Jornalista preso por estupro de vulnerável era violento e agressivo, diz delegada

O temperamento agressivo e explosivo foi o que inicialmente motivou o pedido de prisão preventiva em desfavor do jornalista sorrisense Elder Oliveira, de 50 anos, suspeito de abusar sexualmente da enteada de 7 anos.
As informações foram trazidas a público pela delegada responsável pelo caso, Jéssica Assis, em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (22).
Ainda de acordo com a delegada, Elder já teria agredido a esposa fisicamente várias vezes, inclusive na presença da filha dela, razão pela qual a mulher solicitou uma medida protetiva que, por sua vez, foi deferida pelo Poder Judiciário.
“Tanto a genitora quanto a criança sentem muito medo dele por conta desse comportamento explosivo, agressivo, temperamental e irritadiço. Mas ele está segregado e agora elas vão poder viver a vida em paz”, disse a delegada ao afirmar que o suspeito negou as acusações durante depoimento.
“Geralmente é assim. Esses agressores sexuais, esses pedófilos estão acima de qualquer suspeita (…). São pessoas de boa comunicação, são pessoas sedutoras e que conseguem envolver as crianças. Muitas vezes o modus operandi desses agressores não é com violência ou forçando a criança, mas dando presentes, convencendo, é conversando e seduzindo. Desse jeito eles exploraram essa facilidade decorrente do vínculo de confiança que as crianças tem para com eles”, alertou Jéssica Assis.
Conforme noticiado pelo site Ubiratã24horas, Elder Oliveira foi preso no domingo (21) pela Polícia Rodoviária Federal quando retornava de uma viagem ao estado de Goiás.
A denúncia contra ele havia sido formalizada na semana passada, ao Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Sexual da Delegacia de Sorriso.
Consta na denúncia que os abusos eram praticados a cerca de um ano e só foram revelados depois de assistir a uma palestra na escola, onde psicólogos, por meio de demonstrações com bonecos, ensinaram pontos do corpo que as pessoas poderiam pegar ou não.
A menor detalhou ainda que o suspeito só tocava nas partes assinaladas em vermelho, que não poderiam ser tocadas por estranhos e que os atos criminosos eram cometidos no quarto da mãe da vítima e na sala da casa.
“O fato aconteceu e é muito grave. Os direitos fundamentais dessa criança foram violados. Realmente houve o estupro de vulnerável e a defesa está de prontidão para que ele pague pelo crime que cometeu”, ponderou a advogada Daiany Arruda, contratada pela mãe para atuar conjuntamente com o Ministério Público como assistente de acusação.
Outro lado
Nesta terça-feira (23), os advogados contratados pelo jornalista (Jiuvani Leal e Danilo Militão) se manifestaram sobre o caso.
Os criminalistas apontaram algumas inconsistências no auto de investigação preliminar que devem ser suscitadas em momento processual oportuno.
“Quando ouvida em escuta especializada, em nenhum momento a criança cita o nome do nosso constituinte. Aliás, quando perguntado se não gostava de alguém da família ela se refere a um tio que mora em outra cidade e que fica desconsertada em falar a respeito dele (….), mas não cita o nome do nosso cliente que mora com ela e com a mãe dela”, esclareceu Leal.
“O que não está nos autos não existe no mundo jurídico. A defesa, o Ministério Público, o delegado de polícia e o juiz trabalham com o que está disposto nos autos e nos autos, eu reforço mais uma vez, a criança não cita em nenhum momento o nome do nosso cliente. Essa afirmação foi feita pela mãe e não pela criança (…). É a palavra da vítima que precisa ser harmônica com os demais elementos do processo e não na palavra da mãe tão somente”, complementa o advogado.
Fonte: Redação | Foto: Divulgação
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