Delação de advogado gerou operação por desvio de R$ 10 milhões na Assembleia

Em nota divulgada há pouco, o Gaeco (Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado) de Mato Grosso revelou que a “Operação Ventríloquo” foi desencadeada na manhã de hoje para investigar um bando criminoso que que desviou R$ 10 milhões dos cofres públicos da Asembleia Legislativa. Os fatos aconteceram entre 2013 e 2014 com o comando do ex-presidente do Legislativo, o ex-deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), que foi preso às 6h25 da manhã em sua casa no bairro Santa Rosa em Cuaibá.

 

Além dele, o ex-secretário geral, Luis Márcio Pommot, também teve seu pedido de prisão decretado pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane de Arruda Santos, assim como outros réus. Também houve 15 conduções coercitivas, como por exemplo, do suplente de senador José Aparecido dos Santos o “Cidinho”, e a esposa Mali Becker dos Santos, que já foram liberados.

 

A sede da Assembleia Legislativa foi ocupada por agentes do Gaeco que apreenderam documentos e computadores nos setores financeiro e controle interno. Na nota, o promotor Marco Aurélio Castro, que comanda o Gaeco, explica que a operação de hoje não tem nenhuma relação com as operações Ararath e Imperador, que resultaram nas prisões de Riva respectivamente em 2014 e agora em 2015. “Chama a atenção que o investigadocoordenou as ações da organização criminosa no período em que já sabia ser investigado na denominada Operação Ararath, tendo reiterado a prática de crimes mesmo após ter sido preso e solto por ordem do STF pela prática de crimes de lavagem de dinheiro e outros, todos apurados por investigação da Polícia Federal”, ressalta.

 

O Gaeco ainda comenta que, mesmo tendo sido preso em 2014 acusado de lavagem de dinheiro pelo empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o “Júnior Mendonça”, e solto através de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, Riva continuou a praticar crimes para desviar recursos milionários do erário público. 

 

Segundo o Gaeco, o “grupo criminoso comandado por Riva é investigado pelos crimes de peculato, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro”. Para combater os comentários de que os pedidos de prisão só haviam sido feitos após a soltura de Riva há uma semana, o promotor revela que as ações já haviam sido feitos antes sendo que a decisão da magistrada aconteceu apenas na segunda-feira, dia 29.

 

DELAÇÃO DE ADVOGADO

A operação de hoje teve início a partir de uma delação do avogado Joaquim Fábio Mielle Camargo, que representava o banco HSBC numa demanda judicial contra a Assembleia Legislativa. O esquema teria sido detalhado pelo jurista aos promotores do Gaeco, inclusive com a entrega de documentos de fraudes após acordo extrajudicial firmado em que teriam sido devolvidos vultuosos valores.

 

O Bamerindus, hoje HSBC, efetuou na década de 90 empréstimos para servidores cujos valores não foram transferidos ao banco pela Mesa Diretora. Após o banco entrar na Justiça, Riva fechou um acordo assumindo o pagamento com a devolução de metade do valor, cerca de R$ 5 milhões, que foram transferidos para contas determinadas pelo ex-parlamentar.

 

Para tentar dar legalidade as transações, Riva teria usado contas bancárias de outras pessoas físicas e jurídicas para receber depósitos do advogado. Factorings também teriam recebido depósitos milionários.

 

Leia a nota na íntegra: 

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) composto por membros do Ministério Público, Policia Militar e Polícia Civil esclarece:

1. A OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO, levada a efeito na manhã de hoje, mediante cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e condução coercitiva, não possui qualquer relação com a OPERAÇÃO IMPERADOR deflagrada em fevereiro deste ano, nem tampouco com a OPERAÇÃO ARARATH, tratando de fatos totalmente diversos;

2. O bando criminoso investigado, sob o comando de JOSÉ GERALDO RIVA, atuou no âmbito da Assembleia legislativa nos anos de 2013 e 2014 e desviou aproximadamente R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) dos cofres públicos;

3. Os fatos até então apurados dão conta da prática de peculato, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro;

4. Os pedidos de prisão, busca e apreensão, bem como de condução coercitiva, foram levados à apreciação do Poder Judiciário antes da decisão do STF que revogou a prisão do ex Parlamentar na semana passada;

5. Chama a atenção que o investigado JOSÉ GERALDO RIVA coordenou as ações da organização criminosa no período em que já sabia ser investigado na denominada Operação Ararath, tendo reiterado a prática de crimes mesmo após ter sido preso e solto por ordem do STF pela prática de crimes de lavagem de dinheiro e outros, todos apurados por investigação da Polícia Federal.

 

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Autor: Carlos Dorileo | Fonte: Redação/ Folha Max | Foto: Divulgação | Cidade: Mato Grosso