Carne bovina aumenta R$ 5 o quilo na pandemia e muda hábito de consumo

O aumento no preço da carne bovina tem impactado mais do que o bolso dos consumidores. Hábitos alimentares e até momentos de lazer em família também foram alterados. Mesmo quem está em isolamento com a família em casa por causa da Covid-19, teve que deixar de lado o churrasco por causa do preço de carne. 

 

Até mesmo cortes de segunda, como o patinho e a paleta passam de R$ 20, o quilo. Já a carne de primeira, como filé, chega à casa dos R$ 50 o quilo. O valor pode variar de acordo com o bairro, mas desde abril, o produto subiu, me média, R$ 5, o quilo.  O contra-filé não sai por menos de R$ 27, o quilo. 

 

A opção, para o publicitário Daniel Maranhão, é consumir mais outros tipos de carnes. “Minha preferência é a carne vermelha, mas tenho comprado mais a suína e o frango porque são mais baratas”.

 

Antes da pandemia de Covid-10, Daniel conta que cortes de segunda eram encontrados por menos de R$ 20. “O que tenho feito é comprar carnes mais baratas, como músculo, e peço pra moer. Ao invés de bifes de contra file, compro patinho. Prefiro assim do que diminuir porção”, conta o publicitário que assume consumir carnes diariamente nas principais refeições.

 

A carne suína também tem sido uma opção ao consumir, uma vez que é possível pagar até R$ 13 no quilo da costelinha. Já o frango tem valores ainda mais em conta e um pacote de 1 quilo de coxa sai por R$ 8.

 

“Não comprava tanto outras carnes, prefiro a bovina mesmo pelo sabor, mas isso tem mudado”.

 

Ele ainda relata que tinha o hábito de reunir amigos e familiares para o churrasco todo final de semana. “Mesmo quem mora com a família parou de fazer churrasco, parte é por causa do isolamento social, mas esse aumento dos preços tornou inviável, aí a opção é fazer outra comida mesmo”. Além disso, lembra que quem mora em apartamento encontra dificuldade com o fechamento dos espaços de lazer.

 

Pouco oferta no mercado interno 

Segundo o boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os abates de bovinos no estado voltaram a aumentar em junho, com alta mensal de 8%. Mas com plantas paradas devido a casos de infecção entre funcionários de frigoríficos, reduziu a quantidade de produto no mercado interno, o que pode explicar o aumento de preços.

 

Por outro lado, as exportações cresceram 621,3% até maio desse ano. O Estado é o maior produtor de carne bovina do país, mas a produção tem como destino a exportação. Até maio desse ano, MT exportou 16,5 mil toneladas de carne bovina para a China, resultando num faturamento de U$ 79,7 milhões. No comparativo com o mesmo mês de 2019, isso representa um aumento de 13,8 mil toneladas e de U$ 66,9 milhões.

 

Em percentual, os números mostram um crescimento de 621,3% sobre as 2,6 mil toneladas de carne exportadas em maio do ano passado e expressivos 622,05% no valor faturado em dólar.

 

 

Autor: Andhressa Barboza | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução