Custo de produção já acumula alta de 57% para a próxima safra

O custo de produção continua sendo um ponto de atenção para os produtores de soja e milho de Mato Grosso, aponta o boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado na segunda-feira (24). Os cálculos do instituto apontam que o custo da safra 2022/2023 deve ser mais de 57% superior ao que foi registrado na safra 2021/2022.
Desde novembro, os custos do produtor já subiram 1,14%. O aumento é puxado, principalmente, pela alta nos preços dos herbicidas (3,13%), sementes de cobertura (2,02%) e macronutrientes (1,26%). Por outro lado, o aumento das despesas é compensado pela valorização da soja no mercado externo. A soja futura tem alta de 2,43% e já é comercializada pelo preço médio de R$ 151,64 a saca.
Diante desse cenário, a recomendação é que os produtores fiquem atentos ao mercado para fazerem a negociação ao longo do ano. Dados do Imea apontam que foi comercializada apenas metade (50,48%) da produção prevista para a safra 21/22.
“Dessa maneira, é importante que o produtor se mantenha atento aos preços dos insumos e do seu produto, e realize as compras e vendas ao longo do ano para tentar mitigar os efeitos do atual cenário de alto custo de produção”, avisam os técnicos do Imea.
MILHO FRUSTRA – Na contramão da expectativa da soja, os produtores de milho devem sofrer uma queda na produção em todo o Brasil, influenciado principalmente pela seca no Rio Grande do Sul. A produtividade gaúcha despencou de 119 sacas/ha para 61 sacas/ha. Já a estimativa de todo Brasil foi reduzida em 3,65%, estimada em 112,9 milhões de toneladas.
Somado à expectativa de redução da produção em Mato Grosso, esse fator fez com que o preço do milho aumentasse 6,4% em Mato Grosso. O custo de produção para a cultura do milho também subiu quase 31% em relação à safra 2020/2021, puxado também pelo aumento dos insumos, que foram afetados pela valorização do dólar frente ao real.
CRISE DOS INSUMOS – Desde o ano passado, os produtores têm sofrido com a falta do herbicida Diquat, usado para dissecação da soja. A Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) entrou com um pedido no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para liberação de herbicida semelhante usado em outros países do Mercosul.
De acordo com a Aprosoja Brasil, o produto em questão era vendido a R$ 30, porém as compras concluídas e pagas foram canceladas pela empresa Syngenta, detentora do registro do Diquat. A partir disso, o insumo começou a ser revendido aos produtores por até R$ 160. Em alguns casos, o aumento do insumo alcança 500%.
Após o pedido feito pela Aprosoja Brasil, a empresa se manifestou contra a liberação de produtos semelhantes ao Diquat. A empresa disse ser contra a liberação de “produtos não avaliados e aprovados pelas autoridades regulatórias brasileiras sejam disponibilizados aos agricultores”.
Porém, a Aprosoja aponta que a empresa apenas não quer mais concorrência, pois em 2015 o Brasil liberou o uso de benzoato de emamectina, produzido pela própria Syngenta, para o controle da lagarta Helicoverpa armígera, que devastou lavouras em Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Piauí e Goiás. Na ocasião, a empresa não foi contra a liberação do produto.
“Já com relação ao Diquat, sabe-se que diversas empresas têm o registro no país e o Paraquat [produto similar, que foi banido] não é nenhuma novidade no Brasil ou em qualquer membro do Mercosul. Ou seja, fica claro que a preocupação neste caso não é com a segurança do produto, mas de enfrentar a concorrência de outros fabricantes”, diz a entidade.
Autor: Felipe Leonel | Fonte: Redação/Estadão Mato Grosso | Foto: Secom-MT
