Maquiadora cuiabana localiza a mãe que a teve aos 12 anos

Apenas com dois nomes em mãos e uma imensa vontade de conhecer suas origens, a maquiadora cuiabana Deyse Carlos da Silva, de 27 anos, conseguiu encontrar a mãe biológica que a teve quando tinha apenas 12 anos e de quem foi separada ainda bebê.
Nascida no Hospital Geral, em Cuiabá, no dia 17 de junho de 1994, a pequena foi entregue logo após o parto para a família da dona Maria de Lourdes Vitor. Ela, que já era mãe de outros dois meninos, sempre sonhou em criar uma “menininha” e recebeu Deyse de braços e coração abertos.
Ainda uma criança, a mãe biológica, Maria Viviane Ferreira, foi obrigada pelos pais a entregar a filha, fruto do “relacionamento” com um rapaz muito mais velho que ela – com cerca de 22 anos de idade.
“Minha tia [adotiva] conta que ela estava comigo nos braços e as lágrimas escorriam em cima do meu rosto. Ela não tinha poder de escolha, era uma criança, e eu só uma boneca no colo dela”, diz a maquiadora.
Minha tia [adotiva] conta que ela estava comigo nos braços e as lágrimas escorriam em cima do meu rosto. Ela não tinha poder de escolha, era uma criança, e eu só uma boneca no colo dela
De pai rígido vindo do interior, a jovem não poderia voltar para casa com a recém-nascida nos braços, a menos que voltasse casada com o pai da criança. Vendo-se sem alternativas, a avô biológica materna de Deyse começou uma busca nos corredores do hospital para encontrar uma família que pudesse criá-la.
Duas mulheres, que mais tarde se tornariam tias adotivas da maquiadora, estavam na unidade e ouviram a história daquela mulher. Sabendo do desejo de Maria de Lourdes em criar uma menina, de imediato ligaram para ela – que prontamente foi buscar o novo membro da família.
Essa foi a história que Deyse ouviu dos pais adotivos desde que tinha 6 anos e que duas décadas depois foi confirmada, com mais alguns detalhes, pela mãe biológica perdida.
“Sempre fui tratada como filha, sem distinção nenhuma. Mas sou muito diferente dos meus pais e irmãos, e eu iria notar essa diferença. Então eu sempre soube, nunca esconderam”, conta a maquiadora.
Após os anos de procura e incontáveis tentativas frustradas de encontrar a mãe de quem só tinha o nome, a busca chegou ao fim. Mesmo que esse encontro ainda não tenha acontecido de forma presencial.
O início da busca
Com o passar dos anos e tendo que lidar com comentários do tipo “não tem vontade de conhecer sua mãe?”, “seu irmão é a cara do seu pai”, “o outro a cara da sua mãe”, o desejo de Deyse em conhecer suas origens foi crescendo.
Eram muitas dúvidas pairando em sua cabeça: “Será que pareço com a minha mãe?”, “será que tenho irmãos?”, “e irmãs? Sempre quis ter irmãs”, questionava-se.
A busca teve início nas redes sociais, antes mesmo do primeiro filho da maquiadora, hoje com 8 anos, nascer. Com o nome completo da mãe e avó biológicas, de perfil em perfil ela foi esgotando suas opções.
“Eu sempre mostrava pra minha mãe e falava: 'Mãe é essa?' Aí ela: 'Não'. 'E essa? Não'. E foi assim, nunca consegui achar nada sobre elas”.
Deyse decidiu adotar outra abordagem após o nascimento da filha caçula, hoje com dois aninhos. A maquiadora teve uma trombose que antecipou o seu parto em dois meses e depois da cesariana outras complicações surgiram.
Familiares entraram em contato com a imprensa para conseguir a medicação de que ela precisava e veio o estalo: “Se eu consegui por esse meio posso falar com eles para tentar achar a minha mãe. Posso ir na TV ou tentar falar com um repórter”, relembrou.
Tentativa após tentativa, mais uma vez, Deyse não teve sucesso em sua busca. “Não consegui nada, não consegui falar com ninguém, fui em várias TVs, não tive muita atenção na época, mas nunca desisti”.
A guinada na história
Sempre ativa nas redes sociais por causa do trabalho, Deyse fazia lives e vídeos monstrando maquiagens e um pouco da sua rotina. Há algumas semanas a repórter de uma TV local começou a seguir o seu perfil e, novamente, a oportunidade surgiu.
“Veio na minha cabeça: acho que ela pode me ajudar a encontrar a minha mãe. É agora ou nunca, se tiver que ser vai ser agora”, disse.
Deyse contou sua história e a jornalista pegou o contato para repassar à equipe. “Na hora eu pensei: ela está pegando o meu contato para não ser grossa comigo, mas passou uma semana o pessoal de lá me ligou”.
Alguns dias depois, a produção entrou em contato com Deyse com um endereço em mãos, indicado por dois contatos que se familiarizaram com a história.
Os desencontros
Maquiada e produzida, pronta para encontrar a mãe, Deyse foi até uma residência do Bairro Jardim Vitória indicada pela produção.
Ela decidiu registrar o momento em um vídeo e, visivelmente nervosa, ela dizia: “Eu vou infartar, vou ter um peripaque”.
Acompanhada da mãe adotiva, do marido e do filho de 8 anos, ela foi durante a noite até a casa, que estava vazia. No dia seguinte, durante o dia, mais uma tentativa aparentemente frustrada.
Dessa vez, o marido dela resolveu ir até um grupo que estava sentado perto da casa e contou a história da esposa e a mãe “perdida”. Receosos em passar informações pediram para ver Deyse, que havia ficado dentro do carro.
“Quando me viram abrir a porta do carro falaram: Nossa, é a cara dela, nem os filhos que estão com ela se parecem desse jeito”. Ao ouvir isso o coração de Deyse se encheu de esperanças. “Pensei: é ela, achamos!”
O fim da busca
A família chegou até a residência de uma comadre de Maria Viviane, que entrou em contato com ela, por telefone, e finalmente a primeira conversa entre as duas aconteceu.
“Todos os dias da minha vida eu pensava que tinha no mundo uma pessoa que pensava em mim. Que deitava na cama todos os dias e lembrava que teve uma filha”.
Ao pegar o telefone, Deyse ouviu: “Minha filha, eu só tinha 12 anos, eu procurei você minha vida inteira. Só que a mãe não tem estudo, a mãe não sabe ler, não sabe escrever, a sua avó também não sabe. A gente não sabia por onde começar”.
A maquiadora lembra que a emoção foi tanta que precisou se escorar em um muro que havia por perto. “Encostei nesse muro e fui escorregando para o chão. Só sabia chorar, não sabia de mais nada”.
Maria Viviane hoje mora com a família em Chapadão do Sul (MS), temporariamente. E por questões financeiras o reencontro entre mãe e filha ainda não aconteceu.
Deyse descobriu que agora além dos dois irmãos de criação, tem outros cinco, sendo duas mulheres e três homens, por parte da mãe biológica.
Todos os irmãos já sabiam da sua existência. Maria Viviane, segundo a irmã mais nova, sempre fez questão de falar sobre ela deixando claro o seu desejo de encontrar a filha. “Só não sabiam por onde me procurar”.
Autor: Liz Brunetto | Fonte: Redação/Mídia News | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
- Fonte: Redação/Mídia News
- Autor: Liz Brunetto
- Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal




