Pressão para ser “herói” e desgaste físico e mental são causas do suicídio entre policiais

O Anuário Brasileiro se Segurança Pública aponta que assédio moral, pressão para ser "herói" e o desgaste físico e mental estão entre as principais causas de suicídio de policiais no Brasil. De acordo com o estudo, apenas em 2022, 69 policiais militares e 13 policiais civis, em todo o país, tiraram a própria vida.

 

No entanto, o estudo destaca a falta de dados detalhados nas informações cedidas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), sobre o tema.

 

"Há estado que passa os números totais, sem discriminar se a vítima é policial civil ou militar. Ou que alegam que os dados são sigilosos", aponta o estudo, ressaltando que não falar dos números é não dar visibilidade a eles e, portanto, não proteger os policiais.

 

De acordo com o anuário, outra entre as principais causas de suícidio entre policiais é o assédio moral. De acordo com o estudo, muitos não se manifestam com medo de se posicionar contrários à hierarquia e sofrer retaliações.

 

A pressão para se encaixar no papel de "herói" também é prejudicial, pois faz com que eles neguem a própria vulnerabilidade, quando enfrentam problemas que demandam ajuda externa.

 

Há ainda o desgaste físico e mental, por vezes causados pelos fatores citados, além do contato com situações de perigo nas ruas, ou mesmo o estresse pela sobrecarga das atividades administrativas.

 

Além disso, há ainda a cobrança para cumprimento de metas, o que afeta do topo à base da categoria. O endividamento e insegurança jurídica também estão no ranking de motivações.

 

Pelo menos três casos de suicídio de policiais foram registrados nos últimos dois meses em Mato Grosso, causando grande repercussão e debate sobre a saúde mental dos agentes.

 

Relembre alguns casos

Em 22 de outubro, o Sargento da Polícia Militar, Gabriel Castela, tirou a própria vida, em São José do Rio Claro. O caso ocorreu após ele matar o colega de farda, também sargento da PM, Willian Ferreira, devido a uma rixa entre os dois dentro da 8º Companhia Independente da PM da cidade.

 

No mesmo dia, o investigador da Polícia Civil Anderson Lauro Ferreira, 46 anos, tirou a própria vida dentro da delegacia de Lucas de Rio Verde. Segundo informações, Anderson fazia tratamento para depressão há alguns anos.

 

Já em 21 de novembro, o sargento da Polícia Militar, Hélio Expedito da Silva, foi encontrado morto em uma chácara da região do Teles Pires, em Sorriso . Ele tinha 44 anos e sofria de depressão.

 

Por fim, o estudo concluiu que "Na sociedade em geral, falar sobre suicídio e saúde mental é tarefa já bem difícil, dentro das corporações é ainda mais". 

 

Procure ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) tem realizado em Cuiabá, todas as quintas-feiras, reuniões com sobreviventes ao suicídio e seus familiares. Assim como parentes de pessoas que se mataram.

 

Também passaram a ser gratuitas as ligações feitas ao número 188. Canal de atendimento 24 horas.

 

Mais de um milhão de atendimentos anuais são realizados por 2.000 voluntários pelo telefone 188, pessoalmente (nos 80 postos de atendimento) ou pelo www.cvv.org.br via chat, Skype e e-mail.

 

 

 

 

 

Autor: Chritianny dos Santos | Fonte: Redação/Repórter MT | Foto: Reprodução

  • Fonte: Redação/Repórter MT
  • Autor: Chritianny dos Santos
  • Foto: Reprodução