Chacina de Sorriso: Acompanhe as atualizações do Tribunal do Júri

Começou na manhã desta quinta-feira (7 de agosto), no Plenário do Fórum da Comarca de Sorriso, o Tribunal do Júri do réu Gilberto Rodrigues dos Anjos, acusado dos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio, cometidos contra uma mãe e suas três filhas, em Sorriso, em novembro de 2023. O juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal de Sorriso, preside a sessão.
Por se tratar de processo que tramita em segredo de justiça (por envolver vítimas menores de idade), o acesso ao plenário é restrito às pessoas que trabalham diretamente com o caso, testemunhas, familiares das vítimas (previamente cadastrados), autoridades e alguns representantes da imprensa, mas com restrições de gravação de áudio e vídeo.
Garantido pela Constituição Federal e pelo Código de Processo Penal, o Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, ou seja, aqueles em que a pessoa teve a intenção de matar ou assumiu o risco de causar a morte de alguém, ou em que a vítima veio a óbito. Isso inclui homicídio doloso, infanticídio, aborto e induzimento, auxílio e instigação ao suicídio, além dos crimes conexos, tentados ou consumados.
O rito do Júri determina que em caso de homicídio consumado, as testemunhas de acusação são ouvidas primeiramente e, depois, as de defesa. Após essa fase, o réu é interrogado, e os jurados podem fazer perguntas (sempre por meio do juiz). Em seguida, acontecem os debates entre acusação e defesa. É concedida uma hora para a réplica da acusação e outra para a tréplica da defesa.
O interrogatório do réu se dará por videoconferência, direto da sala passiva da unidade prisional em que se encontra, a pedido da defesa. Vale lembrar que o Código do Processo Penal prevê isso por considerar que o interrogatório uma peça de defesa e que o réu pode se recusar a comparecer ao julgamento.
Ao final, o juiz passa a ler os quesitos que serão postos em votação e, se não houver nenhum pedido de explicação a respeito, os jurados, o escrivão, o promotor de justiça e o defensor são convidados a se dirigirem à sala secreta, onde ocorrerá a votação. A sentença é dada pela maioria dos votos – logo, se os primeiros quatro jurados decidirem pela condenação ou absolvição, os demais não precisam votar. Após essa etapa, a sentença é proferida pelo juiz no fórum, em frente ao réu e a todos os presentes.
Os jurados realizam o julgamento ao responder quesitos, que são as perguntas que o presidente do júri faz aos jurados sobre o fato criminoso e demais circunstâncias essenciais ao julgamento. Os jurados decidem sobre a matéria de fato e se o acusado deve ser ou não absolvido. Ao juiz cabe fazer a dosimetria da pena, ou seja, o cálculo das penas aplicadas em cada um dos crimes, em caso de condenação.
O magistrado – Presidente da sessão, o juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal de Sorriso, acumula 12 anos de experiência atuando diretamente em Tribunal do Júri, passando pelos cargos de defensor público, promotor de Justiça e magistrado. “Desde a formação, atuei como advogado particular pelo período de três anos. Depois atuei como advogado público concursado. Posteriormente, assumi na Defensoria Pública do Estado de Rondônia como defensor público, atuando diretamente na defesa em plenário do júri. Posteriormente, assumi o cargo de promotor de justiça do Estado de Mato Grosso, atuando como acusação nos plenários do júri. Dentro da magistratura, desde a posse no ano de 2016, estou atuando como magistrado presidente nos plenários de júri. Logo, de um total de 17 anos dentro do serviço público, os últimos 12 anos foi atuando diretamente em plenário”, relata.
O caso – O crime aconteceu na madrugada de sexta (24) para sábado (25) de novembro de 2023, quando Gilberto Rodrigues dos Anjos, conforme já confessado, invadiu a casa das vítimas e cometeu os crimes. Os corpos foram encontrados somente na manhã do dia 27 de novembro de 2023, com diversos ferimentos no corpo e sinais de violência sexual, com exceção da menor de 10 anos.
Na época dos fatos, o réu trabalhava e morava em uma obra ao lado da residência das vítimas. O esposo e pai das vítimas viajava a trabalho, naquela ocasião.
Gilberto Rodrigues dos Anjos foi preso pela Polícia Civil de Sorriso logo após os corpos terem sido descobertos, tendo confessado os crimes em depoimento.
Esta página será atualizada conforme o andamento do júri.
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Acompanhe as atualizações do julgamento:
08h37 – O juiz Rafael Deprá Panichella já se encontra no local. Ele avalia que ainda nesta quinta-feira (7) o julgamento do caso, que gerou grande comoção social, será concluído. "O processo correu com uma rapidez adequada. Hoje sai a resposta à sociedade em relação a esse julgamento. Então a expectativa é que dentro do dia de hoje até a noite se finalize esse julgamento", diz.
O magistrado destaca ainda que o crime julgado hoje motivou a mudança na legislação (Lei 14.994/2024), tornando o feminicídio um crime autônomo e aumentando as penas para crimes cometidos contra mulheres em contexto de violência. Dentre as principais alterações na lei, está o aumento da pena de 20 anos de reclusão para 40 anos de reclusão. Porém, essa lei passou a valer apenas aos crimes que ocorreram posteriormente à sua vigência, não se aplicando ao caso julgado hoje.
08h42 – O advogado Conrado Pavelski Neto, assistente de acusação, também já se encontra no local. Ele chegou acompanhado do cliente Régis Cardoso, esposo e pai das vítimas. Sobre a expectativa, ele afirma: “Que o júri seja tranquilo, sem nenhuma intercorrência para evitar ser suspenso ou até mesmo interrompido. Esperamos que termine ainda na noite de hoje, no máximo na madrugada de hoje para amanhã. Em questão à condenação em si, as provas são muitos fortes e contundentes e demonstrarão que Gilberto cometeu todos aqueles atos que estão sendo imputados a ele, com todos os crimes de homicídio, com todas as qualificadoras causa de aumento de pena, todos os estupros de vulnerável estão demonstrados no processo. Então não há dúvida de que foi ele quem cometeu, ele até mesmo confessou. Hoje é só mais a questão da família e da sociedade terem uma resposta com relação à pena dele porque, de resto, está tudo muito bem demonstrado no processo”, afirma.
08h44 – Neste momento, antes do plenário ser aberto ao público, o juiz presidente da sessão deu início ao procedimento de composição do Conselho de Sentença. Estão presentes cerca de 30 jurados. Dentre eles, sete serão sorteados para realizar o Tribunal do Júri. Os demais serão liberados e não poderão acompanhar o julgamento. Estão presentes no plenário também os defensores públicos, promotor de justiça e assistente de acusação. O oficial de justiça faz a leitura das informações do processo.
08h49 – No processo de sorteio, tanto a defesa quanto a acusação têm a possibilidade de manifestar se há pedido de dispensa ou aceitação dos jurados sorteados.
08h51 – Formado o Conselho de Sentença. São quatro homens e três mulheres. Os sete jurados sorteados se comprometeram em seguir as regras de incomunicabilidade. Agora, eles terão um tempo para ler as informações do processo. Cada um dispõe de um notebook para isso. O magistrado passa as orientações pertinentes a eles.
08h55 – Enquanto os jurados se preparam, as pessoas autorizadas a acompanhar o julgamento ingressam no plenário. Trata-se de familiares, autoridades que fizeram parte da apuração do caso (delegado e investigadores de Polícia Civil, peritos, agentes de segurança pública), imprensa, todos previamente credenciados. O uso de aparelhos eletrônicos de gravação de áudio e vídeo é proibido no local, exceto por parte da Assessoria de Imprensa do TJMT, que fará a cessão do conteúdo aos veículos de imprensa.
09h17 – O juiz Rafael Panichella inicia a sessão plenária. O réu Gilberto Rodrigues dos Anjos participa por videoconferência. A primeira testemunha, Regivaldo Batista Cardoso, marido e pai das vítimas, será ouvida.
09h20 – O promotor de justiça Luiz Fernando Rossi Pipino é o primeiro a fazer as perguntas. Ele questiona como a notícia chegou à testemunha, que estava em viagem quando os crimes ocorreram. Dentre os detalhes do relato, ele conta que após tentar contato por várias vezes com sua família, acionou a Polícia Militar, que foi até a casa. Os policiais relataram que por fora estava tudo normal, com os cachorros na casa, mas ninguém atendia o interfone. Regivaldo conta que diariamente as filhas mandavam mensagem dizendo que estavam indo para a escola. Ele chegou a telefonar na escola das filhas e foi informado da ausência das mesmas. Preocupado, ele telefonou para a sogra, afirmando que apenas não ligou antes pois ela havia feito uma cirurgia.
09h27 – O promotor de justiça pede que Regivaldo conte como era Miliane. O pai conta como eram as características de todas suas filhas e de sua esposa, que era amorosa, inteligente, que cuidava muito bem das filhas. Sobre as filhas, conta que eram carinhosas, estudiosas. Por fim, ele pede que o réu receba a maior condenação possível e pague por tudo o que fez.
09h33 – A testemunha Regivaldo é dispensada.
09h40 – A testemunha Elinara afirma que não deixou o local do fato, na tentativa de preservar as vítimas dos curiosos que se aglomeravam em volta. Ela fala da sua incredulidade em relação a tudo o que viu e do sentimento que teve naquele momento, de que o autor dos crimes estaria ali por perto, naquele momento, o que de fato ocorreu, com a detenção de Gilberto na obra onde trabalhava, ao lado da casa das vítimas.
09h49 – A testemunha fala sobre sua irmã, uma mulher trabalhadora dedicada, protetora com as filhas. “As meninas nunca foram soltas em lugar nenhum, sempre foram protegidas. Sempre!”, relata. Ela conta ainda sobre a união que havia entre Cleci e sua família (mãe e irmãs). “Ela era perfeita para aquilo que ela se propunha a fazer, a vida inteira”, conta Elinara.
09h52 – Quanto às meninas, a tia se emociona ao falar sobre elas. Conta como Miliane era estudiosa, cuidadosa com a avó, cheia de sonhos. Manuela, segundo ela, era uma menina que gostava de subir em árvores, andar de bicicleta, estudar. “Muito querida, muito amorosa sempre”. Melissa é destacada como “espoleta e esperta” pela tia. Também é apontada como estudiosa e apegada à avó materna. A tia conta que não teve coragem de entrar nos quartos das meninas, no momento em que descobriu o crime.
10h04 – O defensor público Ewerton Junior Martins Nóbrega apenas manifesta seus sentimentos à família. A defesa e nem os jurados têm perguntas à testemunha Elenara. Ela finaliza sua participação no júri dizendo que a família e a sociedade espera que a justiça seja feita.
10h06 – A próxima testemunha a ser ouvida é o delegado de Polícia Civil, Bruno França, que atuou na fase de inquérito do caso. O promotor de justiça pergunta como os fatos chegaram e quais foram as providências tomadas. O delegado conta que naquela data, uma segunda-feira de manhã, o celular de plantão da delegacia recebeu a ligação do Corpo de Bombeiros com a informação de que corpos de mulheres haviam sido encontrados. De início, eles acreditaram que poderia ser corpos de mulheres ligadas ao crime de tráfico de drogas. Mas o bombeiro reforçou que eram vítimas em uma residência, então o delegado entendeu que não teria ligação com o tráfico. Ele relata o choque ao chegar ao local e que ordenou a proibição da entrada de terceiros até a chegada da perícia.
10h12 – Conforme o delegado, com a chegada da perícia, chegou-se à conclusão de que nada teria sido subtraído da casa. Eles concluíram lá mesmo que a situação era de crime sexual e feminicídio “cometidos de forma absurdamente violenta”, afirma.
10h14 – Segundo o delegado, o coronel de Polícia Militar foi chamado ao local e iniciaram-se então as buscas em volta para localização do autor dos crimes. Ele afirma que havia uma infinidade de provas no local, como impressões parciais (marcas do chinelo do réu). O delegado se deslocou até à obra e, no caminho, foi interrompido por um jornalista, que estava com um telefone na mão e disse que uma pessoa tinha uma informação a passar. Ao telefone, a pessoa disse que seu marido trabalhava na obra ao lado da casa e, que quando descobriram os corpos, todos os pedreiros correram para ver o caso, menos um deles, que usava camiseta de cor amarela, o que causou estranheza, inclusive do delegado. Ao chegar à obra e encontrar o Gilberto, as respostas dele eram desencontradas. Ao pedir o documento do até então suspeito, ele deu uma xerox do documento.
10h18 – Informado com a incongruência das respostas de Gilberto, o delegado pediu o chinelo do suspeito, que disse que não tinha chinelo. O delegado insistiu até que Gilberto fosse até outro local e pegasse um chinelo para entregar ao delegado. O perito analisou o chinelo e disse que sem dúvidas era o chinelo do autor dos crimes. O delegado então se dirigiu até Gilberto para prendê-lo. Nesse momento, os investigadores lhe informaram sobre o histórico de crimes de Gilberto. “A gente já tinha certeza de que ele era o autor e agora a gente sabia que era um criminoso em série”, disse.
10h23 – O delegado conta que perguntou a Gilberto por que ele cometeu aqueles crimes. A resposta do réu foi de que “estava drogado”. A autoridade policial então pediu uma algema para prendê-lo, mas que foi aconselhado a não retirá-lo dali algemado pois seria linchado pela população. No momento, o próprio réu percebeu o risco e pediu que apenas fosse retirado dali. Ele foi escoltado até a viatura, sem uso de algema. O delegado informou a irmã da vítima Cleci de que o autor do crime era Gilberto, que foi deslocado até a delegacia, onde foi feito um interrogatório.
10h26 – O delegado conta que, na sacola com os pertences do réu foi encontrada uma calcinha limpa, que foi entendida como uma “lembrança” levada por Gilberto dos crimes que, conforme confessado, cometeu. O delegado Bruno França relata como estavam os corpos das vítimas.
10h29 – O assistente de acusação interroga o delegado, que conta que da obra onde Gilberto trabalhava, era possível enxergar grande parte do interior da casa das vítimas e que o réu confessou ter analisado a rotina das vítimas desde dias antes do crime. “Ele monitorava a casa e aguardou que as vítimas estivessem em casa, em repouso, para entrar na casa”, relata. O delegado ressalta ainda que na casa havia um andaime com uma tábua de acesso pelo muro de trás, que era próximo a um lavabo da casa, o que demonstrava que a entrada poderia ter ocorrido por ali, conclusões que ele tomou preliminarmente à perícia. Destacou ainda que o acesso frontal era dificultado por conta dos cachorros, que eram bravos.
10h35 – O delegado conta que depois de toda atrocidade, o réu ainda se lavou no local do crime e escondeu vestígios.
10h36 – Em seu testemunho, o delegado Bruno França fala sobre a brutalidade do crime e comenta que “essa cidade nunca mais vai ser a mesma” e que “ninguém daquela casa vai ser a mesma pessoa”.
10h39 – Segundo o delegado, no interrogatório, Gilberto contou o crime com “serenidade”, “como se estivesse contando uma pescaria” e com uma “tranquilidade assustadora”. Afirma ainda que a única tristeza percebida no réu era por ter sido preso.
10h41 – O delegado afirma que a perícia aponta que houve conjunção carnal com três das quatro vítimas, com exceção da vítima de 10 anos de idade, mas que ela também foi vítima de abuso.
10h45 – Segundo o delegado, não houve somente premeditação por parte de Gilberto mas que, depois, ele atuou para que o crime não fosse descoberto, se referindo ao fato do choro da vítima mais nova ter chamado atenção do réu e, para que outras pessoas não ouvissem, ele assassinou a vítima de 10 anos.
10h57 – A próxima testemunha a ser ouvida é Willian Krisman Silva Souza, investigador de polícia que atuou no caso. Respondendo ao Ministério Público, ele conta como foi o deslocamento e chegada ao local dos crimes, onde já havia aglomeração de pessoas, jornalistas e bombeiros. Ele conta que a porta era de vidro e que, antes de entrar, já dava para ver corpos no chão. Com a chegada dos peritos, ele e os demais investigadores acompanharam tudo. Ele afirma que aquela cena foi a mais aterrorizante, repugnante e maldosa que já presenciou.
11h03 – Segundo o policial, a primeira informação passada pelo perito foi de que havia várias marcas de chinelo na casa e, a segunda, de que o autor dos crimes teria entrado pelo lavabo da casa. Nesse momento, ele e os demais investigadores já perceberam que vizinho ao local havia a obra e se dirigiram até lá, onde pediram ao encarregado para conversar com os pedreiros. Segundo ele, nenhum deles sabia de nada, mas o encarregado informou que um dos pedreiros dormia na obra, mas não estava lá no momento.
11h05 – Ao encontrar Gilberto, eles perceberam que o réu estava bastante nervoso e também que, do local onde ele dormia, era possível visualizar a casa das vítimas, o que já levantou suspeita e também os levou a pedir o chinelo dele. Poucos minutos depois, já chegou a informação da delegacia sobre a ficha criminal de Gilberto.
11h07 – Segundo a testemunha, logo em seguida, os peritos confirmaram que o chinelo de Gilberto havia dado positivo para as marcas de sangue encontradas no local do crime. Ele então foi levado à delegacia.
11h08 – O policial Willian conta que, na delegacia, Gilberto contou que via as vítimas e sua rotina, que contou como entrou na casa, pela janela do lavabo e que, quando entrou, se deparou com a vítima Cleci, com quem entrou em luta corporal. Inicialmente, a versão foi de que entrou na casa para furtar, até que se deparou com a primeira vítima e se apossou de uma faca para agredi-la.
11h11 – O investigador reforça que Gilberto mentiu que não teria tido conjunção carnal com as três vítimas mais velhas, pois a perícia apontou a presença de material genético. Em relação aos pertencentes do réu, ele conta que uma sacola estava escondida no contêiner onde Gilberto dormia. Dentro dela, havia as roupas usadas no crime, bem como uma calcinha limpa, levada por ele da casa das vítimas. A testemunha afirma que Gilberto mentiu também ao dizer que entrou na casa para furtar, mas que o crime foi premeditado.
11h17 – O policial conta que no momento em que o delegado afirmou sua conclusão de que Gilberto era o autor dos crimes, o criminoso “estatelou os olhos e pediu: me tira daqui”.
11h20 – A próxima testemunha é Márcio Coutinho Scardua, investigador de polícia que atuou no caso. O Ministério Público o questiona sobre as primeiras diligências tomadas pela Polícia Judiciária Civil. Muito emocionado e tentando segurar o choro, o profissional relata que, juntamente com o colega Willian, ao chegar ao local dos crimes, se deparou com uma “situação terrível”.
11h26 – Segundo o investigador, “o local do crime fala” e que ao visualizar a situação, ele e seu parceiro saíram da residência em busca de vestígios deixados pelo malfeitor. Na obra em andamento nas proximidades, os investigadores chamaram as pessoas que ali trabalhavam e começaram a fazer perguntas. O encarregado da obra e todos os pedreiros se mostraram abalados. Até que o encarregado disse que um dos pedreiros estava lá em cima, onde ele morava. Gilberto foi chamado e desceu, usando uma camiseta amarela, botina. O investigador disse que quando “bateu o olho” em Gilberto, viu que ele poderia ser uma testemunha importante por morar ali. E que Gilberto “se fez de desentendido, dizendo que não tinha escutado nada”. Os policiais solicitaram que Gilberto os levasse até o local onde ele dormia, se mostrando silencioso, sem nem perguntar o que estaria acontecendo. Ao mostrar onde dormia, o policial percebeu que dali era possível visualizar a casa das vítimas. Ele perguntou novamente ao réu se ele não tinha ouvido nada e nem visto algum movimento estranho, ao que o réu negou. “Sinceramente aquilo levou a uma tese de que ele estaria escondendo alguma coisa”.
11h33 – O investigador Márcio relata que ao pedir o documento de Gilberto, este pegou uma mochila que estava dentro do contêiner onde dormia e, de dentro dela, tirou uma xerox do documento de identidade. A foto do documento foi repassada a um escrivão da delegacia para averiguação, o que demorou em torno de cinco minutos. Nesse meio tempo, o investigador afirma que o delegado Bruno chegou ao local e, então, Márcio falou para o delegado que Gilberto estava apresentando uma atitude estranha. O delegado então perguntou sobre o chinelo de Gilberto, ao que ele respondeu que não tinha chinelo. Então o investigador disse que se tivesse chinelo, estaria no contêiner. Realmente o chinelo estava lá e foi levado pelo delgado ao perito.
11h37 – Enquanto aguardavam a verificação do chinelo, o que durou cerca de cinco minutos, o escrivão ligou para Marcio e avisou que Gilberto tinha mandado em aberto por estupro. Neste momento, Márcio comunicou ao parceiro Willian. Ao mesmo tempo, o delegado já voltava. Márcio perguntou a Gilberto: “O que você fez, rapaz?!”. Gilberto disse que nada. O delegado chegou também já com a confirmação de que o chinelo de Gilberto era o mesmo das pegadas encontradas na casa. O investigador conta que o clima ficou tenso e que Gilberto já pediu na mesma hora para ser tirado dali e que na delegacia contaria tudo.
11h40 – Segundo a testemunha, no trajeto para a delegacia, Gilberto já começou a contar o que havia cometido e que estaria drogado. Ao chegar na delegacia, onde havia mais policiais, o réu se mostrou “arredio” e “um pouco nervoso”. Marcio pediu aos colegas para se retirarem e para ficar na sala apenas ele, Willian e o escrivão juntamente com Gilberto, onde ele foi interrogado. Marcio perguntou a Gilberto se ele estava arrependido, mas ele desconversou. “Ele fala que ele já tinha visto as mulheres antes, ou melhor, no nosso entendimento, ele já sondava elas”, relata a testemunha.
11h46 – O investigador conta que mais uma vez perguntou a Gilberto se ele estava arrependido. Ele respondeu que não.
11hh50 – O policial conta como os corpos das vítimas estavam no local dos crimes.
11h52 – O policial Márcio afirma que em quase 24 anos de carreira, sendo 10 anos da Delegacia de Homicídios, nunca viu um crime como este.
11h53 – O juiz suspende a sessão por 10 minutos para descanso dos participantes.
12h04 – A última testemunha que estava prevista para ser ouvida foi dispensada. A defesa também informou ao juiz que o réu não irá prestar depoimento, nem mesmo acompanhar o restante do julgamento. A sessão plenária então foi suspensa para almoço e retornará às 13h15, já na fase de debates.
13h38 – A sessão do Tribunal do Júri é retomada com a arguição do promotor de justiça Luiz Fernando Rossi Pipino. Ele tem 1h30 para fazer a acusação. Ele se dirige à família e, especialmente, ao viúvo e pai das vítimas e à mãe e avó das vítimas, dizendo que são sobreviventes e manifestando palavras de apoio e promessa de justiça. “O grito de justiça há de prevalecer”, disse o promotor.
13h42 – Voltando aos jurados, o representante do Ministério Público destaca que eles foram escolhidos pela sociedade não para julgarem mais um crime ou mais um ser, que este Júri não se trata sobre um julgamento, mas sobre valores da civilização, sobre a humanidade, sobre a barbárie e a selvageria. Ele reforça que o papel do MP é entregar à sociedade o julgamento de “um ser demoníaco”.
13h45 – O membro do MP diz aos jurados que espera que, ao final do Júri, os jurados estejam suficientemente convencidos a condenar o réu. Ele reforça que o papel do Tribunal do Júri é defender a vida e pede aos jurados que votem “com a consciência e o coração”.
13h47 – O promotor inicia sua argumentação, afirmando que “hoje é uma guerra do bem contra o mal” e começa a falar do histórico do réu, a quem chama de “monstro de Sorriso” em uma tela exibida no telão, onde aparece também a foto do réu Gilberto Rodrigues dos Anjos no momento em que foi preso em flagrante.
13h49 – Ao exibir a foto do réu, o promotor já pede desculpas à família e avisa que os avisará quando for exibir imagens mais sensíveis, mas ressalta que é necessário para que os jurados sintam a mesma dor que a irmã e tia das vítimas sentiu ao se deparar com a cena dos crimes.
13h50 – Segundo o promotor, houve a premeditação do crime por parte de Gilberto, conforme já verbalizado pelas testemunhas, o que se conclui com a apuração de que ele observou as vítimas, planejou com paciência. “O réu monitorou a rotina da família (mulheres, horários, etc), estudou a residência (rota de entrada, desvio dos cães bravos, etc) e executou o plano diabólico com frieza e precisão”, manifestou na apresentação em power point. Verbalmente, ele reforçou essa tese, dizendo que o réu esperou até mesmo as luzes da casa se apagarem para cometer os crimes “com requintes de perversidade e crueldade”.
13h54 – Ao falar sobre a execução do que chama de “plano diabólico”, o promotor de justiça exibe a planta baixa da casa das vítimas e explica como se deu o ingresso do réu à residência. Ele teria andado sobre o muro até chegar à janela do lavabo, por onde entrou. Os cães ainda teriam tentado o alcançar no muro. A primeira marca do chinelo do réu teria ficado marcado na tampa do vaso sanitário, onde ele pisou quando pulou da janela.
13h57 – O promotor relata que foi na cozinha que a vítima Cleci se deparou com o criminoso. O promotor fala sobre a forma como ela lutou bravamente pela vida, suportando “muita dor e sofrimento”. Ela teria tentado abrir a porta para que os cães entrassem ou que vizinhos pudessem ouvir os pedidos de socorro.
13h59 – Conforme o promotor, as duas filhas mais velhas entraram na cena para ajudar a mãe, sem conseguir lutar contra o criminoso, elas correram para a suíte da casa, mas foram alcançadas e vitimadas.
14h01 – Conforme a acusação, as jovens ainda tentaram fugir pela janela do quarto, mas não conseguiram pois já estavam feridas.
14h06 – Ao relatar os crimes, o membro do MPE afirma que Gilberto agiu como todo feminicida age, no intuito de obter o domínio, por ódio e desprezo às mulheres.
14h09 – O promotor segue relatando a sequência criminosa, afirmando que o réu “seguiu tranquilamente depois de ter estuprado três delas”, foi até a cozinha para lavar o chinelo e saiu pelo mesmo local por onde entrou na casa.
14h10 – O promotor exibe fotos da residência onde ocorreram os crimes e da obra onde Gilberto estava foragido e de onde observava as vítimas, antes de cometer os crimes. “Ele tinha todo acesso aqui de cima porque ele tinha acesso visual à rotina e foi monitorando a movimentação das meninas”, afirma o promotor, complementando que o acesso foi muito facilitado pelo muro, por meio de um andaime da obra.
14h13 – São exibidas imagens da perícia, que detectaram pegadas do réu por cima do muro, no batente da janela e em outros locais da casa.
14h14 – Com uma das fotos da cozinha, o promotor demonstra que Cleci tentou fechar a porta que daria acesso ao restante da casa, no intuito de salvar suas filhas.
14h15 – O promotor começa a explicar como se deu a descoberta dos crimes e a prisão em flagrante do réu, retomando pontos relatados pelas testemunhas.
14h20 – O promotor fala sobre as provas que incriminam Gilberto: seu chinelo, material genético do mesmo, roupas de uso pessoal, calcinha limpa encontrada entre seus pertences e, por fim, sua própria confissão.
14h25 – O promotor de justiça exibe um vídeo do momento em que os policiais civis encontram a sacola com os pertences de Gilberto escondida em uma caixa de papelão, no conteiner onde ele dormia na obra. Na sacola estava uma calcinha, que o promotor afirma ser para o criminoso o seu “troféu”, a prova de sua dominação sobre as mulheres que vitimou.
14h27 – Em seguida, o promotor fala sobre o interrogatório de Gilberto, na delegacia, destacando que ele mentiu ao dizer que não entrou na casa com intuito de estuprá-las e matá-las. “Ele teve a pachorra de dizer na delegacia que não queria fazer mal para as meninas”. O promotor lê trechos do inquérito policial, na parte que trata do depoimento do réu.
14h31 – O representante da acusação afirma que o atos criminosos foram uma “brutalidade fora do comum” e que “esta conduta revela a crueldade que os senhores vão julgar”, disse aos jurados.
14h33 – Na sequência, o promotor passa a abordar sobre o exame pericial do local das mortes violentas. “Que nós possamos colocar um ponto final nesse filme de terror da vida real de uma forma justa, condenando o réu a todos os anos de condenação que ele merece, pois não existe pena suficiente para um homem que desenvolvera uma maldade tão grande”, afirma.
14h35 – O promotor informa aos familiares que passará a exibir imagens fortes e duas irmãs de Cleci Calvi Cardoso deixam a sala.
14h36 – O promotor segue explicando a dinâmica dos fatos, com imagens da casa, da obra, da garagem, de portas e janelas da residência das vítimas, do lavabo por onde o assassino entrou e dos cômodos onde os crimes foram cometidos. A acusação ressalta a fragilidade das vítimas. Ele fala que, segundo o IBGE, a expectativa de vida das mulheres no Brasil é de quase 79 anos, mas as vidas das vítimas foram ceifadas muito antes disso. “Ele subtraiu 229 anos de vida, ele não permitiu que essas meninas chegassem à adolescência, à vida adulta e continuassem a alimentar de amor a casa da vovó. Ele não permitiu que o Regivaldo pudesse comemorar agora no dia dos pais. Nenhuma pena será justa”.
14h41 – O promotor afirma que “o mínimo que a sociedade espera é que a condenação seja tão justa para que ele permaneça trancafiado pelos próximos 38 anos porque dois ele já cumpriu”.
14h42 – O membro do MP assevera que o criminoso roubou “o tanto de vida que havia naquela casa, o tanto de amor, de carinho…ele roubou 229 anos de vida”.
14h44 – A acusação reforça que o criminoso entrou na casa tão somente para estuprar e matar, exibindo fotos dos celulares das vítimas que foram deixados e que até mesmo a faca usada no crime foi deixada para trás.
14h46 – A acusação refuta a tese da defesa de que as vítimas teriam alguma chance de se defenderem.
14h51 – A acusação passa a falar de tudo o que o réu roubou do pai e esposo das vítimas. “Ele destruiu tudo, ele arrancou o chão”.
14h54 – O promotor aborda o exame necroscópico e as circunstâncias qualificadoras dos crimes, enfatizando que foram cometidos com crueldade, com “intensidade e quantidade de lesões extraordinárias”, segundo laudo necroscópico.
14h58 – Outras qualificadoras abordadas pelo promotor são o recurso utilizado pelo criminoso, que dificultou a defesa das vítimas; e o feminicídio não íntimo, ou seja, quando o homem menospreza, subestima, deprecia, age com ódio, com desprezo ou com desejo de subjugar a mulher.
15h – Mais uma qualificadora tratada pela acusação é que os crimes foram cometidos contra menores de 14 anos de idade, no caso das meninas Manuela, 12, e Melissa, 10.
15h01 – A acusação aborda ainda sobre os crimes sexuais: estupro de vulnerável (cometido contra Manuela) e estupro (cometido contra Cleci, 46, e Miliane, 19). O promotor destaca que o laudo em relação a essas duas últimas vítimas foi inconclusivo se elas ainda estavam vivas ou não, mas que isso é provado pelo depoimento do réu. Segundo o promotor, não se trata de vilipêndio de cadáver, como aponta a defesa, uma vez que o réu “não entrou em um cemitério para vilipendiar cadáveres, mas invadiu uma casa cheia de vida”.
15h07 – A acusação destaca a repercussão social do caso, mostrando que o réu já é condenado em crimes anteriores, cometidos em Mineiros (GO), e Lucas do Rio Verde (MT), como homicídio e estupro e tentativa de feminicídio.
15h08 – O juiz suspende a sessão por 5 minutos.
15h23 – A sessão é retomada com 1h30 para manifestação da defesa técnica, realizada pelos defesores públicos Ewerton Júnior Martins Nóbrega e Claudiney Serrou.
15h26 – O defensor público Ewerton Nóbrega inicia destacando que cada instituição do sistema de Justiça tem seu papel e o executado com muito respeito às famílias das vítimas.
15h28 – O defensor explica que os crimes contra a vida são de competência do júri popular e que, antes disso, várias etapas são necessárias para que o julgamento ocorra conforme a lei. "A defesa atuou aqui seguindo a lei. Quero que vocês compreendam isso. São fases para que se chegue a um julgamento hoje de forma correta", disse o defensor Ewerton Nóbrega.
15h31 – Ele destaca que o crime foi cometido contra mulheres, mas é apurado e julgado por homens. Afirma ainda que "por decência" precisa concordar com a maioria dos argumentos apresentados pela promotoria.
15h32 – "Neste julgamento eu não tenho vaidade de competir. Estou aqui apenas para garantir um julgamento justo", afirma o defensor. Ele diz ainda que a toga usada pelos jurados não representa a vontade própria, mas que o julgamento se dá conforme as provas do direito.
15h33 – O defensor afirma que foram muitos crimes, que os trabalhos da polícia e da perícia foram muito técnicos. "Por decência, eu não peço a pena mínima, por respeito à população de Sorriso", diz. Aponta ainda que após estudar diligentemente os autos e de ouvir as provas colhidas em plenário, vê como inconteste a autoria e a materialidade dos fatos, bem como as qualificadoras.
15h37 – A defesa pede aos jurados que avaliem dois pontos que afirma serem inconclusivos, como a palavra do réu, que, segundo ele, por ora foi considerada e ora desconsiderada. "Pode ser que ele tenha falado certas coisas de forma generalista", diz em relação à quais vítimas violentadas estavam vivas ou não no momento dos crimes sexuais.
15h43 – A defesa diverge dos três crimes sexuais porque o estupro é, conforme ele mostra no Código Penal, cometido contra ser humano com vida. O defensor sugere aos jurados que o crime ocorrido foi vilipêndio ao cadáver, crime cuja pena é consideravelmente menor. Ele afirma que não há prova técnica dos estupros, a não ser que se considere apenas a palavra do réu.
15h47 – O defensor finaliza sua argumentação. O promotor manifesta que irá fazer sua réplica, mas, antes disso, o juiz suspende a sessão por 5 minutos.
15h59 – A sessão plenária é retomada, com a argumentação do assistente de acusação, o advogado Conrado Pavelski Neto, que enaltece o trabalho da Polícia e da Perícia. Ele diz que está nas mãos dos jurados decidir sobre a condenação dele, pois “está tudo comprovado”. O advogado ainda se dirige à família pedindo desculpas pelo que não foi possível fazer, mas destacando que se dedicou ao máximo.
16h03 – O advogado afirma ser necessário rebater a questão do vilipêndio de cadáver levantada pela defesa. Segundo ele, na delegacia, o réu confessou que todas as vítimas “se contorciam” durante os estupros, o que seria a prova de que todas estavam vivas. Ele mostrou trecho do depoimento gravado do réu, realizado na delegacia, quando foi preso em flagrante.
16h08 – O advogado ressalta que o réu estava totalmente consciente quando foi preso, ao pedir que fosse retirado do local do crime pois iria confessar na delegacia, e que, na delegacia, o policial Márcio proporcionou um ambiente mais tranquilo para que Gilberto pudesse prestar seu depoimento. Outro ponto destacado pelo assistente de acusação é a força do criminoso, que sequer tinha alguma marca deixada pelas vítimas que tentaram se defender de todas as formas.
16h11 – Para o advogado, todos os crimes estão muito claros em relação aos feminicídios e que em relação ao estupro, contra Miliane, por exemplo, as provas também demonstram que houve pois a perícia apontou marcas de que a vítima tentou se desvencilhar do criminoso. O advogado Conrado Pavelski pede aos jurados a condenação máxima ao réu.
16h14 – O promotor de justiça complementa a réplica da acusação. Ele reclama que inicialmente a defesa disse que sequer a denúncia dele era válida e que pediu inclusive o desaforamento, tentando impedir que a sociedade de Sorriso julgasse o caso, que aconteceu na cidade. Ele diz que pelo menos a defesa concordou com a maior parte da denúncia e argumenta que se a defesa concordasse com 100% da acusação, o juiz teria que desfazer o júri e suspender o caso para que outra defesa fosse chamada pois não é válido o processo em que a defesa não possui tese de defesa.
16h21 – A acusação explica aos jurados que a defesa técnica jamais vai concordar integralmente com o Ministério Público, ainda que admita que o MP tem razão. “Eles não podem admitir isso pois o réu se torna indefeso e anula-se o processo”, ressalta. “A defesa técnica é um direito irrenunciável, tem que ter alguma discordância”, ressalta. O promotor reafirma que o vilipêndio de cadáver se dá quando o criminoso vai atrás de algum corpo já morto, em um cemitério, por exemplo. “Quem é que ele monitorava? A vida de quem? Os passos de quem? Aquele lar, aquela mulher, aquelas meninas”, diz.
16h25 – A acusação refuta ainda a tese da defesa de que o interrogatório do réu na delegacia não tem validade. Segundo o promotor, tudo o que compõem os autos do processo tem validade para análise dos jurados. Segundo ele, Cleci, a última vítima a ser estuprada, estava sim viva quando foi violentada sexualmente. Prova disso seria a presença da faca em todos os momentos em que houve o crime contra a mãe de família.
16h32 – O representante do Ministério Público classifica o Tribunal do Júri de hoje como “emblemático”, em que cabe entregar ao povo de Sorriso a justiça. “Os senhores que farão ecoar a voz da sociedade, a voz da justiça, a voz do povo, a reafirmação de valores humanos”, disse aos jurados.
16h34 – Ao pai e marido das vítimas, o promotor diz que lhe tiraram tudo, mas pediu que a família continue esperando a justiça, que irá acontecer hoje. Ele presta uma homenagem à família, mostrando um vídeo emocionante das meninas Melissa e Manuela falando palavras de amor à mãe Cleci. Porém, o vídeo é seguido por imagens da repercussão do crime, com fotos da perícia e prints de reportagens da imprensa nacional.
16h37 – No telão, também é exibido um vídeo das meninas Manuela e Melissa cantando um hino em uma igreja, imagens de recordações de momentos felizes da família, como aniversários, fotos com o pai, entre outros momentos que mostram como aquela família era feliz. "O réu apagou cada estrelinha daquela casa", encerra o promotor.
16h39 – O promotor Luis Fernando Rossi Pipino diz aos jurados que "há coisas que nem todas as palavras do mundo conseguem explicar, há dores que não cabem em um laudo, há crimes que ultrapassam a frieza da lei. E o que aconteceu naquela casa, naquela fatídica noite foi exatamente isso, foi uma tragédia devastadora, em que o mal subiu do inferno e apagou quatro vidas, quatro destinos que haviam sido entrelaçados pelo amor". Ele segue proferindo seu discurso aos jurados.
16h42 – O discurso do promotor enfatiza que o réu roubou 229 anos de vida das vítimas e pediu que os jurados "olhem com os olhos da alma e vejam a ferida que o réu causou na própria humanidade". "Se a vida tem algum valor, se a mulher tem alguma dignidade e se a infância tem algum sagrado" que o réu seja condenado. "Hoje a justiça só será feita se for completa. Façam isso por Cleci, por Miliane, por Manuela e por Melissa e por todas as estrelas que mesmo apagadas na terra, seguem no céu esperando que a justiça brilhe por elas", disse.
16h45 – A sessão é suspensa por 5 minutos.
16h55 – A sessão é retomada com o defensor público Claudiney Serrou enaltecendo a ética do colega, que é recém-chegado à cidade de Sorriso.
16h56 – O defensor cumprimenta a todos os servidores públicos, cujo trabalho foi essencial para o julgamento do caso. “Sempre digo que vocês servidores são essenciais para a defesa”. Ele cumprimentou os jurados, frisando que “hoje representam a sociedade de Sorriso e que levem uma resposta e uma solução definitiva para este processo”.
16h59 – O defensor manifesta sentimentos à família. “Além de defensores públicos, nós somos pais de família, temos filho e, com certeza, compartilhamos da dor de vocês”.
17h02 – O defensor defende a independência funcional conferida a quem ocupa o cargo, afirma que atua de forma ética, de acordo com os autos, e que decidiu não pedir o afastamento das qualificadoras por respeito aos familiares, às provas e ao processo. “É uma decisão com base na independência funcional, com base na ética. Foi por isso que a gente alegou tão somente a questão do estupro”, disse.
17h06 – Em relação à tese do assistente de acusação que abordou o depoimento do réu, o defensor lembra que Gilberto deu apenas um depoimento na fase policial e que, na fase do processo, se manteve em silêncio. Ele ressalta que o laudo relativo ao crime de estupro foi inconclusivo em relação à Cleci e à Miliane.
17h08 – O defensor afirma que é obrigado a trazer o questionamento, mas que cabe aos jurados decidir. “Cabe a vocês decidir, mas a gente tem que trazer porque esse é o único questionamento”, afirma aos jurados.
Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Divulgação
