Mauro Savi tenta se passar por vitima e diz que abordagem da PRF foi armação de inspetor

O deputado estadual Mauro Savi (PSB) acusou o chefe da 6ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Sorriso, inspetor Felipe Dias Mesquita, de ter armado a abordagem policial que resultou na sua condução até a Polícia Federal de Sinop. Segundo o parlamentar, o policial tem envolvimento com a campanha de Ari Lafim (PSDB), adversário de Dilceu Rossato (PSB), prefeito e candidato a reeleição no município.


Mauro Savi foi abordado pela PRF na BR-163, próximo a Sorriso. Com ele, os policiais encontraram materiais de campanha de Rossato e mais de R$ 24 mil, em dinheiro. O parlamentar foi conduzido até a Polícia Federal para esclarecimentos, mas argumentou que tem nota fiscal dos produtos e extrato para comprovar a origem do dinheiro.


“Prontamente nós colocamos a nota fiscal da mercadoria, toda ela dentro das normalidades. O dinheiro que estava na pasta eu apresentei o extrato printado do celular, onde apresentei saque de R$ 45 mil e tinha pouco mais de R$ 24 mil. Mesmo assim, a cada pouco, havia uma ligação ao superintendente”, afirmou o deputado, durante coletiva realizada em Sorriso nesta terça (13).


Segundo o chefe da PRF de Sorriso, Mauro Savi teria dito que o dinheiro seria recursos de campanha. O deputado, por sua vez, negou a declaração e disse que se tratava de seu salário de parlamentar para despesas pessoais. “Como eu estou cobrindo campanha no Estado inteiro e como não tenho cheque, eu faço saque todo mês, isso não é de hoje”.


O deputado disse que a abordagem foi armada e irá processar os policiais. Savi ainda acusou o inspetor Mesquita de abuso de poder, pois o policial teria envolvimento com a campanha de Ari Lafim, adversário de Rossato.


“Eu tinha R$ 24 mil do meu salário, do meu trabalho há 14 anos. Se acha que isso não é abuso, mas mesmo assim eu respeitei a polícia e o sistema que foi feito. Eu perguntei se era denúncia, ele não respondeu. Eu questionei por que não parou nenhum carro antes de mim, nem depois. Aí ele parou um caminhão furgão vazio. Foi desrespeito e meu corpo jurídico vai entrar com ação contra as pessoas, contra os policiais. Tenho certeza do mando da operação, que foi o Mesquita”, finalizou Savi.

 

Durante a coletiva, o deputado ainda apresentou informações retiradas da rede social Facebook – veja em anexo – que comprovariam a relação do chefe da PRF de Sorriso com Ari Lafim. A esposa do policial teria trabalhado como assessoria jurídica de Chicão Bedim, ex-prefeito de Sorriso e principal apoiador de campanha de Ari Lafim.



Devolução da apreensão


O delegado da Polícia Federal de Sinop Samir Zugaib disse que os assessores e o deputado foram ouvidos e liberados, o material de campanha já foi liberado, pois foi comprovada a origem regular. Sobre o dinheiro, a defesa ficou de apresentar o extrato e documentos.


“Ele alegou que tinha sacado da conta pessoal. Eles foram conduzidos para prestar esclarecimento e liberados e vamos encaminhar tudo para o TRE-MT”, explicou o delegado. 


Outro lado 


O chefe da delegacia de Sorriso, inspetor Mesquita, informou que está em Cuiabá desde ontem e não poderia ter feito a abordagem do deputado. O policial disse que não teve acesso a entrevista e que caso verifique alguma calúnia irá acionar o parlamentar juridicamente.

 

Passado duvidoso 

As notas fiscais apresentadas pelo deputado para justificar a origem do material de campanha foram emitidas pela empresa Gráfica Print, a mesma denunciada pelo Ministério Público Estadual (MPE) por desviar, juntamente com 32 pessoas, entre elas os deputados José Riva e Mauro Savi, mais de R$ 37 milhões de reais por meio de fraude na compra de matéria gráfico da Assembleia Legislativa do Estado.

 

Contra Savi ainda pesam acusações de compra de votos em diversas regiões do Estado. Um dos casos ocorrido no município de Juara, reduto político de seu amigo pessoal José Riva.

 

De acordo com a denuncia, Savi foi flagrado efetuando pagamentos para apoiadores de campanha e entregando ‘santinhos’, caracterizando uma possível compra de votos.

 

O caso ainda é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso.

 

 

 

Autor: Julia Munhoz | Fonte: Redação/RD News | Foto: Rafael Sousa | Cidade: MT

  • Fonte: Redação/RD News
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  • Foto: Rafael Sousa