988,09 km2, no ano retrasado. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foram divulgados, ontem (16), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

 

Em nível nacional, o levantamento mostra que o desflorestamento, em 2019, no bioma cerrado totalizou 6.484 km2, correspondente ao período de agosto de 2018 a julho de 2019. “Esse valor é o menor valor anual para a série, desde o seu início em 2000, e representa uma redução de 2,26% em relação ao ano de 2018, último período divulgado”, informou. Conforme o Inpe, o estado do Tocantins foi o que apresentou a maior área de vegetação nativa suprimida, com 1.495,69 km2, seguido pelo Maranhão (1.309,50 km2), após Mato Grosso (931,07 km2) e a Bahia (832,42 km2).

 

Os números mostram ainda que a quantidade de vegetação nativa suprimida nas unidades de conservação (UC) cresceu. De agosto de 2018 a julho de 2019, 517,31km² foram desmatados dentro dessas unidades de preservação do cerrado. O número representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período anterior. O resultado é proveniente do projeto “Prodes Cerrado”, desenvolvido e operado Inpe, com o apoio dos ministérios do MMA e do MCTIC, financiado pelo Programa de Investimento Florestal (FIP) e administrado pelo Banco Mundial.

 

Para o mapeamento, o projeto utiliza 118 imagens do satélite Landsat para identificar, mapear e quantificar as áreas maiores que 1 hectare, onde a vegetação nativa foi suprimida, independente da utilização subsequente dessas regiões. O cerrado, definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2004, possui 2.036.448 km2 de extensão. Esse bioma corresponde a 24% do território brasileiro e abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná e São Paulo.

 

TOLERÂNCIA ZERO – Na semana passada, o Governo de Mato Grosso apresentou as experiências das parcerias para a implementação de políticas contra o desmatamento ilegal e as iniciativas para manter a floresta em pé no Estado, durante mais um dia da COP25, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em Madri, na Espanha.

 

Na ocasião, o vice-governador Otaviano Pivetta foi enfático, mais de uma vez durante os debates, ao defender "desmatamento ilegal zero e que não será permitido pela gestão do governo de Mato Grosso". A exposição foi feita durante a Mesa Redonda organizada pelo Instituto Earth Innovation que buscou discutir alternativas para um Brasil Moderno, Verde e Sustentável. "O produtor hoje não quer destruir o meio ambiente. Ele sabe que sua maior riqueza é o ambiente. Ali está o resultado da sua produção. Então, hoje, o que se prega no Mato Grosso é que o desmatamento ilegal tem que ser zero", disse. "Não será tolerado nenhuma transgressão à lei para que o Estado continue a crescer, produzir, sem derrubar nenhuma árvore e inserir a população de menor poder aquisitivo", afirma sobre o combate às desigualdades regionais no Estado aliada à política de conservação.\r\nSobre sistemas de controle nas propriedades rurais produtivas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) lançou este mês a notificação remota via ligação telefônica para evitar a propagação do desmatamento e exploração florestais ilegais.

 

O objetivo é alertar os proprietários de imóveis para que as infrações ambientais não prossigam. O vice-governador de Mato Grosso também apresentou o instrumento do Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar) para as propriedades do Estado. Ele mencionou as atividades e decisões implementadas para a universalização do sistema em todo o território rural. O sistema é útil para monitoramento de propriedades em tempo real.

Autor: Joanice de Deus | Fonte: Redação / Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução