Atravessador em esquema de vacinas teria negociado com governo de MT

A apreensão do celular de Luiz Paulo Dominguetti durante seu depoimento na CPI da Covid revelou que representantes da empresa Davati Medical Supply teriam tentado negociar com Estados, entre eles Mato Grosso, uma comissão de 25 centavos de dólar por dose da vacina AstraZeneca contra a Covid-19.
O caso veio à tona no programa Fantástico, da Rede Globo, exibido no domingo (4). O escândalo evolvendo possíveis fraudes na compra de vacinas atinge o Governo Federal e o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que será investigado em outro caso, o da negociação da vacina indiana Covaxin.
Durante as investigações da CPI sobre a Covaxin, surgiram denúncias envolvendo a Davati como intermediária na negociação de um contrato com o Ministério da Saúde de R$ 7 bilhões para aquisição de vacinas da AstraZeneca. Contudo, elas já tinham sido compradas pelo governo diretamente do fabricante.
Dominguetti, empresário e policial, reafirmou à CPI da Covid a denúncia de que recebeu oferta de propina por vacinas da AstraZeneca de um representante do Ministério da Saúde do governo Bolsonaro, Roberto Ferreira Dias, o mesmo que teria sido denunciado pelos irmãos Luis Ricardo Miranda (servidor do Ministério) e Luis Miranda (deputado federal) diretamente ao presidente sobre o caso da Covaxin.
Ao depor na CPI, o empresário apresentou um áudio do deputado Luis Miranda no qual ele estaria negociando vacinas. Contudo, o parlamentar não cita em nenhum momento que se tratava de imunizante o que levantou suspeita nos membros da CPI e levaram à apreensão do celular.
Durante a perícia, foram identificadas 900 caixas de diálogos em aplicativos de mensagem. Algumas indicam que Dominguetti negociava uma comissão de 25 centavos de dólar por dose de vacina com Piauí, Amazonas, Amapá e Mato Grosso.
O Governo do Estado admite que foi procurado pela empresa e que “um representante da empresa Davati Medical Supply encaminhou e-mail para a Casa Civil de Mato Grosso, em março deste ano, com oferta de vacinas contra a Covid-19”, mas não teria avançado na negociação após a empresa não apresentar a Carta de Representação.
Autor: Andhressa Barboza | Fonte: Redação/RD News | Foto: Divulgação
