Servidor da Câmara de Sorriso consegue liberdade provisória após prisão na Operação Falso Mestre

O servidor da Câmara Municipal de Sorriso, conhecido publicamente como “Professor Jocemar”, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça após audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (20). Ele havia sido detido nos desdobramentos da Operação Falso Mestre, que apura um esquema de estelionato e fraudes financeiras na região.
 
Conforme a defesa, representada pelo advogado Jean Carlos Pereira, não há provas concretas que embasem as acusações contra o investigado, e a prisão teria se baseado apenas em suposições. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, na terça-feira (19), foram encontrados oito gramas de entorpecentes com o servidor — quantidade classificada como para consumo pessoal — além de outra porção de substâncias ilícitas na divisa do seu lote com um terreno vizinho. Jocemar negou ser o dono desse segundo material, afirmando que ele pertence aos proprietários do lote ao lado, que já foram alvo de outras investigações.
 
Os argumentos apresentados pela defesa foram aceitos pelo juízo, que determinou a soltura mediante o cumprimento de medidas cautelares. Agora, para responder ao processo em liberdade, ele deve comparecer a todos os atos processuais, está proibido de cometer novas infrações ou usar substâncias ilícitas, e precisa pagar uma fiança de três salários mínimos, aproximadamente R$ 4,8 mil.
 
A investigação começou após uma vítima registrar denúncia, informando que foi induzida a entregar documentos pessoais com a promessa de realizar matrícula na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo a Polícia Civil, o suspeito se valeu da confiança construída ao longo de anos como antigo educador da vítima para obter os dados e usá-los na abertura de financiamentos fraudulentos de veículos, entre eles um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade.
 
Os levantamentos também mapearam todo o fluxo financeiro do esquema, identificando quem recebeu os valores, quem foi responsável por falsificar documentos e quem operou as contas bancárias usadas na fraude. As apurações ainda apontam para a possível participação de terceiros com acesso a serviços cartorários em Sorriso, inclusive um juiz de paz, que teria auxiliado na emissão de procurações usadas para regularizar os veículos de forma irregular.
 
As investigações seguem em andamento para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no caso.
 
 
 

Fonte: Redação/Portal Sorriso | Foto: Polícia Civil MT

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