Duas vítimas seriam paraguaias; aeronave tinha histórico de apreensão com drogas e não será investigada pela FAB

Avião Cessna caiu na última quinta-feira (10) e deixou três ocupantes mortos; identificação oficial será feita por confronto de DNA em Cuiabá. Aeronave estava irregular e havia sido apreendida com 67 kg de cocaína em 2017.


A investigação preliminar da Polícia Civil levanta a hipótese de que dois dos três ocupantes que morreram carbonizados na queda de um avião na região de Água Boa, no leste de Mato Grosso, na última quinta-feira (10), seriam cidadãos paraguaios. O terceiro ocupante seria um brasileiro. A informação foi confirmada pelo gerente da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) de Água Boa, Paulo Barbosa, que informou ter iniciado contato com familiares no Paraguai.

 

“A Polícia Judiciária Civil conseguiu apresentar os possíveis nomes dos ocupantes. Trata-se de um brasileiro e dois paraguaios. Também indicou o contato desses familiares. Nós já começamos a conversar com eles”, afirmou o perito.

 

Para confirmação oficial das identidades, os corpos foram transferidos para a diretoria metropolitana da Politec, em Cuiabá, onde será realizada a coleta de material genético e o confronto por DNA.

 

Aeronave irregular e sem investigação oficial

O avião modelo Cessna, prefixo N401NA, havia sido comprado pelo brasileiro que estava a bordo cerca de quatro meses antes do acidente, mas nunca foi regularizado junto às autoridades brasileiras de aviação. Conforme a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave estava há cinco anos com cadernetas desatualizadas e sem inspeções obrigatórias, além de permanecer em um hangar em Goiânia (GO) sem condições de voo.


Diante da irregularidade, o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER/Cenipa) decidiu não investigar as causas da queda. Em nota, a FAB explicou que a decisão segue o Decreto nº 9.540/2018, que permite interromper investigação quando constatada irregularidade ou quando o evento não contribuir para prevenção de novos acidentes.

 

Histórico de apreensão com drogas

A aeronave chama atenção por seu passado: foi apreendida pela Polícia Federal em 2017, em Goiânia (GO), transportando ou armazenando pelo menos 67 kg de cocaína. À época, dois irmãos gêmeos espanhóis foram presos em flagrante. O caso tramitou na 5ª Vara Federal de Goiânia.


Apesar do histórico, segundo o delegado Carlos Alberto Silva, da Delegacia de Água Boa, até o momento não foram encontrados indícios de que a aeronave estivesse transportando drogas ou qualquer carga ilícita na queda de quinta-feira.

 

O que segue em investigação

A investigação sobre as circunstâncias da queda continua sendo conduzida pela Polícia Civil de Água Boa, que tenta confirmar oficialmente as identidades das vítimas e esclarecer o trajeto, a finalidade do voo e as condições em que a aeronave operava.

 

  • Fonte: Redação
  • Foto: Reprodução