ANA alerta para níveis críticos dos rios no Pantanal mato-grossense

Um novo boletim da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado nesta segunda-feira (30.09), apresenta um panorama preocupante sobre a situação hídrica dos rios do Pantanal. O relatório destaca níveis d’água abaixo das referências históricas em importantes rios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, como o Rio Cuiabá, Rio Paraguai e Rio Miranda.
Entre os destaques do boletim, está o Rio Cuiabá, na região da Pousada Taiamã, onde o nível d’água permanece consistentemente abaixo da cota mínima. A queda acentuada nos volumes fluviais tende a comprometer o equilíbrio ambiental do bioma, além de ameaçar a biodiversidade e o turismo, uma das principais atividades da área.
O boletim traz dados sobre a situação de alguns dos principais rios do estado de Mato Grosso, como o Rio Paraguai e o Rio Cuiabá. Em Cáceres, o nível do Rio Paraguai registrou 38 cm abaixo da cota de referência para estiagem, que é de 70 cm, o que representa uma situação crítica. A situação é semelhante em Barra do Bugres, onde o mesmo rio está 27 cm abaixo da cota de referência de 50 cm.
A região de Barão de Melgaço apresenta uma leve exceção. Por lá, o Rio Cuiabá está 30 cm acima da cota de referência para estiagem (140 cm). Ainda assim, o boletim alerta que o cenário ainda demanda cautela, dado o contexto de estiagem prolongada.
O documento destaca ainda a situação no reservatório da Usina Hidrelétrica de Manso. Entre os dias 25 e 30 de setembro de 2024, a quantidade de água que entrou no reservatório foi muito menor do que a quantidade liberada, o que agrava a escassez de água. Enquanto o volume de água que entrou variou de 18 a 25 metros cúbicos por segundo, a usina liberou entre 84 e 90 metros cúbicos por segundo. Além disso, o reservatório está com apenas 38% a 39% da sua capacidade útil.
Declaração de escassez hídrica em vigor
Em maio deste ano, a ANA já havia emitido a Resolução nº 195, declarando situação crítica de escassez hídrica na Bacia do Alto Paraguai até 31 de outubro de 2024. A declaração levou em consideração os níveis historicamente baixos dos rios, especialmente o Rio Paraguai, que transita entre as mínimas históricas desde o final do último período chuvoso. A resolução também considerou as perspectivas de chuvas abaixo da média e o aumento dos focos de calor e incêndios durante o período seco, que se agravaram ao longo de setembro.
A resolução permite à ANA adotar medidas extraordinárias, como regras especiais de uso da água e operações de reservatórios, além de orientar ações de contingência pelos setores afetados, como a agricultura, a navegação e o abastecimento de água.
Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Safira Campos/PNB Online
