Com offshore em paraíso fiscal, é justificável resistência de ministro em conter avanço do preço do dólar

O projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) lançou uma série de reportagens intitulada Pandora Papers. O conteúdo das informações é capaz de mostrar quais as reais intenções do ministro da Economia, Paulo Guedes. Defensor do liberalismo econômico, tal figura nunca fez nenhuma manobra para conter o constante avanço do Dólar sobre o Real.
Alicerçado em sua ideologia de que o mercado deve ter pouca interferência do Estado e regular os preços por si só, Paulo Guedes deixou o câmbio flutuando à vontade, forçando que a maior parte do que produzido no Brasil, sobretudo no agronegócio, seja enviado para outros países com lucro certo e afundando o país em uma crise de aumento de preços, que parece não ter fim. Tudo está mais caro, carne, combustível, cesta básica, energia elétrica e gás de cozinha.
Com o custo de vida cada vez mais elevado, o presidente Jair Bolsonaro, iniciou um afã para culpar governadores e os impostos. Esse discurso sempre endossado por Paulo Guedes, não sabíamos nós que, esse endossamento era em defesa própria. Com contas milionárias em, pelo menos, um paraíso fiscal, o ministro da Economia sempre esteva à vontade para não fazer nada para minimizar os danos causados pelo câmbio.
As loucuras de Bolsonaro sobre impostos e sempre culpar o mundo todo pela sua incompetência, foi um grande presente para que Paulo Guedes se escondesse por detrás do liberalismo econômico e ficasse confortável com seu dinheiro no exterior, rendendo cada vez mais com a oscilação do Dólar.
Ter contas em offshore não é o que Paulo Guedes pode fazer de pior. Ele utilizou o cargo que ocupa e sua influência para defender assunto particular e que é de total interesse. Alegando dificuldade em debater o tema, o ministro defendeu a exclusão de taxação de imposto de renda para aqueles que tenham contas em paraísos fiscais. É importante destacar que, se valer de cargo público para defender interesse pessoal é um crime grave contra a administração.
Além de Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comungou da mesma defesa de exclusão de imposto de renda para offshore. 11 meses após assumir o cargo, o economista ainda manteve uma conta em um paraíso fiscal. Alegou não ter feito nenhuma movimentação financeira nesse período, mas, isso não o isenta de ter cometido o mesmo crime de Paulo Guedes.
A defesa de um Estado neutro de Paulo Guedes é o que está afundando a economia e irá levar o Brasil para o abismo. É claro que isso faz referência os mais pobres, pois os ricos estão cada vez mais ricos, isso é o que faz o ministro da Economia ser tão querido entre os milionários e ser defendido com total afinco pelos donos do agronegócio brasileiro. Imposto no Brasil sempre foi pago, esse discurso é uma sandice que só poderia sair da cabeça do presidente.
A atual política de preços da Petrobras, implementada por Michel Temer, justifica a oscilação do preço dos combustíveis. Vender tudo para fora, ganhando lucros exorbitantes, é o que justifica a escassez de produtos no país e a escalada de preços para cima. O liberalismo econômico de Paulo Guedes, além de beneficiar ele mesmo, só serve para os milionários do Brasil. Esse negócio de Estado mínimo só serve para aumentar o custo de vida dos mais pobres, levando centenas de milhares para a miséria quase absoluta.
Autor: Vanderson Freizer e Hugo Bross | Fonte: Redação | Foto: Gustavo Raniere/MF
