Justiça acata denúncia e tenente Ledur vira réu por tortura a aluno

O juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros, acolheu no dia 3 de fevereiro denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) e tornou réu a 1ª Tenente do Batalhão do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, a tenente Izadora de Souza Ledur, pela suspeita de tortura e maus tratos a um de seus alunos.
O magistrado designou para o dia 17 de março a sessão que escolherá o Conselho de Sentença.
“Havendo nos autos material probatório mínimo e potencialmente apto a deflagrar a persecução penal, recebo a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra a acusada 1º Ten BM Izadora Ledur de Souza Dechamps, uma vez que preenchidos os requisitos do artigo 77 do Código de Processo Penal Militar (CPPM) e inocorrentes as hipóteses do artigo 78 do mesmo Codex, que autorizam sua rejeição”, diz um dos trechos da decisão.
A denúncia do Ministério Público narra que, em 2016, no período de janeiro a fevereiro, durante o treinamento de salvamento aquático em ambiente natural do 15º Curso de Formação de Soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, realizado na Lagoa Trevisan, a tenente Izadora Ledur submeteu o aluno Maurício Júnior dos Santos a intenso sofrimento físico e mental, como forma de lhe aplicar castigo pessoal.
Apesar do bom condicionamento físico e a aprovação em todas as fases do concurso público do Corpo de Bombeiros, Maurício enfrentou dificuldades na nas atividades aquáticas, o que era visível a todos os alunos e instrutores.
Conforme a denúncia, em uma dos dias de treinamento, após percorrer cerca de 40 metros, a vítima começou a sentir câimbras, sendo auxiliada por outros alunos, tendo, inclusive, recebido uma boia ecológica. Ocorre que, conforme o MP, já no meio do percurso, a denunciada determinou que os demais alunos seguissem com a travessia, deixando Maurício para trás.
“A partir daí, como forma de aplicar castigo pessoal, a denunciada passou a torturar física e psicologicamente a vítima, quando, além de proferir palavras ofensivas, utilizando a corda da boia ecológica iniciou uma sessão de afogamentos, submergindo-a por diversas vezes”, diz um dos trechos.
Após alguns “caldos”, o estudante não conseguia respirar e segurou os braços da tenente Ledur pedindo o fim das atividades. Porém, Ledur revidou passando a gritar com o estudante e só interrompeu a sessão de afogamento quando o estudante perdeu a consciência.
Pouco tempo depois, o estudante acordou desesperado, já nas margens da lagoa, momento em que veio a vomitar bastante água. “Se não bastasse, mesmo a vítima apresentando esgotamento físico e mental, a denunciada exigia, aos gritos, que Maurício retornasse para a água”. Posteriormente, Maurício desmaiou e precisou ser submetido à Policlínica do Coxipó.
Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Reprodução
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