Deputado Ulysses Moraes é alvo de representação na Assembleia e pode perder mandato

O deputado estadual Ulysses Moraes (PSL) foi alvo de representação por quebra de decoro parlamentar, em razão de novamente ter propagado “fake news” em suas redes sociais.
A representação foi feita pelo deputado estadual Wilson Santos (PSDB), no último dia 4 de agosto, e será analisada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi. Se acatada, Ulysses pode responder a processo disciplinar na Comissão de Ética e até mesmo perder o mandato, na hipótese de a representação ser julgada procedente.
Conforme a representação, a fake news divulgada por Ulysses ocorreu no dia 22 de julho, após a sessão que analisou a destinação dos recursos do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal de Mato Grosso (FEEF/MT). Na sessão, Wilson se manifestou de forma favorável ao projeto do Governo do Estado, no sentido de o fundo ser usado para beneficiar não só a Saúde, mas também a Assistência Social.
Porém, de acordo com o parlamentar tucano, Ulysses produziu um vídeo com montagem e trucagem de vídeos, tirando a fala de contexto para denegrí-lo, “com o claro intuito de introduzir mensagem errada para a população que o acompanha”.
“A forma como o trecho de fala foi inserida no vídeo de Ulysses é desconexo e induz a conclusões errôneas do ocorrido, manchando a reputação e imagem do deputado Wilson”, diz trecho da representação.
Wilson pontuou que a atitude do colega infringiu os artigos 30 e 31 do Código de Ética da Assembleia Legislativa, pois agiu “motivado por maus sentimentos e inegável má-fé”.
“Criou narrativa para desacreditar todo o esforço do representante, distorcendo suas manifestações e afirmando que o autor apoia o aumento do preço da comida, ofendendo de forma inquestionável sua honra e reputação”, consta em outro trecho.
Para o deputado tucano, Ulysses propagou “Inverdades” sobre o projeto de lei, com uma interpretação diversa da realidade. Wilson lembrou que Ulysses é contumaz nessa prática de espalhar fake news por meio de postagens em redes sociais, a exemplo de quando propagou “sumiço” de vacinas e de equipamentos contra a covid-19, situações comprovadamente falsas.
“Veja que o autor está sendo chamado de ‘ladrão’, ‘safado’, e outros termos pejorativos, tudo por causa da publicação do réu, que alterou a verdade do ocorrido, e utiliza-se de trecho de fala totalmente desconexo. Outrossim, é óbvio que tal fato também atinge a própria imagem da Assembleia Legislativa”, acrescentou.
Ofensa à lei
Segundo o parlamentar, o Código de Ética da Assembleia exige que todo deputado atue com honestidade, decoro, veracidade, lealdade e boa-fé.
“Ora, se o deputado se utiliza de trecho de fala destacado do contexto para ofender a imagem de seu colega parlamentar, ofendendo ainda a propriedade intelectual da proposição, fica claro a ausência de boa-fé, decoro, lealdade e veracidade”.
“O representado não exerce o mandato com dignidade, boa-fé e decoro, posto que dissemina notícias inverídicas, ofende a reputação de colega parlamentar e, principalmente, ofende a própria Constituição Federal”, ressaltou Wilson.
Caso a representação seja aceita pelo presidente da Assembleia, a Comissão de Ética deverá instaurar um processo disciplinar para apurar o caso. As penalidades pela quebra de decoro podem ser: censura, suspensão do exercício do mandato e até mesmo a perda do mandato.
Fonte: Redação/Repórter MT | Foto: JL Siqueira/ ALMT
