Bolsonaristas se revoltam com recuo e falam em abandonar projeto de reeleição

Em apelo direto aos caminhoneiros e à população de Mato Grosso, o deputado federal Nelson Barbudo (PSL) disse nesta sexta-feira (10) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “não arregou” ao se desculpar por ataques antidemocráticos feitos no discurso de 7 de Setembro, e pediu que os aliados não abandonem o projeto de reeleição.

 

“Onde vocês vão esperar que um capitão arregar? Não arrega, isso tudo faz parte de um jogo (…) Vamos abandonar Bolsonaro para dar chance para Ciro Gomes, Marina Silva, Boulos, Lula? Pelo amor de Deus!”, disse ele.

 

Reconhecendo o clima de revolta entre os correligionários após a tentativa de pacificar os ânimos feita pelo presidente, Barbudo revelou que a “corda quase estourou” e que a participação do ex-presidente Michel Temer (MDB) na elaboração da nota seria explicada depois à categoria. Causou revolta entre os bolsonaristas o fato de o ex-vice-presidente da petista Dilma Rousseff ser o responsável por orientar Bolsonaro.

 

“Existe um pacto sendo feito. Quando o presidente aceitou conversar com o Michel Temer, existe um pacto por trás que é muito comprido, mas depois vamos passar para vocês. Nós não vamos nos entregar. Meu amigo, por favor, abandonar nossa causa agora? Estamos desde 2017 fazendo campanha para chegar ao poder e agora por causa de uma atitude pensada, vamos abandonar o barco e entregar tudo de mão beijada para a esquerda?”, completou o deputado.

 

Bolsonaro fez ameaças diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e citou nomes dos ministros Alexandre de Moraes e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso. O presidente chegou a declarar, diante de mais de 100 mil pessoas, que não irá cumprir ordens judiciais e que haverá uma ruptura entre os poderes, caso continuem a afrontá-lo.

 

No entanto, um dia depois mudou o tom e afirmou que o povo não pode permanecer dividido e que “essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais”.

 

“Bolsonaro arregou? Não, não arregou. Calma, pessoal. Nós estamos lutando por uma causa e existem muitas fases para se chegar a um objetivo final. Bolsonaro fez o que pôde, distensionou a corda, a corda quase arrebentou e entra agora o que fomos fazer em Brasília, que foi dar um recado para a esquerda que nós estamos unidos (…) O que fizemos foi uma demonstração de força, de que nós não queremos o socialismo. Agora, a guerra, a quebra da democracia, nesse momento não interessa para ninguém. Ela só interessa para a esquerda, que ia culpar o Bolsonaro por um caos que o país iria se transformar”, afirmou o deputado.

 

Recado aos caminhoneiros

Apesar dos apelos do presidente Bolsonaro pelo fim das manifestações, nesta sexta-feira entra no terceiro dia de bloqueios feitos pelos caminhoneiros. Ainda existem dois trechos de rodovias federais de Mato Grosso parcialmente fechados. Os manifestantes se pautam em agendas antidemocráticas, como o pedido de retirada dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a volta do voto impresso e intervenção militar.

 

De acordo com Barbudo, o pedido de desculpas feito por Bolsonaro causou indignação nos bolsonaristas ultraradicais.

 

“Vocês não sabem a importância que tiveram nesse movimento, não sabem a força que deram para a democracia, não falem que foi tudo em vão, tudo perdido. Calma! Temos que continuar apoiando para que um plano de governo seja continuado com o nosso presidente à frente do Executivo. As coisas vão mudar. Pelo amor de Deus. Dois anos e oito meses de mandato e vocês pensam que o Bolsonaro iria resolver tudo? Não é bem assim. Precisamos de oito anos no mínimo. Vamos refletir, pensar. Eu sei que foi um pouco traumatizante (…) O Judiciário avançando em pautas que não são para ser decididas pelo Judiciário, o povo se rebelando contra um Poder, mas isso tem consequências gravíssimas”, declarou Barbudo.

 

Veja AQUI o apelo completo divulgado por Barbudo

 

 

Autor: Ana Adélia Jácomo | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Reprodução/(Alan Santos/PR/Flickr