Fotógrafo ambientalista usa drone para monitorar queimadas em Mato Grosso

O fotógrafo mato-grossense Mario Friedlander tem passado os dias em alerta monitorando com seu drone as paisagens do Alto Jamacá, em Chapada dos Guimarães, em busca de focos de incêndio. Segundo ele, após enfrentar a linha de frente do desastre ambiental que atingiu parte da fauna e a flora da região ano passado, todo cuidado é pouco para os meses de seca que se aproximam.

 

Friedlander vive no Alto Jamacá há 40 anos e acompanhou toda a transformação nas paisagens exuberantes. O fotógrafo conta que começou a “fiscalizar” o local voluntariamente em abril deste ano, meses após as terríveis queimadas que atingiram o Pantanal e regiões de Chapada.

 

Apesar de ter começado o monitoramento recentemente, a luta pela preservação do meio ambiente já acompanha Friedlander desde os anos 80, quando se mudou para a cidade. A vontade sempre foi ajudar de todas as formas que lhe fosse possível na conservação da natureza que sempre lhe acolheu tão bem.

 

Já naquela época ele pôde observar a violência e a falta de respeito na ocupação e trato com áreas naturais em diversas regiões. Isto, segundo ele, foi um choque para uma realidade que se repetiu ano após ano, até chegar em um de seus piores momentos, em 2020.

 

Tendo visto de perto o poder das chamas que consumiram vegetações e carbonizaram animais, Friedlander tomou a iniciativa de tentar evitar um desastre ainda maior, pelo menos na região que abrigou a ele e diversas famílias durante tantos anos, que ele chama carinhosamente de Jamacá das Araras.

 

“Realizo o monitoramento via drone a partir da área onde vivo com minha companheira, a Jeanne Martins, que participa de tudo. Também tenho o apoio de alguns vizinhos que entendem que esse monitoramento é importante, pois pode nos ajudar a detectar e combater os incêndios florestais em seu início, quando ainda estão mais fracos e menores”, explica.

 

Ação voluntária sem suporte

Com seu drone como ferramenta, o fotógrafo sobrevoa quase diariamente de manhã e tarde os pedaços de terra que compõem a região. Até mesmo enquanto conversava com a reportagem ele capturou em imagens dois focos de incêndio.

 

Friedlander explica que, quando isso ocorre, ele mesmo verifica com outros moradores do Alto do Jamacá para identificar a proporção dos focos que as imagens capturam. Um dos lamentos do fotógrafo é a ausência de autoridades para se recorrer quando os focos de incêndio são flagrados. Para ele, mesmo com os esforços pessoais de cada um é como nadar para morrer na praia.

 

“Fomos alguns quilômetros com mais gente para confirmar, mas não existe a quem apelar. A gente está órfão. Se houver mais dez focos de incêndio, vou falar para quem? Para o Corpo de Bombeiros? Será que vai ter algum resultado”, questiona.

 

Chateado com a situação, o profissional chega a pensar que todo seu esforço é “inútil”, pois não existe suporte ou a quem recorrer. Mesmo comunicando a Brigada Autônoma Jamacá (BAJ) não há respostas ou ação por parte das equipes para apagar os focos que surgem em meio à rica paisagem.

 

Mudanças climáticas

Vivendo há 40 anos no Vale do Jamacá, Mario recorda que percebeu ao longo do tempo mudanças significativas na região. O local tem áreas pintadas de verde, com um número rico de vegetação e com belas paisagens de cachoeira, que atraem turistas que vão à Chapada.

 

No entanto, apesar das belezas naturais, os moradores percebem no cotidiano as sequelas do fogo e da falta de preservação. O fotógrafo cita a falta de chuvas, o clima seco e também a baixa qualidade do ar como algumas das principais consequências do descaso.

 

“Atualmente o clima de Chapada é bem diferente de 40 anos atrás, mais seco, mais quente, o volume de água dos córregos diminuiu muito, os poços-cisterna, que nos abasteciam de água boa estão secos ou secando. Os avistamentos de animais nativos diminuíram muito, o silêncio que antes dominava a paisagem quase desapareceu, hoje temos uma epidemia de barulho de todos os tipos que invade nossas terras e nossas casas”, explica.

 

Para o ativista, que acompanha diariamente o comportamento das paisagens ao seu redor, este ano a devastação dos biomas promete ser pior do que em 2020. Isto porque, segundo ele, há evidências de que a seca será ainda mais intensa do que nos anos anteriores.

 

A expectativa de Friedlander é que todo o desastre que ele presenciou trabalhando nos incêndios do ano passado sirva como aprendizado para ele e para as outras equipes de voluntários que já seguem alerta desde o início de 2021. O fotógrafo conta que este ano se sente mais preparado para enfrentar esse desafio, mas não esquece que será necessário muito apoio financeiro, político e humano, senão, os mato-grossenses vão testemunhar, mais uma vez a destruição avançando sem resistência.

 

 

 

 

Autor: Vitória Gomes | Fonte: Redação/Mídia News | Foto: Mario Friedlander

  • Fonte: Redação/Mídia News
  • Autor: Vitória Gomes
  • Foto: Mario Friedlander