Crédito para custeio da produção não é liberado e pode afetar safra

O presidente da Famato Rui Prado, que se filia ao PSDB nos próximos dias, se mostra preocupado com uma possível crise no setor produtivo, em decorrência dos problemas econômicos vividos pelo país. Rui pondera que a maior preocupação se refere ao crédito para os produtores rurais.

 

Ele argumenta que os agricultores começam a comprar os insumos, que estão mais caros, para produção e que, se a restrição do crédito continuar, pode provocar uma crise. A situação, caso ocorra, terá impacto direto na economia mato-grossense que é impulsionada, especialmente pela produção agrícola. O Estado é campeão na produção de grãos.

 

Os recursos são fundamentais para o custeio da produção da próxima safra, que deve ser ainda mais cara do que este ano. Diante da situação, o setor tenta agendar uma reunião com o ministro da Fazenda Joaquim Levy. 

 

O vice-presidente da Aprosoja na Região-Oeste, Adolfo Petri, por sua vez, ressalta que, além do ministro da Fazenda, eles já buscaram diálogo com a ministra da Agricultura Kátia Abreu, mas que, por enquanto, não houve evolução. Justamente, por isso, pedem apoio dos deputados mato-grossenses, especialmente os ligados à Bancada Ruralista.

 

Petri explica que, normalmente, o Plano Safra é lançado em junho ou julho, mas que antes já é disponibilizado o chamado pré-custeio. No ano passado, por exemplo, em fevereiro, os produtores já estavam tendo acesso aos financiamentos, especialmente por meio do Banco do Brasil. Os recursos são utilizados, especialmente, para a compra de adubos e fertilizantes. “Estamos em abril e os negócios não param, por isso a preocupação é grande”, ressalta.

 

Embora o plantio comece apenas em setembro, o representante da Aprosoja lembra que os produtos são importados e que demoram, após a compra, pelo menos 50 dias para chegar, por isso, a preocupação em se planejar a próxima safra. Além disso, ressalta que, em caso de liberação dos recursos muito próximo ao plantio, poderá haver problemas motivados pela grande procura simultânea pelos produtos.

 

 Ainda conforme Petri, o atraso também provoca a redução dos valores destinados aos fretes. Ocorre que, em geral, os caminhoneiros carregam os grãos no Estado, levam para o porto em santos (SP) e lá mesmo carregam, por exemplo, os adubos, que vêem do exterior, retornando para o Estado carregados, ou seja, ganhando duplamente. Como os produtores não têm dinheiro para fazer as compras, esse segundo frete não está ocorrendo. “Fica ruim para os produtores e para os caminhoneiros”, salienta.

 

O cenário é ainda mais negativo, conforme Petri, porque além dos aumentos nos preços dos insumos, motivados pela alta do dólar, se prevê a elevação dos juros.

 

Sinalização

 

Conforme a Aprosoja de Goiás, o ministro anunciou no início da semana que os valores devem ser liberados ainda nesta semana. O anúncio ocorreu durante a abertura da 14ª edição da feira Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO).

Autor: Patrícia Sanches | Fonte: Redação / RD News | Foto: Gilberto Leite | Cidade: Mato Grosso