Agricultores familiares de Nova Ubiratã comemoram entrega de títulos de terras

Mais de duas décadas; esse foi o período que moradores do Assentamento Projeto Piratininga, a 90 quilômetros de Nova Ubiratã, precisaram aguardar para receberem seus títulos de propriedades de terrenos rurais.
A solenidade de entrega, realizada nesta sexta-feira (16), foi comemorado pelas famílias contempladas, sendo que dez delas foram escolhidas para receberem o documento em mãos do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. Simultaneamente, o Governo Federal realizou a entrega de mais de 90 mil títulos de terras rurais e urbanas em 26 estados. Desse total, 2058 títulos foram entregues em Mato Grosso.
Em Nova Ubiratã, o evento contou com a presença de representantes da classe, membros do Poder Legislativo Municipal e as principais autoridades políticas do Estado, entre eles os deputados estadual e federais, respectivamente, Dilmar Dal Bosco, Ezequiel Fonseca, Xuxu Dal Molin e Nilson Leitão, os senadores da República, Cidinhos Santos, José Medeiros e Wellyngton Fagundes.
Em seu pronunciamento o prefeito anfitrião, Valdenir José dos Santos, destacou a importância da iniciativa para o desenvolvimento da região.
“Estamos vivenciando um momento histórico para o município de Nova Ubiratã e do restante do país. Uma iniciativa que vem de encontro com o anseio dos nossos pequenos produtores rurais e que representa a certeza de dias melhores. Hoje estamos entregando 136 títulos, mas quero reafirmar nosso compromisso em continuarmos trabalhando a fim de contemplar todas as famílias assentadas”, assinala.
Para o ministro Blairo Maggi a regularização dessas terras representa um grande avanço especialmente para os pequenos produtores rurais que passam a ter acesso à linhas de crédito, entre outros benefícios. “A entrega desses títulos visa corrigir uma falha no Programa Nacional de Reforma Agrária, uma vez que a terra era distribuída, mas o trabalhador não recebia o título definitivo de propriedade, ficando com acesso limitado ao crédito”, disse ao fazer menção à morosidade dos governos anteriores.
“Nós temos aproximadamente 86 milhões de hectares de terras distribuídos para um contingente grande de brasileiros e que não tinham documento. Quando a gente fala de 86 milhões de hectares de terras, para vocês terem uma ideia, é o tamanho do Mato Grosso. Mato Grosso têm 90 milhões de hectares. Aqui no estado 70% de todos assentamentos não tinham titulação. Então, essa é uma ação social muito grande e que custa relativamente barata, porque as terras já foram distribuídas”, completou o ministro.
Já o senador da República Cidinho Santos, foi categórico ao criticar a ineficiência do modelo de gestão agrária implantado pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
“O governo anterior tinha uma ideologia diferente da que temos hoje. Eles pensavam que quanto mais pessoas dependessem deles melhor seria, pois só assim continuariam fazendo a política do voto de ‘cabresto’. Exemplo disso foi a bancada do PT que atuou no congresso nacional contra o processo de regularização fundiária, mas a união dos 11 parlamentares, liderados pelo ministro Blairo Maggi, não deixou que isso perpetuasse”, disparou.
A opinião também foi dividida pelo senador José Medeiros que se disse agoniado com a morosidade do processo de regularização fundiária do país.
“Minha história é ligada a roça (…) como filho de pequenos produtores rurais eu sei da dificuldade que é você ter um pedaço de terra e não ter a segurança de ser dono legal dele. Me dava agonia saber que o governo federal tinha os títulos prontos, mas não os entregavam”, acusou.
“Uma vez eu questionei uma autoridade em Brasília o porquê da demora e ele me disse; se nós entregarmos os títulos eles vão vender a terra. Mas meu Deus do céu o que é isso, o Estado queria controlar a vida das pessoas. Eu penso que vocês são os donos legais dessa área, então se quiserem vender, doar, emprestar isso é problema de cada um. A terra é de vocês e pronto”, concluiu.
Também participaram da solenidade; o diretor de Obtenção de Terras e Implantação de Projetos de Assentamento do Incra, Clóvis Figueiredo Cardoso, o Chefe do Escritório de Regularização Fundiária na Amazônia Legal em Mato Grosso, André Luiz Welter, o presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Candido Teles, o 5º vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e prefeito de Marcelândia, Arnóbio Vieira de Andrade.
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Autor: Michel Ferreira | Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Divulgação
