Professora universitária é agredida por pai de aluno, ex-delegado de policia

Uma professora, funcionária de uma faculdade particular, denunciou ter sido agredida pelo pai de um aluno, no último sábado (4), dentro da instituição em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Neuza Fernandes da Silva, de 40 anos, é professora e coordenadora do curso de direito da Faculdades Integradas Desembargador Sávio Brandão (FAUSB).

 

O pai do aluno, David Seadra, de 53 anos, foi até a faculdade para conversar com Neuza sobre o filho dele, David Seadra Júnior. O estudante não teria gostado de uma correção feita pelo professor e orientador a respeito de uma monografia e reclamou para o pai.

 

Segundo ela, a agressão teria ocorrido durante a conversa. A reportagem, Seadra negou ter agredido a coordenadora, mas vai responder por lesão corporal. O pai do universitário, que é ex-delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, a teria empurrado duas vezes e dado um soco na porta da sala onde os dois conversavam. Neuza estava com a mão na porta quando David deu o soco. Ela teve uma fratura em um dos dedos.

 

O desentendimento teria começado ainda na semana passada, conforme a coordenadora. O filho de David, que cursa o 9º semestre do curso de direito, está na fase de monografia. Ele estudou boa parte do curso na FAUSB, porém, teria feito o último semestre em outra faculdade particular em Cuiabá e se transferiu novamente para a instituição em Várzea Grande.

 

“Ele trouxe a monografia que outro orientador já tinha ajudado. O nosso professor, que é o orientador dele, pediu para que ele fizesse alterações no documento e trocasse dados que ainda eram da outra faculdade, como nome do orientador e carimbo da faculdade. Ainda tinha suspeita de plágio. Ele contou sobre a situação para o pai, que veio intimidar o professor junto com um advogado”, relatou Neuza.

 

De acordo com a coordenadora, na quinta-feira (2) o pai do aluno fez ameaças contra os funcionários e voltou até a faculdade no sábado. “O professor estava dando aula no sábado e teria comentado na sala, na presença do aluno [David Júnior], sobre o fato ocorrido na quinta-feira. O pai do estudante retornou muito agressivo novamente e queria falar comigo”, lembrou a coordenadora.

 

O pai queria conversar com Neuza sobre a situação do universitário. Supostamente o estudante não concordaria em corrigir aquilo que o orientador havia pedido.

 

“Ele entrou na sala dizendo que ia 'arrebentar' o professor. Eu disse que não precisava daquilo, que ele estava alterado. Eu disse 'eu vou sair da sala, quando o senhor se acalmar nós conversamos'. Quando me levantei da cadeira ele me empurrou, bati contra a parede. Eu tentei sair de novo e ele me empurrou. Me apoiei na porta e ele deu um murro”, declarou Neuza.

 

A coordenadora estava com a mão na porta no momento em que David deu o murro. Ela teve o dedo médio fraturado e cortado. “O segurança e os demais funcionários vieram quando ouviram o barulho da porta. Foi uma agressão gratuita. Em nenhum momento eu levantei a voz, não o provoquei. Ele descontou a raiva em mim”, disse. A professora e o pai do aluno foram levados para a Central de Flagrantes de Várzea Grande, onde prestaram depoimento.

 

O delegado que atendeu o caso, Eder Clay de Santana Leal, entendeu o fato como uma lesão corporal. A professora e o pai do aluno assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e devem comparecer a uma audiência às 17h40 no dia 9 de agosto no Juizado Especial Criminal do Cristo Rei.

 

Neuza foi levada para uma unidade de saúde, onde recebeu 12 pontos pelo corte no dedo. “Ainda ouvi do médico que me atendeu que o meu dedo pode necrosar. Estou com 10 dias de atestado. Não imaginava isso de um pai de um aluno. São quase 10 anos de ensino e nunca vi uma situação dessa”, lamentou a professora.

 

Outro lado


Por telefone, Seadra declarou a reportagem que a situação não passou de um acidente. “Jamais houve uma agressão. Foi uma discussão boba, ela [professora] disse que eu deveria 'saber criar meu filho'. Eu disse para que ela guardasse os comentários, que eu sabia criar meu filho, ele não é uma criança. Decidi sair da sala e puxei com força a porta, não vi que ela estava com a mão”, afirmou o ex-delegado.

 

O pai negou que o filho tenha cometido plágio na monografia. “Jamais pensei em machucá-la. Não ameacei ninguém. Era um pequeno problema e fui tentar resolver”, finalizou o pai.

 

Autor: Denise Soares | Fonte: Redação/ G1 MT | Foto: Arquivo pessoal | Cidade: MT

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  • Autor: Denise Soares
  • Foto: Arquivo pessoal