Cadeirantes denunciam falta de acessibilidade durante abertura da Exporriso 2022

O empresário e suplente de vereador, Johnson Bezerra Ribeiro, usou as redes sociais para criticar a ausência de dispositivos de acessibilidade para cadeirantes e demais pessoas com mobilidade reduzida durante a abertura da Exporriso 2022, nesta quarta-feira (11), no Centro de Tradições Gaúchas Recordando os Pagos (CTG). 

 

Organizado pela empresa Bakana Produções, com apoio financeiro da Prefeitura de Sorriso, o evento segue até o sábado (14) com estimativa de público diário em torno de 30 mil pessoas.

 

“Infelizmente os organizadores não preparam um local acessível, seguro e confortável para que o cadeirante pudesse assistir ao show com um pouco mais de tranquilidade”, desabafou Jonhson (VEJA AQUI).

 

No vídeo com duração de 1 minuto e 26 segundos, o empresário que também é cadeirante, diz que faltou sensibilidade por parte da comissão organizadora do evento.

 

“Fica aqui meu total repúdio pela falta de respeito […]. Não tiveram sensibilidade de enxergar que todo cadeirante também precisa ser respeitado”, conclui.

 

Até o fechamento desta matéria a postagem já contava com o engajamento de centenas de usuários do Facebook, entre eles cadeirantes que também narraram descontentamento com a organização do evento. 

 

Desrespeito 

A participação deste público em eventos, encontra amparo legal na Lei Brasileira de Inclusão – LBI (Lei nº 13.146 de 2015). Entretanto, a legislação parece ter passado despercebida pelo “batalhão” de assessores jurídicos da Prefeitura de Sorriso, dos responsáveis pela empresa Bakana Produções, assim como dos órgãos que tem a obrigação ética, moral e constitucional de fiscalizar a aplicabilidade da lei, qual seja o Ministério Público do Estado (MPE).

 

No âmbito das normas internacionais, a acessibilidade digital está prevista na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo (ONU, 2007). A convenção foi incorporada à nossa Carta Magna, no rol dos direitos e garantias individuais por se tratar de tema de Direitos Humanos (artigo 5º, parágrafo 3º), e preconiza a promoção do acesso da pessoa com deficiência "a novos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, inclusive à Internet" (artigo 9, 2, "g").

 

Desorganização

E não foram somente as pessoas com mobilidade reduzida que enfrentaram dificuldades na primeira noite da Exporriso. A falta de sinalização e informações irritou aqueles que adquiriram lugares dos chamados espaços “Vips”, camarotes e bangalôs.

 

Mesmo se tratando de um evento com “entrada gratuita”, as estruturas pagas receberem lugares privilegiados deixando uma pequena fração do espaço ao público não pagante.

 

Devido a falta de informações, houve tumulto nos portões de acessos às áreas nobres.

 

Convênio com o município 

Conforme divulgado pelo Departamento de Comunicação (Decom), a Administração Municipal repassou o equivalente a R$ 1 milhão em recursos públicos para o custeio do evento.

 

A empresa responsável pelo evento não divulgou o valor arrecadado com a venda de camarotes.

 

Outro lado 

A reportagem não conseguiu localizar a assessoria de imprensa da Bakana Produções.

O espaço segue em aberto para eventuais esclarecimentos. 

 

Autor: Sirlei Maria | Fonte: Redação | Foto: Arquivo pessoal

  • Fonte: Redação
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  • Foto: Arquivo pessoal