Cacique kayapó perde a batalha para a Covid e morre em aldeia de Mato Grosso

Ocacique Nikaiti Mekranotire, de 76 anos, líder do povo Kayapó, foi mais uma vítima da Covid-19, no município de Guarantã do Norte, em Mato Grosso (a 715 km de Cuiabá). A morte do cacique é a primeira registrada na aldeia onde pertencia, a Kororoti. Nikaiti era uma dos grandes líderes indígenas no Estado.

 

A vítima foi atendida por uma equipe médica da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), logo após apresentar os primeiros sintomas da doença. Ele pertencia ao grupo de risco, uma vez que ele era fumante e tinha doença pulmonar. O quadro de saúde do indígena foi se agravando rapidamente e, há pelo menos 4 dias, o líder começou a passar mal.

 

A filha do cacique Megaron Txucarramãe e neta do cacique Raoni Metuktire, Mayalú Txucarramãe, lamentou a morte da vítima. “Nikaiti Mekranotire é do povo Mebengôkre/Kayapó da Aldeia Kororoti, perdemos uma enciclopédia Kayapó, um grande mestre”, disse.

 

Segundo o boletim epidemiológico da Sesai-MT, atualizado na tarde de terça (25), há 173 casos confirmados da Covid-19 e, atualmente, 31 indígenas estão infectados com o vírus. Dois óbitos em decorrência do coronavírus foram confirmados entre os Kaiapó.

 

Outras vítimas indígenas

O cacique xavante Domingos Mahoro Eõ, de 60 anos, também morreu em decorrência do novo cornavírus. Ele teve duas paradas cardíacas por complicações do vírus e morreu no Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, no dia 06 de julho.

 

No dia 23 de julho, a doença matou uma das vozes mais influentes entre as lideranças indígenas de Mato Grosso, Nelson Mutzie Rikbaktsa. Ele era coordenador da Casa de Saúde Indígena de Juína (750 km de Cuiabá), ligado ao Dsei Vilhena, e faleceu na Santa Casa de Cuiabá.

 

Outra vítima da doença foi o cacique líder do Alto Xingu Aritana Yawalapiti, de 71 anos. Ele e faleceu no dia 05 de agosto, após ficar duas semanas internado em um hospital de Goiânia (GO).

 

Em meados de julho, o cacique estava em casa quando começou a sentir os primeiros sintomas da doença, procurou atendimento de saúde na própria aldeia e foi medicado. Já no dia 19, do mesmo mês, ele foi internado em estado grave em uma unidade hospitalar de Canarana. O quadro respiratório se agravou e precisou ir para terapia intensiva.

 

Segundo dados de ontem (26) do ministério da Saúde, são 72 vítimas entre indígenas em Mato Grosso e situação preocupa entidades.

 

 

Autor: Douglas Santos | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução