Conselho Regional de Medicina apura ação médica que resultou em morte de criança

O Conselho Regional de Medicina (CRM) decidiu instaurar um Processo Ético Profissional (PEP) para investigar a conduta do médico Ednaldo Pimentel da Silva e averiguar sua responsabilidade pela morte da pequena Manuela Tecchio, 3, no dia 8 de março 2023. A menina faleceu após procedimento realizado na Unidade de Pronto Atendimento Dra. Anete Mota Maria, em Sinop.


Os pais da criança procuraram atendimento médico no dia 6 de março. A menina tinha tosse seca e urina escurecida há 3 dias, passou por exames que não demonstram a gravidade da doença e foi mandada de volta para casa.


Já no dia 7 de março, ela retornou com a mãe e apresentava sinais evidentes de sofrimento respiratório, com intensa fadiga. Foi solicitado um raio-x, exames de sangue e urina. O hemograma apresentou alterações e o médico responsável chegou à conclusão que o caso se tratava de um processo inflamatório infeccioso.


Como o exame de raio-x constatou derrame pleural com comprometimento de aproximadamente 90% do pulmão direito, o médico providenciou a internação da menor e uma vaga na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) de forma emergencial.
Por falta de vaga na UTI, a pequena foi intubada no box de emergência em estado gravíssimo e tratada pelo médico Ednaldo Pimentel.


Em depoimento, o profissional denunciado relatou que a criança apresentava hipoxia grave, já em uso de oxigênio suplementar, sem apresentar melhoras, com alteração do nível de consciência (sonolência), sinais de insuficiência respiratória, episódios de vômitos (com risco de bronco aspiração) fatos que fizeram com que a menor fosse entubada.


Após a entubação, a menor foi preparada para uma punção pulmonar, procedimento realizado para retirar líquido do pulmão. Após a exumação do corpo, foram confirmados 6 perfurações no pulmão de Manuela, e o conselho investiga se esse excesso de procedimentos podem ter causado a morte da menina.


O documento consta que “nas emergências, a punção pleural poderá ser realizada sem a confirmação radiológica, com objetivo diagnóstico, como nos casos de pneumotórax hipertensivo ou grandes hemotórax em situações de trauma.”


Porém, mesmo depois do procedimento, a menor não apresentou melhora na ventilação e oxigenação. “O médico tomou uma decisão rápida, em meio ao agravamento progressivo do quadro da paciente, no entanto, pode ter incorrido em imperícia”, consta do documento sobre o procedimento realizado pelo médico.


Entre a punção e a primeira parada cardiorrespiratória decorrem 1h30, o que deveria ter levantado a hipótese do pneumotórax ao médico, já que é uma complicação em que o procedimento realizado, não terá efeito.


“Não é possível afirmar que o óbito ocorreu exclusivamente pelo pneumotórax, já que existia um quadro de inflamação pulmonar grave, mas contribuiu para a evolução desfavorável do quadro”, consta.


O conselho de sindicância decidiu assim abrir a apuração, por caracterizar a ação do médico como imprudente. “Diante de todo o exposto, sou favorável a abertura de PEP em desfavor do médico Dr. Ednaldo Pimentel da Silva, por possível infração ao artigo 1°: causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência".


Ao todo, 4 profissionais que atenderam a pequena Manuela foram denunciados, porém, o Conselho de Ética optou por arquivar a sindicância contra 3 profissionais e abrir o processo em desfavor de Ednaldo Pimentel da Silva.

 

 

 

 

Autor: Ana Júlia Pereira | Fonte: Redação/Gazeta Digital | Foto: Reprodução

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