Aumenta índice de roubo de cargas em Mato Grosso; motoristas estão apreensivos

Somente neste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já registrou 24 ocorrências de roubo e recuperação de veículos de carga nas rodovias que cortam Mato Grosso. Essa insegurança nas estradas com a ação de quadrilhas especializadas no roubo e furto de cargas tem tirado o sono de autoridades policiais, motoristas e empresários do setor do transporte.
Tanto que o Governo Federal publicou ontem no Diário Oficial da União (DOU) o decreto 8.614/2015, que regulamenta a Lei Complementar nº 121/2006 e institui a Política Nacional de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas, além de disciplinar a implantação do Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas.
Entre outras medidas, a medida visa a “incentivar a formação e o aperfeiçoamento do pessoal civil e militar empregado na área de trânsito e segurança pública, nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal, no tocante à prevenção, à fiscalização e à repressão aos crimes de furto e roubo de veículos e cargas”, em todo país.
A proposta também prevê a constituição de um sistema nacional composto por órgãos, como o Ministério da Justiça (MJ), Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Departamento de Polícia Federal (DPF), Polícia Rodoviária Federal (DPRF), Receita Federal, entre outros.
No Estado, o alvo preferido das organizações criminosas são cargas de combustível, defensivo agrícola e grãos, como soja e milho. Uma das regiões consideradas mais vulneráveis compreende o trecho entre Jangada e Nova Mutum, no médio-norte. E, esses roubos, têm resultado em prejuízos milionários às empresas e profissionais da área.
“Cada carreta que se rouba custa entre R$ 400 a 500 mil e aqui, no Estado, leva-se o veículo, a carga e a vida do condutor que é colocada em risco”, disse o assessor de Segurança do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Mato Grosso (Sindmat), coronel Leovaldo Sales.
Conforme Sales, Mato Grosso com sua vocação econômica absolutamente agrícola e sua demissão territorial apresenta um diferencial em relação a essas ocorrências se comparado aos grandes centros, como Minas Gerais e São Paulo. Por essas regiões, os crimes ocorrem mais na área urbana enquanto no Estado são mais frequentes nas rodovias, o que deixa veículo e motoristas ainda mais desguarnecidos ou desprotegidos. “As rodovias precisam de mais fiscalização”, enfatizou.
Sales frisa ainda que leis são salutares, mas precisam sair de papel. “No Estado, temos a lei 10.258, aprovada pelo atual governo que combate a receptação, mas ainda não há fiscalização na prática”, disse. O que fomenta o roubo ou furto de carreta ou cargas é a receptação, que no Estado há um agravante. “No Estado, um dos maiores receptadores tem sido populações indígenas, que são protegidas enquanto o governo fica de mãos atadas”, lamentou, exemplificando que caminhões são adquiridos e usados para o transporte de cargas de madeiras.
Autor: Joanice de Deus | Fonte: Redação/ Diário de Cuiabá | Foto: Ilustrativa
