Desembargadora defensora dos direitos das mulheres deixa o TJMT aos 75 anos

A desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Maria Erotides Kneip, se aposentou nesta terça-feira (2) após mais de mais de quatro décadas no Judiciário. A aposentadoria foi publicada no Diário de Justiça eletrônico. Ela completa 75 anos na quinta-feira (4), idade limite para o exercício da magistratura.
Com a saída da magistrada do Tribunal, será aberta vaga para concorrer ao desembargo por critério de merecimento, que será preenchida tanto por juiz de primeiro grau homem quanto por mulher.
Maria Erotides foi homenageada nesta segunda-feira (1º) em solenidade de despedida do TJMT em cerimônia com a presença de autoridades dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, além de representantes de instituições do sistema de Justiça, amigos e parentes.
“Vai ser uma perda irreparável ao Tribunal, É uma mulher, uma magistrada com muita ética, parceira, uma amizade honesta, ela é uma batalhadora e inovadora, promoveu amparo às mulheres que sofrem de violência doméstica”, destacou a desembargadora Nilza Possas de Carvalho.
Na quinta-feira (28), Maria Erotides participou da última sessão de julgamento da Corte. No discurso de despedida, desejou que “nenhuma mulher seja abandonada à própria sorte” e defendeu que o enfrentamento à violência de gênero siga como prioridade institucional.
Já a sexta-feira (28), foi homenageada com a comenda da ordem do mérito Mato Grosso – Grau Grã-Cruz pelo governador Otaviano Pivetta, a mais alta distinção honorífica concedida pelo governo do Estado para reconhecer personalidades civis ou militares que, por seus serviços de relevância e contribuição institucional, destacaram-se e impactaram positivamente o estado.
Umas das principais atuações da magistrada foi a linha de frente na defesa dos direitos das mulheres e o combate à violência de gênero, sendo reconhecida como uma referência do tema em Mato Grosso.
Ao longo da carreira, participou de congressos, seminários, campanhas institucionais, palestras, projetos legislativos e liderou iniciativas voltadas à rede de proteção da mulher.
residiu a Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual do Segundo Grau de Jurisdição e também integrou a Comissão Especial Examinadora do concurso para ingresso na magistratura estadual.
Entre 2017 e 2020, presidiu a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário de Mato Grosso (Cemulher-MT) e na gestão 2025-2026, retornou ao comando da coordenadoria, atuando na promoção de políticas públicas e ações de proteção às mulheres vítimas de violência.
Com mais de 40 anos de atuação na Justiça mato-grossense, a magistrada consolidou sua carreira passando por diferentes comarcas e cargos de liderança, tornando-se uma das figuras mais experientes do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Natural de Juiz de Fora (MG), ingressou na carreira em 23 de janeiro de 1985, após aprovação em concurso público para o cargo de juíza substituta do Estado de Mato Grosso. Dois anos depois, em março de 1987, foi nomeada juíza de Direito.
Ao longo da carreira, atuou em diversas comarcas do estado, incluindo Alto Garças, Alto Araguaia, Dom Aquino, Jaciara, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá. Na capital, exerceu funções na 2ª Vara Criminal. Já em Várzea Grande, passou pela 1ª e pela 5ª Varas Criminais, acumulando experiência na área penal.
Foi promovida ao cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pelo critério de antiguidade em abril de 2011. Depois, virou corregedora-geral da Justiça no biênio 2015/2016 e, posteriormente, vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso na gestão 2023/2024. Também integrou o Órgão Especial da Corte e o Centro de Inteligência do Poder Judiciário de Mato Grosso (CIPJ-MT).
Além das funções jurisdicionais e administrativas, Maria Erotides Kneip atuou em iniciativas voltadas à governança institucional e ao ambiente de trabalho no Judiciário.
Autor: Mariana Lenz | Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: TJMT
