Casos de feminicídios crescem em Mato Grosso

O mês de fevereiro terminou com mais um crime de feminicídio, registrado em Mato Grosso. Com isso, subiu para 18 o número de mulheres assassinadas somente neste ano, no Estado. A maioria dos crimes foi cometida por maridos, namorados ou companheiros.
Desta vez, a vítima foi Luzinete Soares de Oliveira, 49 anos, que morreu ao ser atingida com um golpe de faca na perna, durante uma discussão com o seu esposo, na noite da última quarta-feira (28), em Sinop (500 quilômetros, ao norte de Cuiabá).
Do total de homicídios registrados até o momento neste ano, sete ocorreram em janeiro e, o restante (11) em fevereiro. A morte de Luzinete Soares é terceira registrada somente neste ano em Sinop. De acordo com a polícia, após o crime, o suspeito tentou se matar, mas foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros (CB) e encaminhado ao hospital regional do município.
Na hora, a filha do casal, que teve a identidade preservada, contou que presenciou o crime. O pai teria chegado bêbado em casa e iniciou uma briga com a mãe dela. Nisso, o homem pegou uma faca e deu um golpe na perna dela. O golpe atingiu a veia e a artéria da vítima, que foi socorrida, mas morreu logo depois de dar entrada no hospital.
O suspeito que foi identificado como A.H.K, pegou a faca e tentou se matar. Mas, a filha acionou o socorro para os pais, e apenas o homem foi internado e continua internado em estado grave. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar exame de necropsia. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Para se ter uma ideia da ascensão dessa violência, no primeiro trimestre do ano passado foram 18 vítimas femininas. Do total, seis mortes ocorreram em janeiro, três em fevereiro e nove no mês de março. Levando-se em consideração apenas os dois primeiros meses de 2017, o aumento neste ano é de quase 100%.
Quanto a distribuição dos casos deste ano, cinco ocorreram em Cuiabá, três em Sinop e dois em Rondonópolis. Os demais, conforme informações da Secretaria de Estado Segurança Pública (Sesp), ocorreram em Várzea Grande, Nova Ubiratã, Pontes e Lacerda, Alto Araguaia, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Juara e Guarantã do Norte. As estatísticas do governo levam em consideração os homicídios dolosos (quando há intenção de matar) contra as vítimas.
Faz parte desta estatística Daniela de Oliveira Correa, 31, assassinada pelo companheiro Everton Marcos Stoppi, 22 anos, na madrugada da última quarta-feira (28), no bairro Pedra 90, na capital. Horas depois, Stoppi foi preso por uma equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com a delegada Ana Cristina Feldner, o preso foi autuado por homicídio qualificado em feminicídio. "Pela condição de ser mulher, de subjugar a condição de ser mulher. Era uma mulher que não trabalhava e era subjugada naquela situação, que não tinha sequer o direito de se manifestar. Ela falou algo, ele não gostou e isso lhe deu o direito de dar um tiro na testa", informou por meio da assessoria de imprensa.
Autor: Joanice de Deus | Fonte: Redação / Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução / Ilustrativa
