Com pandemia e preços altos, muita gente opta por ceia simples neste Natal

Acostumada a ter uma ceia de Natal farta na companhia de toda a família, Martinha Fortunata Duarte da Silva, de 58 anos, se programou para neste ano jantar o tradicional arroz e feijão e em seguida dormir junto ao seu marido. Isto porque, em 2020, além de ser parte do grupo de risco e temer ser infectada pelo novo coronavírus, a aposentada encontrou produtos mais caros nas prateleiras dos supermercados.

 

Data comemorativa é geralmente sinônimo de fartura. Nas mesas brasileiras, pratos típicos como o peru, o arroz com uva passas, o salpicão, o manjar de coco e o pavê, por exemplo, fazem parte dos encontros para celebrar o nascimento de Jesus na cultura cristã. Em 2020, no entanto, ano em que a pandemia desestabilizou a economia, muitas famílias optaram pela simplicidade.

 

“Isso é uma coisa que vai fazer muita falta. Eu e o meu marido vamos jantar normal. Vamos deitar e dormir porque além de tudo não pode sair para a rua, não pode juntar todo mundo e fazer uma festa como é de costume. Eu tenho 5 filhos, tenho 13 netos, 2 noras e 3 genros, mas não dá para passar junto”, relatou a aposentada.

 

A coordenadora de vendas desempregada Solange Costa, de 47 anos, este ano é a responsável por organizar a ceia de sua família. Em uma celebração mais intimista, se programou para passar o Natal com o marido, os dois filhos e os sogros.

 

No entanto, precisou reduzir os pratos escolhidos para ceia em comparativo com o ano passado. Isto porque, conforme pontuou, com o mesmo valor que gastava nas comemorações dos anos anteriores, agora é possível comprar menos alimentos.

 

“Eu e meu marido já estamos pesquisando tudo para encontrar o melhor preço, ver onde é mais barato. Os alimentos, as verduras, as frutas, tudo está com o preço mais alto. Isso afeta muito a minha casa porque a gente precisa comer, a gente precisa beber, é preciso comprar as coisas”, explicou.

 

Profissional está desempregada há 5 meses e, em decorrência da pandemia, encontrou dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho. Desde que acertou as contas no antigo emprego, ela entregou currículos em diversos estabelecimentos, mas ainda não obteve resposta. Enquanto isso, a responsabilidade financeira fica por conta do marido.

 

“Esse ano foi complicado. Com a pandemia, sem emprego. Está difícil agora e no final do ano piorou bastante. Está dando, mas está apertado. A gente ajeita de um lado, ajeita do outro, mas eu fico preocupada. Ainda não dá para saber como vai ser no final do ano. Todo mundo está apreensivo”, disse.

 

Estatísticas

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), preço dos alimentos teve alta acumulada de 12,14% durante todo o ano. Apenas em janeiro, aumento foi de 2,54%. Valor é o maior número desde 2002, quando alimentos subiram 19,47%.

 

O alimento que mais sofreu alta no valor acumulado até novembro foi o óleo de soja, que teve aumento de 94,1%. Em seguida, aparecem o tomate e o arroz, com 76,51% e 69,5% de alta, respectivamente.

 

Ainda faltam os dados do mês de dezembro. No entanto, expectativa é que inflação dos alimentos seja ainda mais alta, considerando que os preços não têm previsão de queda. Por isso, recomendação do Procon do Estado de Mato Grosso é que exista um planejamento na hora de realizar as compras de final de ano.

 

De acordo com o departamento, é importante fazer uma lista do que é necessário comprar e estar ciente do quanto poderá gastar sem prejudicar o orçamento. Assim, é possível evitar compras por impulsos e aquisição de produtos desnecessários.

 

 

Autor: Ana Flávia Corrêa | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução/Ilustrativa