Criança de 3 anos morre com sinais de abuso; padrasto é preso suspeito

Uma menina de três anos morreu na madrugada de domingo (3) em Primavera do Leste, no Mato Grosso, após dar entrada sem vida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Equipes médicas que atenderam a criança identificaram sinais evidentes de violência no corpo, o que levou ao acionamento imediato do Conselho Tutelar e da Polícia Civil. O padrasto da vítima, de 24 anos, foi preso em flagrante, sob suspeita de violência sexual que pode ter causado a morte.
Segundo o levantamento policial, a mãe das meninas havia saído para trabalhar por volta das 4h30 da manhã e deixado as duas filhas — a vítima e outra criança, de seis anos — sob os cuidados do companheiro. Durante o expediente, ela recebeu uma ligação de vídeo do homem, que informou que a filha mais nova não acordava. Ao retornar para casa, a mulher levou a menina até a unidade de saúde, mas as tentativas de reanimação não tiveram sucesso.
Conforme o delegado responsável pelo caso, Honório Neto, a perícia realizada pelo médico legista apontou fortes indícios de violência sexual. Havia hematomas e lesões compatíveis com abuso, e uma peça íntima da criança, com vestígios de sangue, foi recolhida e enviada para análise técnica.
Durante as diligências na residência da família, no bairro Primavera 3, os policiais encontraram condições consideradas insalubres: havia comida estragada e falta de higiene geral. No imóvel, também foram localizadas manchas de sangue em lençóis e um sachê de lubrificante com sinais de uso recente.
— Segundo a versão apresentada por ele, a criança passou mal e foi levada à UPA, onde o óbito foi constatado. No entanto, até o momento, não houve qualquer justificativa plausível para a morte — afirmou o delegado.
O suspeito tem histórico criminal, com registros por tráfico de drogas e ligação com organização criminosa. Ele havia deixado o sistema prisional há cerca de dois meses, e a mãe das crianças contou que manteve o relacionamento com ele durante todo o período em que ele esteve detido.
Diante do risco à segurança, a menina de seis anos foi retirada da casa pelo Conselho Tutelar e encaminhada ao pai biológico, que mora em Campo Verde, também no estado de Mato Grosso. A mãe da vítima prestou depoimento na delegacia e foi liberada posteriormente, mas a Polícia Civil informou que vai investigar se houve omissão ou responsabilidade dela, inclusive por possível crime de maus-tratos, levando em conta as condições precárias do ambiente onde as crianças viviam.
O padrasto deve responder inicialmente pelo crime de estupro de vulnerável qualificado pelo resultado morte, cuja pena pode chegar a 40 anos de prisão. O inquérito continua em andamento e aguarda a conclusão dos laudos periciais para finalizar as apurações.
Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Reprodução/Ilustrativa
