De peão a produtor: Paranaense realiza sonho através do cultivo de milho em Nova Ubiratã

Há 24 anos Mato Grosso se tornou um divisor de águas para a Família Land de Borba. Uma trajetória que começou no Paraná e chegou aqui, vendo na produção de milho em solos férteis mato-grossenses, a chance de mudar de vida e crescer de forma independente.
“A gente veio lá do Sul. Nós somos paranaenses, mas meus pais são do Rio Grande do Sul. Minha mãe era empregada em Porto Alegre. Depois foram para o Paraná e nasci lá. Trabalhei até no Paraguai, fiquei 4 anos. De lá, viemos para Mato Grosso. Eu estou há 24 anos aqui, mas quando vim, sempre fui funcionário, fui peão, fui gerente de fazenda. Sempre empregado. Depois, as coisas começaram a mudar.” Assim começa a história de Jalmir Land de Borba, o patriarca da família.
Jalmir é casado com Isabel de Candio há mais de 30 anos e pai de três filhos: Juliano, Jaísa e Isla Marina. Chegou a Mato Grosso como “peão” e passou a morar no Assentamento Cedro Rosa. Foi ali que decidiu arriscar e se tornar dono do próprio negócio e viu no milho a chance de tornar realidade.
Foi em Nova Ubiratã (490km a Oeste de Cuiabá), sétimo maior produtor de grãos de Mato Grosso em 2022, que a família se instalou. No ano passado, a cidade produziu R$ 5,8 bilhões, principalmente com o cultivo de soja, milho e algodão.
Os Land de Borba perceberam o potencial promissor do setor e decidiram financiar o primeiro trator há seis anos, em 2018.
“Essa oportunidade era um sonho que a gente tinha. Comprei um sitiozinho aqui no assentamento Cedro Rosa, mas depois ainda fiquei muito tempo trabalhando pros outros, como empregado, porque não tinha condições de tocar o meu. Daí seis anos atrás eu comecei a produzir. Comprei meu primeiro tratorzinho em 2018, financiado. Daí começamos a produzir.”
Depois disso, conseguiu expandir a estrutura. Comprou mais um trator, um caminhão e uma colheitadeira de pequeno porte.
Hoje, a família contribui com a economia do Estado, vendendo a safra para grandes empresas de produção de rações animais, mas também está presente na mesa das famílias novo-ubiratãenses. A família fornece milho verde e frutas para a merenda escolar do ensino público municipal, uma forma de retribuir o acolhimento que encontrou.
Além do milho, Jalmir também já produziu soja nos 35 hectares que dispõe em seu sítio e conta ser pioneiro da pitaya em Mato Grosso, a chamada “fruta do dragão”, que também vai para a merenda escolar e feiras municipais.
“Eu saí de funcionário, de empregado da agricultura e passei a tocar meu negócio próprio. O começo foi difícil, hoje estamos nos enquadrando, mas começou bem difícil. Mesmo quando ainda produzia só pitaya, eu fui um dos primeiros aqui em Mato Grosso, ela veio pra intercalar com a produção do milho, porque é numa época diferente, de novembro a janeiro. A gente veio intercalando para dar certo”, conta.
O período em que planta milho é o chamado “safrinha”, entre janeiro e março na região. Atualmente, a produção total do milho safrinha supera a de milho de primeira safra no Brasil.
Para Jalmir, fazer essa escolha significou investimento no conforto da família, na educação dos filhos – Jaísa é psicóloga e Isla Marina estuda medicina em São Paulo – e na própria felicidade.
“A vida melhorou muito. Como a gente precisou investir, entrou numa área que não tinha toda a estrutura, ainda estamos pagando esse investimento. Meu filho trabalha comigo, a outra estuda Medicina em São Paulo, a outra mora aqui em Sorriso e já formou em Psicologia, o esposo dela também é agrônomo. Então melhorou muito. Realizamos o sonho.”
A partir daí, como diz o ditado, “o céu é o limite”…
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Autor: Euziany Teodoro | Fonte: Redação/Repórter MT | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
