Coragem para denunciar violência doméstica salva vidas

A violência doméstica segue vitimando mulheres em todo o país. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso apontam que no ano passado, 36 mulheres foram vítimas de homicídios em Cuiabá (23 casos) e Várzea Grande (13). Embora o fechamento com as motivações ainda não foi concluído, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que há muitos casos cuja violência doméstica está evidenciada nos inquéritos.

 

Os registros de feminicídios – mulheres assassinadas pelos companheiros dentro de casa, com requintes de crueldade – ocorrem em todo o Estado. Em Cáceres, a delegada Judá Maali Pinheiro Marcondes, relata o caso de uma mulher que era constantemente agredida pelo companheiro, mas não tinha coragem de denunciá-lo.

 

As primeiras informações chegaram pela mãe da vítima, que mesmo contrariando a filha, desejava que a Polícia Civil desse continuidade nos autos interrompidos. “No entanto, em janeiro de 2015, a vítima foi gravemente ferida pelo seu companheiro, com hematomas pelo corpo inteiro. Ela nem foi ao hospital, por estar acostumada a ser agredida”, conta a delegada.

 

A mulher morreu três dias depois de ser internada, em decorrência das lesões sofridas. “A vítima aceitava a condição de subjugada em relação ao seu companheiro, desencadeando flagrante desvalorização da mulher, posto que a própria vítima não reagia, ao ponto de parar de procurar atendimento médico após as agressões sofridas”, lamentou a delegada.

 

O agressor, Adalton da Costa, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e encontra-se preso pela morte da companheira Renilda Francisca Vieira da Silva.

 

Em Sinop, no Norte do Estado, Erivalda Vieira da Silva, 53 anos, foi morta por uma lesão profunda no pescoço, dia 28 de julho do ano passado. Ela foi encontrada com um corte de faca no pescoço, dentro de sua casa no bairro Maria Vilidiana II, em Sinop.

 

O inquérito policial foi concluído depois da prisão do companheiro, José dos Santos, conhecido por “Madruga”, e do filho do casal, Adriano de Santana Nascimento. Os dois suspeitos, marido e filho, foram pesos no dia 26 de novembro, em cumprimento de mandado de prisão, no povoado de “Sirizinho”, no município de Rosário do Cateto, próximo de Aracajú, no Sergipe.

 

O delegado Carlos Eduardo Muniz dos Santos já tinha representado pela prisão dos suspeitos, mas antes que a ordem judicial fosse expedida, pai e filho fugiram para o Sergipe. No final do inquérito policial, o delegado indiciou uma terceira pessoa, Jacson Ferreira Gomes Pereira, amigo da família, que teria escrito um bilhete ameaçando a vítima e estava junto com os autores do dia do crime. Exame grafotécnico no bilhete encontrado na casa da vítima comprovou que a letra era de Jacson.

 

Primeiro passo

Em todos os casos de violência doméstica, a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo. A delegada Eliane da Silva Moraes, que atua na unidade especializada da Mulher em Cuiabá, pondera que as mulheres devido ao envolvimento emocional não atribuem gravidade às ameaças que recebem ao longo do relacionamento ou mesmo a uma agressão física leve, que pode evoluir para sua morte.

 

“Tem que denunciar porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. A mulher não acredita que o companheiro por uma ameaça, que acha boba, pode resultar na morte. É algo para ficar alerta, não pode duvidar. Tem que levar a sério todo tipo de ameaça”, orienta Eliane.

 

Conforme a delegada, o registro da ocorrência tem peso a partir do momento que a delegacia intima o agressor para ouvi-lo ou ele recebe uma notificação do oficial de Justiça. “Isso faz com que ele reflita e se intimida”, afirma Eliane.

 

Os números para denúncias são o 180 e 100 (nacionais) e o 197 e 181, da Polícia Civil de Mato Grosso. Todas as denúncias são encaminhadas às unidades especializadas para investigação do delito comunicado.

Fonte: Redação/ Assessoria | Foto: Ilustrativa | Cidade: Mato Grosso