MT é o 2º em mortes por acidentes de trabalho; transporte e construção são os setores mais perigosos

Mato Grosso ocupa a segunda posição no ranking nacional de maior taxa de mortalidade por acidentes de trabalho e é considerado o estado com o maior risco ocupacional combinado de todo o Brasil. Os dados são de um estudo inédito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), realizado em parceria com o INSS, que analisou registros de 2016 a 2025.
Trabalhadores da construção civil estão entre as maiores vítimas.
Além da alta letalidade, o estado figura em 3º lugar no ranking de maior taxa de Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) e ocupa a 7ª posição entre os estados com maior volume de ocorrências. No período analisado, foram contabilizados 134.549 acidentes, que resultaram em 1.257 mortes.
Perfil econômico explica vulnerabilidade
De acordo com o levantamento, a estrutura da economia mato-grossense, fortemente baseada no agronegócio, no transporte de commodities e na construção de infraestrutura, é o principal fator que explica essa vulnerabilidade.
A taxa de letalidade no estado é de 9,24. Isso significa que, praticamente, 1 em cada 100 acidentes registrados resulta em morte — um índice que representa o dobro da média nacional.
O transporte rodoviário lidera de forma isolada o ranking de óbitos.
Caminhoneiros são as maiores vítimas no país
A análise mostra que, em nível nacional, o transporte rodoviário de carga lidera as mortes absolutas, com 2.601 óbitos no período. Já as obras de montagem industrial apresentam a maior taxa de incidência: 80.026 casos por 100 mil trabalhadores.
Quando analisada por profissão, a função de motorista de caminhão concentra o maior número de fatalidades: 4.249 mortes em 10 anos, sendo a ocupação com maior risco de morte no Brasil.
Territorialmente, embora São Paulo registre o maior volume absoluto de acidentes, os estados com as maiores taxas de letalidade são Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
Brasil bate recorde em 2025
O cenário nacional também é alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 806.011 acidentes e 3.644 óbitos, o maior número da série histórica.
Os números representam uma forte alta após a queda observada em 2020, durante a pandemia. O crescimento acompanha a retomada da atividade econômica e a formalização do mercado de trabalho. De 2020 a 2025, os acidentes aumentaram 65,8%, enquanto as mortes cresceram 60,8%.
O estudo do MTE analisou um universo de 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos, que resultaram em mais de 106 milhões de dias perdidos de trabalho e cerca de 249 milhões de dias debitados, refletindo o impacto permanente na vida dos trabalhadores.
Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Divulgação
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