Cultivo de transgênicos avança 4,4% no Estado

O uso de variedades transgênicas nas lavouras de soja, milho e algodão aumentou 4,42% em Mato Grosso, em 2014. Foram semeados com transgênicos 490 mil hectares a mais que em 2013. O total cultivado alcançou 11,370 milhões de hectares em 2014, o que corresponde a 91,4% de toda a área mantida com essas culturas em Mato Grosso, que abrangem 12,440 milhões (ha). Em 2013, as lavouras transgênicas de soja, milho e algodão se estenderam por 10,880 milhões (ha), numa proporção de 88,9% da área total de 12,240 milhões (ha) cultivados no Estado.
É nas lavouras de milho que observa-se uma maior incidência de variedades geneticamente modificadas, numa proporção de 92,9% ou 3 milhões de hectares do total de 3,220 milhões (ha) cultivados em 2014. E esse predomínio aumentou em 1 ano: em 2013 foram ocupados 2,920 milhões (ha) com o cereal no Estado, sendo 91,6% dos 3,190 milhões (ha) plantados. A expansão anual das lavouras transgênicas de milho em solo matogrossense foi de 2,92%.
Também cresceu a presença das lavouras transgênicas de algodão nos 2 últimos ciclos produtivos. Apesar da redução da área total ocupada com a cotonicultura em Mato Grosso na safra passada, as lavouras transgênicas epresentaram 66,1% de toda a área cultivada com o algodão no ciclo 2013/2014. Neste período, as variedades geneticamente modificadas foram utilizadas no plantio de 300 mil (ha), dentre os 450 mil (ha) mantidos. Já na safra 2012/2013, a proporção foi de 58,6%, que ocupou 330 mil (ha) dos 570 mil (ha) cultivados no Estado.
Produtor de soja convencional e milho transgênico em Mato Grosso, Roger Augusto Rodrigues, afirma que as vantagens atribuídas às sementes geneticamente modificadas, como maior controle de pragas ou melhor produtividade, nem sempre se confirmam na prática. “Há variedades boas tanto entre as sementes transgênicas quanto convencionais, assim como existem variedades ruins no mercado”. A diferença citada por ele está no custo das sementes, já que aquelas geneticamente modificadas são mais caras.
“Eu estou plantando pela 1ª vez este ano uma área com soja transgênica, com uma variedade nova que foi liberada comercialmente no ano passado”. Ele acrescenta que prefere manter o cultivo da soja convencional para valorizar a tecnologia brasileira e evitar pagar royalties às multinacionais. “Também tivemos uma valorização da soja convencional nos últimos 2 anos, com o valor do prêmio atingindo a média de US$ 3 a saca, mas nesta safra já começou a regredir e hoje não está passando de US$ 1,70”. A justificativa dos compradores, segundo Rodrigues, é que a crise econômica internacional tem pressionado para baixo o valor do prêmio. Os países da União Europeia, a Coreia e o Japão são os que mais demandam soja não transgênica.
HEGEMONIA – Em todo o Brasil foram cultivados 42,2 milhões de hectares com as culturas transgênicas em 2014. Comparada com área ocupada com essas variedades em 2013, houve avanço de 4,7%, segundo dados fornecidos pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).
Essa última entidade é uma organização não governamental apoiada por entidades dos setores público e privado. O CIB também é uma organização não governamental sem fins lucrativos que atua na difusão de informações técnicocientíficas sobre biotecnologia. Conforme as entidades supracitadas, atualmente o Brasil ocupa a 2ª posição no ranking mundial de adoção de biotecnologia agrícola, superado apenas pelos Estados Unidos, onde são cultivados 73,1 milhões (ha) com variedades geneticamente modificadas.
Outros países que se destacam por essa prática são: Argentina (24,3 milhões/ha), Índia (11,6 milhões/ha), Canadá (11,6 milhões/ha) e China (3,9 milhões/ha). Em todo o mundo, 28 países plantaram 181,5 milhões de hectares com sementes transgênicas, um aumento acima de 6 milhões (ha) em relação a 2013. Para o CIB e o ISAAA, o uso da tecnologia oferece benefícios agronômicos, sociais, econômicos e ambientais.
ÁREA CULTIVADA – Nas plantações de soja em Mato Grosso, as variedades transgênicas avançaram por 8,080 milhões de hectares na última safra, com participação de 92,1% sobre toda a área de 8,770 milhões (ha) cultivados com a oleaginosa. Em comparação com a área plantada na penúltima safra em Mato Grosso, as lavouras mantidas com sementes de soja geneticamente modificadas expandiram 6% ou 460 mil (ha) no ciclo 2013/2014. Na safra 2012/2013, foram cultivados 7,620 milhões (ha) com soja transgênica em Mato Grosso, área equivalente a 89,9% do total de 8,480 milhões (ha) ocupados com a cultura.
Em todo o país, o predomínio das variedades geneticamente modificadas de soja nas lavouras chegou a 93% do total cultivado. A proporção foi maior que para as lavouras de milho (82%) e algodão (66%), segundo o levantamento concluído pelo CIB e ISAAA. O estudo mostrou ainda que os transgênicos são a tecnologia agrícola adotada mais rapidamente na história recente da agricultura. “A área plantada com organismos geneticamente modificados (OGM) na última safra (2014) é cerca de 100 vezes maior do que a registrada em 1996, primeiro ano em que foram cultivados. Isso mostra o quanto o agricultor e a sociedade percebem os benefícios e a segurança dessa tecnologia”, afirma o representante do ISAAA no Brasil, Anderson Galvão.
As entidades responsáveis pelo estudo argumentam que o manejo facilitado e as menores perdas em função de pragas, como insetos e plantas daninhas, registrados nos OGM garantem maior potencial produtivo e contribui para reduzir a pressão da agricultura sobre áreas de proteção ambiental. De acordo com o relatório divulgado pelo ISAAA, se as 441,4 milhões de toneladas adicionais de alimentos e fibras produzidas globalmente entre 1996 e 2013 não fossem provenientes de cultivos geneticamente modificados (GM), seriam necessários 132 milhões de hectares a mais, o equivalente à soma das áreas dos estados de maior produção agrícola no Brasil, ou seja, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
O aumento de produtividade obtido pela adoção de biotecnologia é especialmente relevante no cenário atual em que se buscam formas de viabilizar a produção de alimentos para uma população em crescimento, estimada em 9,6 bilhões de pessoas em 2050, sem comprometer a sustentabilidade dos recursos naturais, defendem os autores do estudo.
Fonte: Redação / Jornal A Gazeta | Foto: Reprodução | Cidade: Mato Grosso
