Filho do governador dirigia mineradora quando houve compra ilegal de mercúrio, diz Polícia Federal

O empresário Luis Antônio Taveira Mendes, filho do governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), atuava na direção da Kin Mineradora Ltda em agosto de 2022, período que a Polícia Federal aponta que a empresa teria feito compra ilegal de mercúrio para extração de ouro. Luis pediu afastamento do cargo em março deste ano.

 

A Kin Mineradora encaminhou um documento para a Jucemat (Junta Comercial de Mato Grosso) com o anúncio da renúncia da direção da sociedade. O empresário tinha sido eleito para o cargo em 28 de novembro de 2019.

 

Segundo a investigação da PF, a Kin Mineradora teria feito as primeiras compras ilegais se mercúrio em junho de 2022, quando Luis ainda estava na direção da sociedade.

 

A reportagem entrou em contato com a defesa de Luis Antônio Taveira Mendes e aguarda posicionamento.

 

Conforme a investigação, a Kin Mineração não tem CTF (Cadastros Técnicos Federais), registro do Ibama que monitora e controla as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais no Brasil.

 

Entenda o caso

As empresas Kin Mineradora Ltda e Mineração Aricá Ltda que Luis Antônio Taveira Mendes é sócio, foram apontadas pela Polícia Federal como compradoras de mercúrio ilegal, elemento usado para extração de ouro. As 2 mineradoras foram alvos de busca e apreensão, na última quarta-feira (8), durante a Operação Hermes II.

 

Segundo a PF, foi identificado uma extensa cadeia organizada de pessoas físicas e empresas envolvidas no esquema ilegal de comércio de mercúrio e ouro extraído de garimpos na Amazônia. O esquema teria retirado 7 toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do Ibama.

 

A investigação aponta que, de início, o prejuízo aos cofres públicos é de mais de R$ 5 bilhões. A PF pediu o bloqueio de mais de R$ 2,9 bilhões dos investigados, que foi determinado pela Justiça Federal de Campinas (SP).

 

Além disso, a Justiça determinou o pagamento de 200 salários mínimos em fiança preventiva para os investigados que tiveram mandados. Foram apreendidos 605 kg de mercúrio durante a operação.

 

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão temporária de Luis Antonio. Mas a solicitação foi negada pela Justiça por entender que medidas cautelares já eram suficientes.

 

Naquele momento, por meio de nota, a defesa de Luis Antonio afirmou que é “descabida e absurda” a inclusão do empresário na operação já que ele “não exerce qualquer atividade de gestão, direção ou tomada de decisão nas empresas objeto da investigação, e tampouco figura de forma direta como sócio das empresas investigadas”.

 

Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Divulgação

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