Brasil tem uma cabeça de gado para cada habitante, mas privilegio é da exportação

Os números mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que no Brasil temos cerca de 215 milhões de cabeças de gado, maior que a população do país que, em 2020, era estimada em pouco mais de 212 milhões. Com um rebanho tão grande, daria para suprir a necessidade interna e dar lucro para os produtores.
No entanto, com a valorização do dólar, o privilegio é para a exportação, com isso, o preço da carne aumenta no país e faz com que, com baixos salários da maior parte da população, um número maior de pessoas seja forçada a reduzir o consumo. O aumento do desemprego e a inflação subindo todos os meses, é preciso determinar prioridades para a sobrevivência, sendo assim, a carne é colocada em segundo plano para muitos brasileiros.
Se levarmos em consideração que cerca de 4% da população nacional é de vegetarianos e vaganos, algo em torno de 7 milhões de pessoas, sobraria ainda mais carne bovina para abastecer o mercado interno. Potenciais compradores não faltam para esse produto, porém, os produtores visam lucros exorbitantes e preferem enviar a maior parte da produção para outros países, forçando uma alta de preço no Brasil.
Com tanto gado disponível, é praticamente impossível explicar porque inúmeras pessoas passaram a disputar ossos em açougues. A queda no consumo de carne bovina, chegando ao menor nível em 25 anos, é um reflexo do aumento no preço do produto, mas, essa supervalorização é provocada pelos grandes produtores, que contam com o descaso do atual governo para tentar frear a crescente desvalorização do Real, frente ao Dólar.
Se somarmos as cabeças de gado, a produção de mais de 240 milhões de galinhas e a produção de porcos, que conta com 4,8 milhões somente de matrizes, daria para alimentar toda população do Brasil, praticando um preço justo e sem depender do consumo externo. É uma grande injustiça social termos alimento de sobra e tantas pessoas passando fome no país.
Autor: Vanderson Freizer e Hugo Bross | Fonte: Redação | Foto: Divulgação/Acrimat
