Corregedoria afasta delegado acusado de ameaçar mulher e hostilizar advogado

A Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso determinou o afastamento preventivo de Bruno França Ferreira, e instaurou nesta quinta-feira (1) uma sindicância administrativa para apurar a conduta do delegado, que invadiu a cada e fez ameaças à uma família, em um condomínio de luxo em Cuiabá.
Afastamento
Bruno Ferreira deverá ficar afastado do cargo de delegado por 60 dias, sendo que esse prazo pode ser estendido, por igual período, caso haja necessidade.
Por meio de nota, a Corregedoria informou que o delegado será notificado do afastamento preventivo, assim como seu superior hierárquico e a Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Polícia Civil.
O objetivo desse procedimento é apurar as condutas praticadas por Bruno na noite da última segunda-feira (28), contra a família e um advogado, que teria sido agredido verbalmente.
“A decisão de afastamento preventivo é uma medida tomada pela Corregedoria para o melhor andamento dos trabalhos. Não foi recebido pelo órgão corregedor um pedido formal feito pelo servidor de afastamento do cargo” diz um trecho da nota.
O delegado está em estágio probatório, o que pode aumentar as condições de punição dele.
Entenda o caso
A ação, liderada pelo delegado Bruno França, foi motivada pelo descumprimento de uma medida protetiva contra a mulher, que por determinação da Justiça, deve manter distância do seu enteado, que tem 13 anos.
Nessa segunda-feira (28), o menino estava no condomínio em que a mulher mora. Ela diz que viu o garoto, mas não se aproximou dele. A medida teria sido pedida pelo avô materno do adolescente, que alegou que o neto estava em risco por causa de ameaças e injúrias feitas pela mulher, a partir de uma agressão que o filho dela teria sofrido em outro condomínio de luxo, em Cuiabá, em fevereiro deste ano.
Conforme o delegado, sua atitude ocorreu após ser informado pelo enteado de que a mulher havia se aproximado dele, o que daria o direito a uma prisão em flagrante. Na noite dessa segunda-feira (28), a mulher foi conduzida para a delegacia, mas não ficou presa. O advogado dela, Rodrigo Pouso, também registrou em vídeo as ofensas que ele sofreu do delegado dentro da delegacia.
Sem ter a identidade revelada, ela, o marido e a filha de 4 anos tiveram a porta arrombada pelo delegado, que estava acompanhado de policiais com fuzis. Segundo ela, ele disse que explodiria a cabeça dela.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) havia representado contra o delegado junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado. A instituição também emitiu nota de repúdio.
Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Reprodução
