Deputado de Sorriso confirma uso de verbas da ALMT para “assistencialismo”

O deputado estadual Mauro Luiz Savi (PR) deverá ser ouvido pela juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal, a partir das 13h30 desta quarta-feira (24), como testemunha de defesa no processo oriundo da “Operação Célula Mãe”, em que figura seu ex-colega de Assembleia, José Geraldo Riva, acusado de ter comandado um esquema de fraude de R$ 2,6 milhões em pagamentos com verbas de suprimento. Além dele, os acusados e colaboradores Hilton Carlos da Costa Campos e Marisol Castro Sodré também serão ouvidos em fase de interrogatório. 

 

De acordo com a denúncia, Riva, o suposto mentor dos outros dois esquemas citados anteriormente, também figura como principal articulador do conchavo que teria lesado os cofres públicos em cerca de R$2,6 milhões, entre 2010 e 2014, desviando as extintas “verbas de suprimento de fundos”, destinadas, na época, para pequenos gastos mensais de cada gabinete, com valores entre R$ 4 mil e R$ 8 mil.



Conforme a denúncia, o ex-parlamentar usava o dinheiro enviado ao seu gabinete para o pagamento de despesas pessoais, como o combustível de sua aeronave e honorários advocatícios, além de servir também para corromper políticos e lideranças do interior com um “mensalinho”.



A fraude ocorreu por meio de aquisições fictícias – de produtos como marmitas e materiais gráficos – feitas com a antiga verba. As notas fiscais utilizadas para justificar as compras eram falsificadas.



Segundo o testemunho de alguns servidores, eles eram coagidos a realizar pequenos saques e, posteriormente, repassavam os valores, em espécime, aos líderes do esquema (Geraldo Lauro e Maria Helena Caramello), que eram chefes de gabinete de Riva, então presidente da ALMT. 



Na fase de depoimentos, Caramello teria novamente coagido testemunhas com o propósito de blindar Riva. Além disso, segundo os autos, o advogado Alexandre Nery teria prestado assessoria jurídica aos servidores na tentativa de ‘moldar’ um discurso que dificultasse a descoberta da verdade.



São réus nesta ação: José Geraldo Riva, Maria Helena Ribeiro Ayres Caramelo, Geraldo Lauro, Hilton Carlos da Costa Campos e Marisol Castro Sofré.



Acompanhe:

13h30 – Na chegada ao Fórum de Cuiabá, para participar da audiência, o deputado Mauro Savi confirmou ser comum, em gestões passadas, a utilização por parte dos deputados da verba de suplementos para “assistencialismo”. Segundo o parlamentar, Riva e seus aliados que criaram o mecanismo: “Eles que inventaram esse ‘troço’ aí”, afirmou.

Autor: Paulo Victor Fanaia | Fonte: Redação/ Olhar Direto | Foto: Rogério Florentino (Reprodução) | Cidade: MT