Casos de malária aumentam 129% em Mato Grosso neste ano

Mato Grosso registrou entre janeiro a junho deste ano, 2.199 casos de Malária, um aumento de 129,1% no total de casos registrados no estado, comparados com o mesmo período de 2020.
Durante todo o ano de 2020, o estado teve 3.611 casos da doença. Mato Grosso representou 2,5% do total de casos de malária da região amazônica no ano passado.
No Brasil, a malária é uma doença endêmica na região amazônica, composta pelos sete estados da Região Norte, além do Maranhão e Mato Grosso.
Em relação à malária por P. falciparum e malária mista, em 2020 foram registrados 372 casos e em 2021, de janeiro a junho, 105 casos, uma redução de 36% entre janeiro a junho de 2020.
Do total de 141 municípios do estado, considerando o recorte de janeiro de 2020 a junho de 2021, os municípios de Aripuanã, Colniza e Pontes e Lacerda concentraram 80% do total de casos autóctones de malária do estado (veja abaixo), e outros 39 municípios tiveram transmissão de malária no mesmo período.
Em relação à malária por P. falciparum, o município de Colniza concentrou mais de 80% dos casos autóctones do estado.
Segundo o levantamento, o estado vem apresentando um aumento do número de casos ao longo dos últimos anos, principalmente em áreas de garimpo.
A distribuição de casos de malária em áreas especiais no estado do Mato do Grosso apresenta uma predominância em área de garimpo com 49,6% no período de 2020 e de 76% no período de janeiro a junho de 2021.
A IPA do estado, no ano de 2020, foi de um caso por cada mil habitantes.
Os municípios de Aripuanã, Colniza, Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade foram responsáveis por mais 90,2% dos casos de malária no estado no período de 2020, apresentados dentro da classifcação da IPA como de médio e alto risco. Veja no mapa abaixo:
Considerando o indicador, do total de casos sintomáticos de malária notificados no estado no ano de 2020, 62,5% foram tratados em tempo oportuno. (veja abaixo)
Ações desenvolvidas
Segundo o Ministério da Saúde, para buscar conter este aumento e reduzir o número de casos, algumas ações foram realizadas em municípios prioritários:
Monitoramento de casos notificados em unidades de saúde do estado, realizando comunicação imediata com os municípios a partir da detecção de aumento de casos de malária nos municípios de Pontes e Lacerda e Aripuanã, oriundos de áreas de garimpo.
Reunião de videoconferência entre o PNCM, Secretaria Estadual de Saúde (SES) e Regional de Saúde de Juína para atualização sobre as diretrizes do PNCM aos técnicos dos municípios de Aripuanã e Colniza.
Realização de reunião presencial com os secretários de saúde dos municípios de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade, Comodoro, Conquista d’Oeste e Nova Lacerda, com elaboração de plano de ação para resposta e controle ao surto de malária na região.
Realização de reunião por videoconferência entre a SES-MT, Lacen-MT, Regional de Saúde de Pontes e Lacerda, e SMS dos municípios de Pontes e Lacerda, Conquista d’Oeste, Vila Bela da Santíssima Trindade e participação do Cosems, DSEI Cuiabá e PNCM, para discussão de estratégias de controle sobre aumentos de casos de malária em região de garimpo.
Elaboração de Nota Técnica de atualização sobre liberação e uso de TDR para os municípios do estado, visando implementar a estratégia para aumentar a cobertura do diagnóstico de malária nos municípios.
Capacitação realizada pela SES-MT para o município de Pontes e Lacerda em Vigilância e Controle de vetores da malária.
Publicação de Boletim Epidemiológico de Malária no estado do Mato Grosso. Realização de vistoria e supervisão nos empreendimentos do município de Aripuanã, referente as ações do Plano de Avaliação do Potencial Malarígeno, no controle do impacto dos empreendimentos nos indicadores de malária da região.
Capacitação realizada por técnicos do Escritório Regional de Saúde de Juína aos agentes de saúde do município de Colniza em controle vetorial, busca ativa de casos, diagnóstico e tratamento para a malária.
Autor: Kethlyn Moraes | Fonte: Redação/G1 MT | Foto: Reprodução/Rede Amazônica
