Casal cria canal para investigar e relatar lendas “sobrenaturais” cuiabanas

Casados há 16 anos, Shuaila e Anderson Souza exploram o mundo da mediunidade e buscam desvendar lendas sobrenaturais contadas pelos cuiabanos. Junto, o casal criou o canal Detetives Sobrenaturais no YouTube para mostrar a caçada em cemitérios e casas abandonadas em busca de casos paranormais.
Em entrevista, a publicitária conta que teve sua primeira experiência sobrenatural aos 7 anos, quando morava com os pais no Paraná. Foi na própria residência que Shuaila começou a sentir as energias negativas, porém, como era muito pequena, ainda não entendia o que todas as sensações significavam.
Durante os dois anos que viveu no imóvel, ela descreve que sofreu muito com toda a carga pesada que recebia que eram desde ouvir vozes, ver manifestações e até mesmo ser atingida por sentimentos suicidas. Apenas mais tarde, Shuaila pôde se aprofundar na mediunidade e conseguiu entender que aqueles sentimentos não vinham dela e nem caracterizavam loucura, mas sim sua sensibilidade para se comunicar com espíritos.
“Vozes me acordavam no meio da noite dizendo para pular da janela do segundo andar. Aquela casa foi muito traumática. Na época era uma criança, não entendia nada, por isso achava que aquilo era meu. Só que quando a gente se mudou esses sentimentos ruins ficaram para trás e as coisas começaram a melhorar. Eu ainda via muita coisa e sentia, mas era tudo mais sutil, o que tinha naquela casa era muito demoníaco”, relembra.
Enfrentando uma adolescência conturbada enquanto tentava entender o que era realidade e o que era o sobrenatural que a perseguia, Shuaila percorreu um longo caminho até conseguir evoluir sua espiritualidade. Anos depois conheceu Anderson, que não tinha a mediunidade, porém se interessava pelo assunto. E, com o tempo, eles se tornou um dos alicerces que sempre ouvia a esposa desabafar sobre as dificuldades e preconceitos.
Como era fascinado pelo assunto, o projetista mecânico resolveu buscar sua espiritualidade e evoluir sua sensibilidade também, alcançando sua própria mediunidade. Assim como Shuaila explica, a busca por essa evolução é possível por meio de qualquer religião, dependendo apenas da fé de quem procura.
“Em relação à mediunidade, todos somos médiuns, todo mundo nasce com uma sensibilidade, só que uns nascem mais aflorados e outros não. Quem nunca teve um sexto sentido? Quem nunca escutou alguém chamar no portão e depois viu que não havia ninguém? Esses são alguns pequenos sinais de que você tem a mediunidade, só não foi desenvolvida”, afirma.
Criação do canal
Apesar de passar anos aprendendo sobre a mediunidade, o casal conta que não tinha a intenção de criar conteúdos sobre o assunto. Eles eram engajados em consumir relatos e experiências de sensitivos internacionais e nacionais como forma de entretenimento, já que ambos viviam aquela realidade e compartilhavam o fascínio de tentar desvendar os espírtios.
No entanto, tudo mudou durante uma tarde que Anderson, Shuaila e as duas filhas se reuniram para brincar em família em um terreno vizinho à casa da família. O que era para ser um dia normal entre eles se transformou quando a filha mais nova viu uma manifestação próximo a uma árvore que havia na área.
Coincidentemente no momento da aparição os pais estavam gravando um vídeo e conseguiram captar sutilmente o que havia acontecido. Shuaila relata que a energia fez com que ela passasse mal na hora e foi preciso que a família fosse embora para que todos pudessem se recuperar com segurança do encontro inesperado.
Intrigado, o casal compartilhou o vídeo com alguns amigos que já tinham experiência com a mediunidade. Foram eles que deram o primeiro incentivo para a criação de um canal no YouTube, conquistando Anderson com a ideia e, posteriormente, Shuaila. A publicitária afirma que antes era contra, porém entendeu que aquele poderia ser um meio de mostrar o sobrenatural e conscientizar pessoas.
“O sobrenatural existe e não tem hora para se manifestar. É preciso ter cuidado, respeito e levar o assunto a sério. Mostrar que o sobrenatural aparece às vezes de forma sutil. Não é igual filme de terror como as pessoas acreditam, mas também não é algo que possa ser levado na brincadeira, tem que haver um equilíbrio”, explica.
Mesmo com apenas 10 meses de existência, o canal já conseguiu conquistar um número considerável de seguidores e mantém uma rotina com vídeos de suas buscas por fantasmas e lives todos os domingos para interagir com inscritos e tirar dúvidas sobre mediunidade e o trabalho que eles desenvolvem.
Lendas cuiabanas
Um dos primeiros lugares visitados pelo casal foi a Praça do Cai-Cai, local que carrega anos de história e assombra alguns moradores que vivem e passam por perto. O local fundado em 1867 foi projetado antigamente para ser um cemitério responsável por abrigar milhares de cuiabanos que foram vítimas da epidemia de varíola.
Foram os contos de moradores relatando já terem sentido uma energia diferente – e até mesmo alguns que afirmam já terem visto almas penadas – que fizeram Anderson e Shuaila escolherem o ponto como um dos primeiros explorados pelos detetives sobrenaturais.
“Havia muitas almas lá. Se assistir ao primeiro vídeo de lá, era como se eles estivessem conversando entre si. Uma senhora perguntando se outra havia ido na missa, um falando que eu estava em cima do túmulo dele e eles confirmaram que haviam morrido de varíola. Como foi uma das primeiras investigações, marcou porque foi a primeira vez que recebemos respostas nítidas”, relembra.
Outro local que marcou os investigadores foi um hospital abandonado, onde Shuaila viveu uma das experiências mais pesadas. Ela explica que sua mediunidade é sensitiva, o que faz com que ela tenha uma percepção maior de energia e vozes, e uma habilidade menor para ver concretamente as almas que vagam.
Além de espíritos de antigos pacientes pedindo por remédios, no hospital abandonado ela e Anderson encontraram um espírito sofredor, que imediatamente foi para cima dela pedindo ajuda para se libertar do plano material. Ela descreve experiência como marcante principalmente por aquele ter sido seu primeiro encontro com uma alma que clamava por ajuda. Segundo Shuaila, os espíritos que ficam presos vagando pela Terra são aqueles que ainda estão apegados a algo, sejam bens materiais, parentes ou sentimentos que deixaram pendentes antes de partir.
“Por isso a gente sempre fala: viva intensa e responsavelmente para que depois da morte você possa fazer sua passagem em paz. Trabalhe melhor sua espiritualidade para que quando for fazer a partida não fique preso. O que você vai levar após a morte são seus conhecimentos e sentimentos”, afirma.
Próximas investigações
Mesmo sofrendo com o preconceito de pessoas que não acreditam na existência do sobrenatural, o casal afirma que não pretende parar de fazer suas investigações em Cuiabá. Shuaila diz que durante toda sua busca por evolução espiritual se deparou com descrentes de sua natureza médium, porém assegura que o canal já foi responsável por mudar a mente de várias pessoas.
Com a missão de fazer um trabalho de luz e encaminhamento pelo sobrenatural, o casal já planeja suas próximas caçadas, sendo uma sobre a lenda da Bocaina e outra pela busca do lobisomem que diversos moradores afirmam ter visto durante a madrugada, no Bairro Nova Esperança.
A dupla de investigadores ainda não encontrou outros detetives sobrenaturais em Mato Grosso, porém deixa aberto uma colaboração com outros médiuns ou até mesmo seguidores que se sentem curiosos sobre as buscas. No entanto, ambos alertam que será preciso um preparo rígido para que possam acompanhá-los, já que mexer com almas e energias esperituais é algo perigoso e sério.
Autor: Vitória Gomes | Fonte: Redação/Mídia News | Foto: Arquivo Pessoal
