Combustíveis mais que dobram em MT; calcule quanto custava abastecer a cada ano de 2014 a 2026

O preço dos combustíveis mais que dobrou em Mato Grosso nos últimos 12 anos. Entre 2014 e 2026, a gasolina subiu 113,7%, o diesel S10 avançou 137,8% e o etanol teve alta de 105,3%, segundo os preços médios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Calcule abaixo quanto custava abastecer em cada ano da série histórica:
A evolução, porém, não foi uniforme. O diesel teve a maior valorização nominal e também apresentou o maior aumento quando descontada a inflação. A gasolina ficou em segundo lugar, enquanto o etanol teve o menor avanço real.
A gasolina passou de R$ 3,11 para R$ 6,64 por litro. O diesel S10 saiu de R$ 2,92 para R$ 6,93, e o etanol hidratado foi de R$ 2,09 para R$ 4,30.
Os valores de 2026 correspondem à média das semanas disponíveis até 8 de agosto, enquanto a ANP mantém uma série histórica de preços por estado e município desde 2013.
Tanque ficou até R$ 200 mais caro
A mudança aparece diretamente no custo de abastecer. Considerando um tanque de 50 litros, o motorista gastava cerca de R$ 155,50 com gasolina em 2014. Em 2026, o mesmo volume custa aproximadamente R$ 332.
No diesel, a conta passou de R$ 146 para R$ 346,50. Já o tanque de etanol subiu de R$ 104,50 para R$ 215. O diesel, que já tinha o menor preço entre gasolina e diesel em 2014, passou a custar mais por litro do que a gasolina na média de 2026. A diferença atual é de R$ 0,29 por litro.
A comparação nominal mostra combustíveis com aumentos superiores a 100%. Mas o nível geral de preços da economia também avançou no período.
Impacto da inflação
O IPCA, índice oficial de inflação, acumulou aproximadamente 100,6% entre 2014 e junho de 2026. O cálculo considera as taxas anuais registradas entre 2014 e 2025 e os 3,36% acumulados em 2026 até junho.
A diferença é maior no diesel: os R$ 6,93 atuais estão cerca de 18,3% acima do valor que o combustível deveria ter se fosse apenas corrigido pela inflação. Na gasolina, a diferença é de aproximadamente 6,5%. No etanol, fica em torno de 2,6%.
A diferença pesa especialmente no abastecimento de veículos movidos a diesel. Um tanque de 50 litros ficou R$ 200,50 mais caro desde 2014, o maior aumento absoluto entre os três combustíveis.
Na comparação entre os três combustíveis, o etanol foi o que apresentou a menor pressão real sobre os preços.
Pandemia e guerra mudaram a trajetória
A evolução dos preços não ocorreu em uma linha contínua de alta. A série semanal da ANP registra oscilações importantes ao longo dos 12 anos, especialmente a partir de 2020. Naquele ano, a pandemia derrubou a circulação de pessoas e a demanda por combustíveis. As vendas brasileiras recuaram 5,97%, segundo a própria ANP.
A gasolina C teve queda de 6,13% nas vendas e o etanol hidratado recuou 14,58%. Com a demanda mundial em queda, o petróleo também sofreu forte desvalorização no início do período pandêmico. O movimento ajudou a reduzir os preços dos combustíveis naquele momento.
A recuperação da economia mudou novamente o cenário. A retomada da demanda, os conflitos registrados nas principais cadeias globais de fornecimento e a valorização do petróleo pressionaram os combustíveis a partir de 2021.
Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia acrescentou outro choque ao mercado internacional. A Rússia é um dos principais produtores e exportadores mundiais de petróleo, e as restrições comerciais impostas durante a guerra aumentaram a preocupação com a oferta.
O petróleo subiu e os combustíveis chegaram a atingir níveis recordes em diferentes regiões brasileiras.
Para o motorista, a conta final é determinada não apenas pelo preço na bomba, mas pela combinação entre quanto o combustível subiu, quanto o dinheiro perdeu de valor e quanto a renda avançou no mesmo período.
Autor: Marcos Salesse | Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Reprodução/Agência Brasil
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- Foto: Reprodução/Agência Brasil




