Após dez anos, Mato Grosso retoma cirurgia de transplante renal

Mato Grosso deixou de realizar cirurgias de transplante renal há 10 anos, depois de perder o credenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). A última havia acontecido em maio de 2009. Após este longo período, o Estado voltou a oferecer o serviço na última terça-feira (14), com o procedimento cirúrgico das irmãs Glacelise Bettini da Silva Medrado, de 42 anos, receptora do órgão, e Carmem Regina da Silva Medrado, de 47 anos, doadora. 

 

Já com o diagnóstico de insuficiência renal, Glacelise chegou a realizar o procedimento para implantação da fístula e realizar o tratamento do rim por meio da hemodiálise. Porém, a paciente explicou que pediu ao médico outras alternativas de tratamento para resolver o seu caso de saúde. “Eu falei ao doutor que não queria fazer a hemodiálise, fiquei desesperada, e pedi qualquer outro recurso. Ele disse que eu poderia fazer o transplante e perguntou se teria alguém para fazer a doação do órgão”, explicou.

 

A cirurgia, que durou aproximadamente sete horas, sem nenhum tipo de complicação, foi realizada pela equipe do Centro Cirúrgico do Hospital Santa Rosa, unidade credenciada pelo Ministério da Saúde para realizar a operação de transplante renal no Estado.

 

Mato Grosso  era um dos únicos estados brasileiros que não ofertava qualquer cirurgia de transplante de órgão. De acordo com os dados da Central de Transplante da SES-MT, atualmente, 1.800 pacientes estão realizando hemodiálise. A estimativa é de que 50% dessas pessoas tenham indicação para o transplante renal. Quando algum paciente necessitava desse tipo de transplante, ele era encaminhado para a fila de espera de outra unidade da federação, pelo programa do SUS de tratamento fora de domicílio. 

 

O cenário continua o mesmo para quem necessita de outros órgãos. A expectativa é que em breve, mas ainda sem data definida, o Estado também ofereça transplante de córnea. Há atualmente quase 6 mil pacientes em Mato Grosso com indicação clínica para esse tipo de procedimento relacionado a diversos órgãos, destes, cerca de 190 necessitam de córnea. 

 

Economia na saúde

A reativação do procedimento cirúrgico de transplante renal irá gerar uma economia no orçamento do Governo de aproximadamente R$ 10 milhões por ano. De acordo com a secretária adjunta de Regulação, Controle e Avaliação da SES-MT, Fabiana Bardi, o Estado ficava responsável pelo custeio do tratamento e desembolsava valores exorbitantes para atender e garantir a prestação de saúde aos pacientes por meio Tratamento Fora de Domicilio (TFD).

 

“Nós últimos anos, o Estado vem gastando com o (TFD), principal órgão de encaminhamento desses pacientes para outras cidades, algo em torno de R$ 22 milhões. Deste total gasto, 50% era exclusivo para atender pacientes da nefrologia. Com a retomada do transplante dentro do Estado, é estimada uma economia de aproximadamente 10 milhões”, explicou a Fabiana Bardi.

 

Outro importante benefício é a agilidade do processo para a realização da cirurgia aos pacientes de Mato Grosso. Antes da reativação do procedimento, todos eles dependiam da disponibilidade do agendamento em perspectiva nacional, gerando um maior tempo de espera. Agora, o tempo de espera é reduzido e a SES-MT garante aos pacientes toda a assistência com medicação, consultas e vigilância do processo.

 

Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Reprodução/Ilustrativa